Educação
08/11/2009 - 13h21

Advogado se diz "perplexo" com expulsão de aluna da Uniban e estuda recurso

Publicidade

Colaboração para a Folha Online

O advogado da estudante Geisy Arruda, 20, expulsa da Uniban por meio de um anúncio em jornais de São Paulo neste domingo, se disse "perplexo" e "atordoado" com a decisão da universidade e afirmou que estuda a possibilidade de entrar com um recurso contestando a decisão.

Nehemias Melo disse que ainda não foi notificado pela universidade a respeito da expulsão de Geisy. "Fui informado pela imprensa. Lendo a nota, fiquei perplexo. Estou atordoado", afirmou.

Jovem hostilizada na Uniban quer recuperar "vida normal"
Grupo protesta contra repercussão de caso
02 Neurônio: Episódio da Uniban faz SP voltar no tempo

A estudante foi hostilizada e xingada nos corredores da universidade, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), por usar um microvestido rosa. O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. Geisy parou de frequentar as aulas --ela está no primeiro ano do curso de turismo.

Nesta segunda-feira (9), após encontro entre a estudante e a equipe de advogados, Melo dará uma entrevista coletiva no início da tarde, anunciando qual será a estratégia da defesa daqui em diante.

A aluna da Uniban afirmou à Folha Online neste sábado (7) que a decisão da universidade de expulsá-la é absurda. "Eu fui a vítima. Como que eu posso ser expulsa? A vítima é expulsa da faculdade? Isso é um absurdo", disse.

Geisy ficou sabendo que seria expulsa por meio da imprensa e diz que está muito surpresa com a notícia. "Não tive confirmação de nada até agora, só através da mídia. É uma falta de respeito. Eu não estou acreditando que isso está acontecendo."

No anúncio da Uniban, intitulado "A educação se faz com atitude e não com complacência", a universidade afirma que a sindicância aberta para apurar o acontecimento concluiu que houve "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade" por parte da aluna.

Segundo a nota, foram colhidos depoimentos de alunos, professores e funcionários, além da própria Geisy, para embasar a sindicância. Em seu depoimento, a Uniban diz que "a aluna mostrou um comportamento instável, que oscilava entre a euforia e o desinteresse".

As imagens gravadas no dia e divulgadas na internet também foram analisadas, e os alunos identificados foram suspensos temporariamente das atividades acadêmicas.

Marlene Bergamo/Folha Imagem
Geisy Arruda, 20, que foi expulsa da Uniban após ser hostilizada por colegas por usar vestido curto
Geisy Arruda, 20, que foi expulsa da Uniban após ser hostilizada por colegas por usar um microvestido rosa

De acordo com a ex-aluna, na sindicância a que compareceu na última quarta-feira (4), os responsáveis pela universidade decidiram que ela voltaria às aulas na próxima segunda-feira (9), com segurança a protegendo, e que sua classe foi transferida para uma sala do outro lado do prédio.

"Quarta-feira ficou tudo certo que eu voltaria a estudar na segunda. E, de repente, eles fazem isso? Eu não estou entendendo mais nada."

A estudante contou que compareceu a universidade com os advogados para ajudar a esclarecer os fatos e descobrir quem começou a manifestação. Mas disse que a experiência foi horrível e que saiu de lá chorando. Ela diz que esperou 15 minutos para entrar na universidade e mais 20 minutos para chegar a uma sala apertada em que foi bombardeada com perguntas que não sabia responder.

"Eles queriam saber as pessoas que estavam na manifestação, quem estava sentado ao meu lado esquerdo, direito, na minha frente, atrás." De acordo com a aluna, a Uniban não procurou as imagens das câmeras do dia da manifestação porque "estão querendo abafar o caso".

Geisy informou que ficou das 14h às 20h sem tomar nem um copo de água e que os responsáveis pela universidade ficavam olhando para ela com cara feia. "Respondi as perguntas um milhão de vezes. Eu não posso apontar alguém sem ter certeza. Falei para os meus advogados que eles estavam me tratando como se eu fosse a culpada."

Anúncio

No anúncio, a universidade ainda afirma que a aluna frequentava a unidade com trajes inadequados "indicando uma postura incompatível com o ambiente" e chegou a ser alertada sobre o assunto, mas não mudou o comportamento. No dia do acontecimento, segundo a Uniban, Geisy percorreu percursos maiores para aumentar sua exposição, "ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos".

"A atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar."

Comentários dos leitores
paulo fernando (20) 26/11/2009 21h07
paulo fernando (20) 26/11/2009 21h07
Muita babaquice, desde aquele cabeludo pelado com um megafone, na verdade o que ele queria mesmo era estar com a mão e a boca numa mega outra coisa. Estudantes sem conteúdo. Tem muitas causas mais relevantes para lutar e eles nada fazem, mas como a historia da estudante, de quê mesmo? qual a matéria que ele deveria estar cursando com aquelas roupas? todos querem aparecer porque a midia deu muita importância ao fato. Isso tudo não passa de uma jogada premeditada da menina e os babacas foram na onda, pois são todos baderneiros sem direcionamento, e nem se tocaram que foram usados pela marqueteira quase pelada que ainda se aproveitou da idiotice deles.Aguardem para breve. Estudante expulsa pelada na playboy. sem opinião
avalie fechar
Jose Manuel T.Graner (2) 25/11/2009 21h43
Jose Manuel T.Graner (2) 25/11/2009 21h43
Após do inacreditavel episodio de intolerancia, preconceito e ignorancia, que os estudantes da tal universidade protagonizaram, fico espantado ao verificar tantas opiniões condenando e desmerecendo a moça em questão, quando o problema não é nem ela nem o vestido nem o que eventualmente pretendia. o problema são vocês brasileiros, hipocritas e fascistas. VOCÊS NÃO VÃO ENTENDER. É MUITA IGNORANCIA!!! INACREDITAVEL
No final das contas, a uniban é o reflexo da triste educação que temos recebido e que nos manten neste nivel de idiotice
5 opiniões
avalie fechar
Fernando Teles (7) 21/11/2009 00h44
Fernando Teles (7) 21/11/2009 00h44
Daniele, a garota não se promoveu ou premeditou nada. E não tinha em mente a exposição de um certo TALENTO quando o episódio ocorreu. É simplesmente, como foi pontuado por você, o modo como os eventos ganham destaque na nossa mídia. Já fizeram até música sobre a estudante. O mais importante é que nosso país discuta a censura que foi colocada em prática pela UNIBAN. Não interessa se a garota é uma coitada ou não. Ela é antes de mais nada uma cidadã. E, se o que ocorreu com ela for considerado normal e justo, estaremos automaticamente atestando a aplicação dessa norma para todos os casos futuros de mulheres que se vestem como querem em outras instituições que reunem um número considerável de indivíduos. Ninguém precisa gostar do modo como ela se veste ou achá-la bonita. Ela não é o aspecto mais importante desse episódio, apenas uma personagem que optou por uma indumentária que atraiu a atenção de outras pessoas. E é esse incômodo que merece mais reflexão. Se é permitido a um grupo de pessoas manifestar sua indignação em relação a algo que não gostam daquela forma, então qualquer crítica a qualquer comportamento daqui pra frente é válida. Hoje é um vestido, amanhã uma opinião, no dia seguinte a cor da pele. Valores são mutáveis, e por isso mesmo existem para serem questionados e não seguidos a risca. Pense nisso. 15 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (879)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca