Uniban transfere turma de aluna hostilizada e diz que ela terá seguranças
ANDRÉ MONTEIRO
da Folha Online
O vice-reitor da Uniban, Ellis Brown, garantiu na tarde desta terça-feira que a estudante Geisy Arruda, 20, hostilizada por usar um vestido curto no dia 22, terá seguranças caso seja apresentado algum risco quando ela voltar a estudar no campus da universidade em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo).
Após expulsão, Uniban promove palestra de Suplicy sobre formação
Repercussão contribuiu para que Uniban readmitisse aluna, diz vice-reitor
Mas, por medida da universidade, Geisy não deve voltar a circular pelo prédio onde foi xingada pelos colegas e teve que sair coberta e escoltada pela polícia. Segundo Brown, a classe da aluna, do primeiro ano de turismo, foi transferida do prédio com rampas para um outro, em frente. Alunos da universidade afirmaram que ela teria "desfilado" pelas rampas antes do tumulto.
No anúncio em que decidiu expulsar a universitária --revogado nesta segunda-feira (9)-- a Uniban afirmou que "no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior do que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma explícita, os apelos dos alunos".
"Não se pretende criar um ambiente de patrulhamento ostensivo, mas se for necessário ela terá seguranças", disse Brown. O vice-reitor também afirmou que a mudança da turma de Geisy foi consentida pelos alunos, e que no prédio novo Geisy terá um clima "mais demonstrado e agradável".
Sobre as as vaias dos alunos da universidade para o protesto que condenava a expulsão da aluna nesta segunda (9), Brown disse que a atitude era legítima.
"Esses alunos se revoltaram porque foram colocados como bandidos. Não podemos permitir que se pense que os 60 mil alunos desta instituição sejam coniventes com este tipo de ação e que sejam enxovalhados por causa disso. Ninguém aqui quer o massacre de ninguém, nem os alunos querem. O que eles querem é um ponto final nessa história de que aluno da Uniban é taleban."
Inquérito
Geisy foi xingada nos corredores da universidade no último dia 22 por usar um microvestido rosa. O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. Ontem, os advogados da aluna procuraram a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) para pedir a abertura de um inquérito policial sobre o caso.
O inquérito foi instaurado e, ainda segundo os advogados, há indícios de que tenha havido sete crimes: difamação, injúria, ameaça, constrangimento ilegal, cárcere privado, ato obsceno e incitação ao crime.
Outras notícias da editoria de Cotidiano
- Comissão do Senado aprova 14º salário para professores de escolas públicas
- OAB divulga novas normas para o exame da instituição
- Eleição da USP é adiada após bloqueio de manifestantes
Especial
- Veja o que existe em arquivo sobre a Uniban
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria

