Educação
14/10/2009 - 13h58

Autor do dano arcará com prejuízos do Enem, diz Haddad

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SOFIA FERNANDES
colaboração para a Folha Online, em Brasília

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira que a responsabilidade em ressarcir prejuízos de terceiros em um caso como o do vazamento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é do autor do dano.

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Em audiência na Câmara, o ministro foi questionado sobre custos, como hospedagem e transporte, que alguns estudantes tiveram ao fazer a matrícula do exame. "O contrato em relação a isso é claro. A responsabilidade por qualquer dano, no que diz respeito a esse tipo de episódio, é de quem causou o dano", afirmou.

As investigações sobre o vazamento do exame levam a crer que a prova foi furtada em um novo ambiente não previsto no plano logístico originalmente proposto. É uma sala de manuseio da prova, dentro da gráfica, com pessoas contratadas em "cima da hora", como disse o ministro.

Não houve vistoria do governo nesse novo ambiente, e os funcionários do Inep negam terem sido avisados sobre qualquer mudança.

Segundo Haddad, a fiscalização 24 horas na gráfica estava a cargo do consórcio Connasel, então responsável pela aplicação do exame. Após a fraude, o Ministério da Educação rompeu o contrato com o consórcio; a empresa, porém, nega falhas na segurança.

Haddad afirmou que o novo exame seguirá todas as recomendações feitas pela Polícia Federal. "Não vamos medir esforços para conseguir recursos para garantir a segurança", disse.

Empresa pública

O ministro esteve hoje em audiência pública na comissão de Educação da Câmara, onde reforçou sua ideia sobre a criação de uma empresa pública e autônoma, como uma autarquia, para cuidar e dar mais segurança a concursos públicos e outros exames como o Enem.

"Em todo concurso há a tentativa de furto. Pode não se concretizar, mas há tentativa", afirmou o ministro, expondo a fragilidade de todo concurso público.

Haddad defendeu a participação de alguns órgãos do governo, como Cespe, Esafe e Enape, sem necessidade de licitação, para cooperar com fiscalização e execução dos testes, já que acumulam muita experiência na área.

Vazamento

A prova do Enem deveria ter ocorrido nos dias 3 e 4 deste mês, mas foi adiada para os dias 5 e 6 de dezembro após a denúncia de vazamento do conteúdo.

Cinco pessoas foram indiciadas pelo crime, entre eles estão Felipe Pradella, Felipe Ribeiro e Marcelo Sena --funcionários da Cetro, uma das três empresas que compõem o consórcio

A licitação foi fechada em R$ 116 milhões, e, segundo o ministério, já haviam sido pagos R$ 35 milhões. Uma parceria entre a Cesgranrio e a Cespe deve ficar responsável pela aplicação das novas provas.

Comentários dos leitores
Delci Liberti (5) 05/12/2009 04h56
Delci Liberti (5) 05/12/2009 04h56
Como já era de se esperar, iria aparecer alguma coisa, mesmo que seja falsa., a credibilidade acabou, apenas são os milhões para a elaboração e execução das provas. Eu Como educador este tipo de coleta de pontuação não funciona, isso deveria ser feito ao longo da formação do aluno na etapa da vida escolar, até mesmo para que o aluno defina um profissão a seguir, seria com o acompanhamento de psicólogos, assistentes sociais presente nas escolas dando suporte aos professores durante o processo de formação do aluno. Eu acredito que o aluno chegaria em uma faculdade com mais conteúdo, mais preparado e se tornaria um profissional mais competente, o que o país ganaria muito.
Delci liberti - Franca - SP
sem opinião
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Luciano Filgueiras (85) 04/12/2009 17h15
Luciano Filgueiras (85) 04/12/2009 17h15
É lamentável, mas infelizmente pode ser verdadeiro. O gabarito do Enem sempre vazou sem chamar muita atenção; mas a partir da reserva de vagas nas universidades públicas a coisa veio a tona; afinal de contas a cultura da impunidade vem prevalecendo, o que significa o aumento da ousadia e da falta de escrupúlo nos procedimentos governamentais... 1 opinião
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Vagner Silva (1) 03/12/2009 17h11
Vagner Silva (1) 03/12/2009 17h11
Esses estudantes estão no Brasil, onde a religião judaica não é maioria. Eles tem que se adaptar a nossa cultura. 8 opiniões
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