Educação
08/11/2009 - 18h25

Estudante sai de sala com prova do Enade antes da hora em Brasília

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da Agência Brasil

Em pelo menos uma escola de Brasília a aplicação da prova do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) não transcorreu com tranquilidade. Um estudante da Unb (Universidade de Brasília) saiu com o caderno de provas na mão apenas 15 minutos após o início do exame.

Mais de 1 milhão fazem prova do Enade

Apesar de as regras do Enade determinarem que os fiscais só deveriam permitir a saída dos cadernos após as 16h, alunos que aguardavam do lado de fora da escola contam que ele não teve dificuldades para sair com o documento.

"Ele simplesmente saiu com a prova na mão, entregou para a gente aqui fora e foi embora", explicou o estudante de comunicação social e integrante do DCE (Diretório Central de Estudantes) da UnB Jerônimo Pinto.

José Cruz/ABr
Estudantes de Brasília leem trechos da prova da Enade para alunos que ainda respondiam questões do exame dentro das salas de aula
Estudantes de Brasília leem trechos da prova do Enade para alunos que ainda respondiam questões do exame dentro das salas de aula

Os responsáveis pela organização da prova no Centro de Ensino Fundamental 7 de Brasília, que não quiseram gravar entrevista, não sabem explicar o que houve e não reconhecem que a prova tenha saído do local antes da hora. Segundo eles, cada uma das 16 salas contam com dois fiscais e um aplicador, que foram treinados para evitar esse tipo de problema.

Ao ter acesso à prova do lado de fora, os estudantes ligados ao DCE que optaram por não fazer o exame, decidiram boicotar quem estava dentro do colégio. Com um megafone, eles liam as questões e solicitavam aos alunos que não respondessem às perguntas da prova.

"Eu até vim disposto a fazer a prova direito, mas, quando cheguei, vi que as questões eram ridículas, a parte geral era totalmente política. A abordagem deles das novas mídias, no caso da prova de jornalismo, é rasa e deturpada", contou o estudante Marcos Vinícios Lacerda, que preferiu sair mais cedo da prova.

Neste ano, a UNE (União Nacional dos Estudantes) não decidiu pelo boicote ao Enade, como fez nos últimos dois anos. De acordo com o presidente da entidade, Augusto Chagas, algumas reivindicações da organização foram atendidas pelo governo, que alterou o sistema de avaliação das instituições.

"A nossa crítica tinha a ver com a implementação do conjunto do Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior). O projeto era muito mais complexo e, na nossa opinião, o Ministério da Educação vinha divulgando dados com timidez, que mais confundia do que dava resultados. Eles fazia ranking das instituições baseado na nota dos estudantes", disse.

Segundo Chagas, a partir deste ano foram implementadas mudanças como o questionário com os estudantes a respeito da faculdade que cursa e outros elementos para avaliar a própria universidade. "Então, resolvemos dar um voto de confiança, não fazendo o boicote."

Mas os argumentos não convenceram os integrantes do DCE, que alegam não terem sido informados sobre o fim do boicote e continuam considerando que a prova é uma forma de avaliação apenas do desempenho dos estudantes. Segundo Jerônimo Pinto, o boicote também foi uma forma de mostrar a "desorganização" e o "desleixo" na aplicação do Enade.

 

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