Educação
09/11/2009 - 17h38

Estudante expulsa da Uniban diz ter sido hostilizada na rua e teme nova agressão

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MARINA NOVAES
da Folha Online

A estudante Geisy Arruda, 20, expulsa da Uniban (Universidade Bandeirante) neste fim de semana após ter sido hostilizada por usar um vestido curto, afirmou nesta segunda-feira que seu maior objetivo é voltar a estudar e concluir, pelo menos, o primeiro semestre do curso de turismo. Vestida com uma calça comprida, a universitária afirmou estar perplexa com a punição e disse já ter sido xingada nas ruas após o caso tornar-se conhecido.

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Rubens Cavallari/Folha Imagem
A estudante Geisy Arruda e o advogado Nehemias Melo; advogado entrará com ação para que aluna conclua o semestre na Uniban
A estudante Geisy Arruda e o advogado Nehemias Melo; advogado entrará com ação para que aluna conclua o semestre na Uniban

"Eu não quero afrontar ninguém, não quero causar constrangimento, se for necessário em nem desço no intervalo, eu só quero estudar", afirmou Geisy, que admitiu que poderá pedir a transferência do curso para outra universidade. "Pela minha segurança, eu pretendo escolher outra faculdade. Por medo", disse.

Hoje, os advogados de Geisy afirmaram que irão entrar com um pedido à Justiça para que ela possa concluir o semestre na universidade. Além disso, o caso será investigado pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), que instaurou um inquérito para investigar o ocorrido.

A Uniban publicou anúncio em jornais de São Paulo deste domingo (8) em que afirma ter decidido expulsar a aluna. Ela afirmou ter sido comunicada pela imprensa.

Medo

Geisy afirmou sentir medo de sofrer novas agressões, e disse ainda já ter sido hostilizada nas ruas após o vídeo com o tumulto ser divulgado na internet.

"Eu saio nas ruas e algumas pessoas me apoiam, mas outras falam 'olha lá, aquela...' e completam com aquilo que me chamaram. As pessoas me ofendem e nem me conhecem", afirmou.

Ao justificar a expulsão, a Uniban afirmou que a aluna já havia sido advertida anteriormente sobre o modo que se vestia, o que a estudante nega. "Nunca, de forma alguma. Se tivesse sido advertida, teria indo embora na hora", disse.

Segundo a universitária, ela sempre se vestiu com roupas curtas, mas nunca havia enfrentado problemas como estes. "O problema não é a roupa, são os alunos. Quando isso aconteceu, eu fiquei 40 minutos no ônibus [no caminho para a universidade] e ninguém tentou passar a mão em mim."

Apesar de temer ser hostilizada novamente, a estudante disse que não mudará a maneira como se veste. "Eu não vou mudar o jeito que eu sou. Eu respeito todo mundo e exijo ser respeitada. Nenhuma mulher merece passar por uma coisa dessas", disse.

Comentários dos leitores
Jose Manuel T.Graner (2) 25/11/2009 21h43
Jose Manuel T.Graner (2) 25/11/2009 21h43
Após do inacreditavel episodio de intolerancia, preconceito e ignorancia, que os estudantes da tal universidade protagonizaram, fico espantado ao verificar tantas opiniões condenando e desmerecendo a moça em questão, quando o problema não é nem ela nem o vestido nem o que eventualmente pretendia. o problema são vocês brasileiros, hipocritas e fascistas. VOCÊS NÃO VÃO ENTENDER. É MUITA IGNORANCIA!!! INACREDITAVEL
No final das contas, a uniban é o reflexo da triste educação que temos recebido e que nos manten neste nivel de idiotice
sem opinião
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Fernando Teles (7) 21/11/2009 00h44
Fernando Teles (7) 21/11/2009 00h44
Daniele, a garota não se promoveu ou premeditou nada. E não tinha em mente a exposição de um certo TALENTO quando o episódio ocorreu. É simplesmente, como foi pontuado por você, o modo como os eventos ganham destaque na nossa mídia. Já fizeram até música sobre a estudante. O mais importante é que nosso país discuta a censura que foi colocada em prática pela UNIBAN. Não interessa se a garota é uma coitada ou não. Ela é antes de mais nada uma cidadã. E, se o que ocorreu com ela for considerado normal e justo, estaremos automaticamente atestando a aplicação dessa norma para todos os casos futuros de mulheres que se vestem como querem em outras instituições que reunem um número considerável de indivíduos. Ninguém precisa gostar do modo como ela se veste ou achá-la bonita. Ela não é o aspecto mais importante desse episódio, apenas uma personagem que optou por uma indumentária que atraiu a atenção de outras pessoas. E é esse incômodo que merece mais reflexão. Se é permitido a um grupo de pessoas manifestar sua indignação em relação a algo que não gostam daquela forma, então qualquer crítica a qualquer comportamento daqui pra frente é válida. Hoje é um vestido, amanhã uma opinião, no dia seguinte a cor da pele. Valores são mutáveis, e por isso mesmo existem para serem questionados e não seguidos a risca. Pense nisso. 13 opiniões
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Ernesto Lyderis (1) 19/11/2009 12h46
Ernesto Lyderis (1) 19/11/2009 12h46
Infelizmente nossa nação conta com pessoas que ao invés de empenhar-se em algo útil e inteligente, optam pelas banalidades da vida - e ainda somos obrigados a receber informações desta natureza. 8 opiniões
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