USP quer compensar alunos de escola pública após perda do Enem
RICARDO GALLO
da Folha de S.Paulo
NATÁLIA SOARES
Colaboração para a Folha
A USP vai criar uma fórmula para que os alunos de escola pública não sejam prejudicados com a ausência do Enem no vestibular da Fuvest. O exame poderia acrescentar até 6% à nota final do candidato, dependendo de seu desempenho.
Sem o Enem, ficaria mais complicado para o aluno da rede pública ser aprovado. Isso porque a universidade havia decidido manter o bônus, mas ele seria calculado com base em uma prova mais difícil que o Enem: a nota da primeira fase do vestibular.
A ideia da fórmula é justamente corrigir essa distorção --e dar ao candidato a mesma chance de obter o bônus de 6% que ele teria se fizesse o Enem.
"O vestibular da Fuvest é mais difícil que o Enem. Quem acerta a metade do Enem, por exemplo, não consegue acertar a metade da primeira fase da Fuvest. Então, haverá uma fórmula para corrigir essa diferença e fazer com que o bônus seja o mesmo que o Enem daria", afirmou Mauro Bertotti, coordenador do grupo de trabalho que discute o vestibular.
No vestibular do ano passado, o Enem ajudou em média 3% na nota. "Vamos fazer com que o bônus permaneça em 3%", afirmou. Por trás da proposta, está a necessidade de manter o mesmo patamar de alunos de escola pública que conseguem entrar na USP --em 2008, foram 30%.
O modo como essa compensação ocorrerá será discutida quinta-feira, em reunião do grupo coordenado por Bertotti, ligado à pró-reitoria de graduação. Foi essa mesma equipe que decidiu excluir o Enem do vestibular da USP, na última quarta-feira --a avaliação foi que não haveria tempo hábil para levar em conta a nota do exame, adiado para dezembro.
O bônus de 6% do Enem faz parte do Inclusp, projeto de inclusão social da universidade que dá, ainda, 3% para os que fizeram todo o ensino médio em escolas públicas e mais 3% para quem aderiu ao Pasusp (avaliação seriada). No total, o acréscimo na nota pode chegar a 12%.
Pelo Inclusp, 896 estudantes entraram na USP em 2009 --3.089 alunos da rede pública passaram no vestibular; não fosse o bônus, seriam 2.193.
Até o ano passado, todos os candidatos, inclusive os da rede particular, também podiam usar o Enem --o exame era usado para compor até 20% da nota da primeira fase.
Alívio
Para o professor Edmilson Motta, coordenador do Etapa, a compensação proposta pela USP traz algum alívio aos alunos de escola pública, temerosos de que a ausência do Enem na Fuvest os prejudicasse.
"Os alunos estavam bem inseguros. Manter o bônus é muito bom, pelo menos para manter condições similares às do ano passado", afirmou. "Haverá um impacto positivo, principalmente nos cursos mais concorridos. Se você pegar um curso disputado, como há vários na USP, 1% é a diferença entre passar e não passar."
Mas a incerteza ainda deixa os alunos tensos. Leandro Waldoski, 20, quer cursar economia na USP e diz se sentir prejudicado, porque a prova do Enem era mais fácil. "Eu vi a prova que vazou e tinha certeza que me daria bem."
Felipe Macedo, 22, quer fazer marketing e diz que gostaria de contar com o exame no vestibular. "Tive amigos que passaram por causa do Enem. A gente fica mais receoso." Já Michelle Belaus Gomes, que quer direito, ficou desanimada. "A prova da Fuvest é mais difícil."
Leia outras notícias sobre o Enem
- Acusado de furtar prova diz que "ajudou alunos" ao provocar cancelamento do Enem
- Unesp deve decidir dia 27 se usará notas do Enem no vestibular
- Mackenzie é a quinta universidade a decidir não usar o Enem
Outras notícias da editoria de Educação
- Folha reúne candidatos a reitor da USP
- Ouça os destaques do caderno Fovest desta terça
- Estudo mostra preconceitos de professores alemães contra certos nomes
Especial
Livraria


avalie fechar
Nessas horas me lembro de uma frase "O que começa errado só pode terminar errado"
avalie fechar
O que se deve contestar sempre são os métodos utilizados pelo governo de se investir no conhecimento, na formaçaõ educacional deste país.
Ora, é uma barbaridade o montante de dinheiro que se disperdiça, que se joga fora com esse ENEM.
Um dos motivos de termos maus profissionais no país, é esse também.
Imaginem o bem enorme que faria à educação e por tabela aos professores, se o governo destinasse esse valor anualmente direto para este setor.
Certamente o resultado seria maior e melhor para todos, e os profissionais seriam mais profissionais, se essas medidas acompanhassem o sistema educacional sempre.
È uma questão de lógica, mas que o governo teima em não querer entender, que essas medidas desesperadoras como o ENEM, não preparam ninguém para o mercado de profissionais.
Ainda bem que o verdadeiro mercado faz as escolhas, e os maus preparados sobrarão.
avalie fechar