Educação
10/11/2009 - 16h36

Repercussão contribuiu para que Uniban readmitisse aluna, diz vice-reitor

Publicidade

ANDRÉ MONTEIRO
da Folha Online

O vice-reitor da Uniban (Universidade Bandeirante), Ellis Brown, admitiu na tarde desta terça-feira que a repercussão negativa sobre o caso da aluna hostilizada por usar um vestido curto contribuiu para que a universidade desistisse de expulsar a estudante Geisy Arruda, 20.

UNE comemora e atribui revogação de expulsão a protestos
Quarta maior universidade do país, Uniban investe na classe C
MEC suspende pedido de explicações feito à Uniban
Estudante expulsa da Uniban diz ter sido hostilizada na rua

Rubens Cavallari-9.nov.09/Folha Imagem
A estudante Geisy Arruda, 20, hostilizada por usar um vestido curto; Uniban recuou e desistiu de expulsar a aluna de turismo
A estudante Geisy Arruda, 20, hostilizada por usar um vestido curto; Uniban recuou e desistiu de expulsar a aluna de turismo

"A decisão da mudança, em parte, foi provocada pela repercussão negativa do caso. Não há como dizer que não teve influência", afirmou o vice-reitor em entrevista concedida na tarde de hoje, no campus da Uniban em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), onde o caso ocorreu.

O vice-reitor, entretanto, negou que o conselho universitário tenha se precipitado ao expulsar a estudante. Segundo ele, o órgão apenas cumpriu o regimento da universidade. "À luz da repercussão, o conselho foi corajoso em seguir o seu processo regimental", disse. Brown disse que a publicação do resultado da sindicância em jornais de São Paulo não era previsto no regimento, mas que a Uniban devia uma respostas à sociedade. "Não pretendemos ter que fazer isso novamente", disse.

O vice-reitor afirma que a decisão de revogar a expulsão de Geisy e a suspensão de dez alunos que teriam começado os xingamentos no dia 22 foi uma mudança de paradigma, que deixou de ser disciplinar para ser uma "ação educativa". "Uma forma de conduzir este processo é disciplinar. Outra é educativa, mais complexa, mas mais efetiva."

Sobre o fato da a sindicância ter identificado apenas dez pessoas em meio a grande quantidade de alunos envolvidos no tumulto, Brown afirma que elas foram identificadas por colegas, em um processo da sindicância que regressou até chegar aos que iniciaram o tumulto. O motivo da expulsão, segundo o vice-reitor, foi sua "postura, não o comprimento do vestido".

"Milhares de alunas usam maquiagem e vestido curto todos os dias e isso nunca aconteceu. Mas não vou comentar sua postura, não quero alimentar atitudes revanchistas."

Na ocasião da expulsão, a Uniban informou ter havido "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade" por parte da aluna. Nesta terça, Brown disse que a sindicância instaurada para apurar o caso indicou que o motivo do "alvoroço foi a postura que a aluna teria tomado".

Geisy foi xingada nos corredores da universidade no último dia 22 por usar um microvestido rosa. O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. A estudante, que está no primeiro ano do curso de turismo, parou de frequentar as aulas desde então e foi expulsa no último fim de semana.

Nesta segunda-feira (9), porém, a reitoria da universidade divulgou uma nota desistindo da expulsão da jovem, sem justificar os motivos da nova medida.

Ontem, os advogados da aluna procuraram a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) para pedir a abertura de um inquérito policial sobre o caso. O inquérito foi instaurado e, ainda segundo os advogados, há indícios de que tenha havido sete crimes: difamação, injúria, ameaça, constrangimento ilegal, cárcere privado, ato obsceno e incitação ao crime.

Comentários dos leitores
Miguel Nunes (3) 27/11/2009 17h09
Miguel Nunes (3) 27/11/2009 17h09
Estea comentário sobre a aluna da Uniban, faz-me refletir sobre o tempo em que queimavam as pessoas por terem opiniões diferentes as suas.Isto, assim como documentários que ressaltam o bom lado dos nazistas por exemplo, faz aqueles que tem um lado mau mais aflorado, achar que existem pessoas como eles, fazendo-os assim procurar estas pessoas e barbarizar tudo e todos, inclusive as leis. Pessoas tem cérebros massificados, por não terem a oportunidade de terem recebido uma orientação simples, se o errado é por ali, então desviam-nos e vamos por aqui. Todos erramos, sem exceção, é no erro que nos redimimos e nos elevamos para um estágio superior,essa é a meta.Um artesão que termina uma obra na centésima marretada, não é esta que justificou a obra, mas sim as cem primeiras.Criticar sem justificar a mesma, não tem fundamento.Pessoas sem o menor critério de julgamento, são escolhidas para condenar atitudes normais de uma sociedade que até hoje, não atigiu a normalidade.A esta menina nos resta apenas torcer, pois dignidade, simplicidade e honestidade ela tem, requisitos fundamentais para uma mulher e cidadã, que luta e sempre lutará, não só pelos direitos delas, mas de toda uma sociedade. sem opinião
avalie fechar
RODRIGO CAMPOA (1) 27/11/2009 15h34
RODRIGO CAMPOA (1) 27/11/2009 15h34
EU li uma materia que dizia que a uniban, era voltada para o publico c, e ,d, pelo jeito, os alunos da tal faculdade , quando terminaren os seu cursos, en ves de subir na escala social, vao e deser pra classe , e , f , g, h, até viraren reitor da dita cuja faculdade, se e que me entende,!!!!, hahahahaha 2 opiniões
avalie fechar
Mery Haffner (1) 27/11/2009 13h39
Mery Haffner (1) 27/11/2009 13h39
Pobre do país que mantém uma criatura como essa na mídia por tanto tempo. Como se não houvesse nada de mais relevante pra ser debatido e comentado. A imprensa e as pessoas desprovidas de bom senso são as responsáveis por Geisys, Stephanys e outras porcarias por aí.
Como diz o Simão, este é mesmo o país da piada pronta.
4 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (886)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca