Educação
19/10/2009 - 11h27

Após fraude no Enem, estudantes questionam segurança de vestibulares

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TARSO ARAUJO
da Folha de S.Paulo

"E o vestibular, é seguro?" Desde o vazamento do Enem, muitos vestibulandos estão com essa pergunta na cabeça. A resposta incomoda: por mais que os organizadores se esforcem para garantir uma concorrência justa, não faltam flagrantes de fraude nos concursos para faculdades brasileiras.

Existem até quadrilhas especializadas no assunto. E candidatos dispostos a pagar por seus serviços, que incluem colas eletrônicas e falsificação de documentos. Dependendo da região, da faculdade e do curso desejado, eles desembolsam até R$ 30 mil pela "forcinha".

"Se aumenta muito o prêmio, o lucro também sobe. E o pessoal se arrisca mais", diz Renato Pedrosa, coordenador da Comissão Permanente de Vestibulares da Unicamp.

As universidades contra-atacam. USP e UFPR estão entre as que usam detectores de metal e rastreadores de sinal de celular para evitar a cola.

Na Unicamp, quem fizer a segunda fase fornecerá sua impressão digital 11 vezes durante o concurso, para compará-las com a digital de quem fizer a matrícula e evitar a ação de laranjas.

Vigiar e punir é difícil

O problema é que as medidas de segurança são caras --R$ 10 mil só para colher as impressões digitais e compará-las.

"Até 30% da despesa de R$ 1 milhão com o vestibular é para a segurança", diz Francisco Filho, coordenador de concursos da Universidade Estadual do Piauí, que usa detectores de metal e rastreadores de celular desde que fiscais flagraram uma cola eletrônica em 2006.

"Com tanta tecnologia nova, você fica doido. Não é fácil chegar a essas pessoas", diz o delegado Antônio Magno Toledo, da Delegacia de Defraudações e Falsificações de João Pessoa. "No Nordeste, devem existir de três a cinco quadrilhas especializadas nisso. Em cada concurso pode haver dezenas de candidatos com esquema."

De fato, nesta década já houve vários flagrantes de cola eletrônica e uso de laranjas. Além de fraudes nos sistemas de cotas, como as que aconteceram na UFBA (Universidade Federal da Bahia), em 2006.

O procurador Sidney Madruga investigou o caso e conta que "não houve qualquer cuidado da UFBA de ver se os documentos eram verossímeis", diz. "Tem muita gente fraudando." A UFBA se defende e diz que os dois alunos tiveram suas matrículas canceladas tão logo a fraude foi descoberta. Coisa que nem sempre acontece.

Em 2002, uma quadrilha "aprovou" 28 dos 40 alunos de medicina da Universidade Federal do Acre. Quando a polícia descobriu o esquema, soube que ela atuava havia 18 anos.

E o mais desanimador: a cola eletrônica não tem sido considerada crime pelo Supremo Tribunal Federal, instância máxima da Justiça brasileira.

Nos dois casos que julgou, o órgão considerou que ela não é estelionato nem falsidade ideológica. Uma chance clara de impunidade para quem trapaceia.

Editoria de Arte/Folha Imagem
Comentários dos leitores
Delci Liberti (5) 05/12/2009 04h56
Delci Liberti (5) 05/12/2009 04h56
Como já era de se esperar, iria aparecer alguma coisa, mesmo que seja falsa., a credibilidade acabou, apenas são os milhões para a elaboração e execução das provas. Eu Como educador este tipo de coleta de pontuação não funciona, isso deveria ser feito ao longo da formação do aluno na etapa da vida escolar, até mesmo para que o aluno defina um profissão a seguir, seria com o acompanhamento de psicólogos, assistentes sociais presente nas escolas dando suporte aos professores durante o processo de formação do aluno. Eu acredito que o aluno chegaria em uma faculdade com mais conteúdo, mais preparado e se tornaria um profissional mais competente, o que o país ganaria muito.
Delci liberti - Franca - SP
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Luciano Filgueiras (85) 04/12/2009 17h15
Luciano Filgueiras (85) 04/12/2009 17h15
É lamentável, mas infelizmente pode ser verdadeiro. O gabarito do Enem sempre vazou sem chamar muita atenção; mas a partir da reserva de vagas nas universidades públicas a coisa veio a tona; afinal de contas a cultura da impunidade vem prevalecendo, o que significa o aumento da ousadia e da falta de escrupúlo nos procedimentos governamentais... 1 opinião
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Vagner Silva (1) 03/12/2009 17h11
Vagner Silva (1) 03/12/2009 17h11
Esses estudantes estão no Brasil, onde a religião judaica não é maioria. Eles tem que se adaptar a nossa cultura. 8 opiniões
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