Educação
11/11/2009 - 10h08

Após tumulto na Uniban, atriz vai a faculdades com microvestido e irrita garotas

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da Folha de S.Paulo

Atualizado em 12/11/2009 às 20h28.

No cara a cara, a resposta para "onde é o banheiro?" é bastante cordial. "Vire à esquerda, depois daquela coluna", explica um estudante de direito da USP (Universidade de São Paulo), no largo São Francisco (na região central de SP).

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Mas é só a moça de vestido curto virar as costas para o jovem sussurrar entre os amigos: "Puta! Puta! Puta!".

Rafael Hupsel/Folha Imagem
Atriz vai a faculdades com microvestido e irrita garotas e intimida garotos
Atriz vai a faculdades com microvestido e irrita garotas e intimida garotos

A cena aconteceu na manhã de terça-feira, quando a atriz Fábia Gouvêa, 35, visitou quatro faculdades a convite da Folha, trajando um vestido provocante --curto nas pernas e com tecido fino, que evidenciava a ausência de sutiã.

Em todas elas (FMU, Universidade Ibirapuera, Pontifícia Universidade Católica e Universidade de São Paulo), pipocaram piadinhas (discretas e à distância) em referência ao já manjado caso de Geisy Arruda, 20, aluna de turismo hostilizada na Uniban quando foi à aula em microvestido, no fim de outubro.

"Xiii, só pode ser aluna da Uniban", ironizou uma garota na PUC, referindo-se ao caso da garota Geisy Arruda.

Na FMU, Fábia pergunta sobre a qualidade dos cursos a uma turma na cantina. "Eles foram atenciosos, falaram bem da faculdade", relata. Mas foi só ela sair dali para uma das alunas fulminar... "Gente, ela deve ter vindo prospectar freguesia", diz uma aluna. Todos riem.

Não que os olhares tortos só tenham vindo pelas costas. "Os caras ficaram mais intimidados, olham discretamente. Mas muitas meninas me encararam feio, me mediram", relata.

Um pouco mais à frente, mais tensão --três garotas olham a atriz, que responde com o olhar. De novo, é só virar as costas para começarem os comentários. "Isso é roupa de vir à faculdade?"

No largo São Francisco, um cartaz com referência ao caso Uniban é assinado pelo "P.U.T.A. - Partido Ultra Tradicionalista das Arcadas". Ele convoca "todas as franciscanas a virem de minivestido" e diz lutar pelo "direito feminino de frequentar a faculdade (...) até mesmo sem roupa".

Um segurança, ao perceber a presença do fotógrafo em direção à moça, a aborda e a orienta: "Você não pode fotografar aqui, mas pode vir com a roupa que quiser. Tem meninas com vestidos muito piores que o seu".

Uniban

No último dia 22, a estudante Geisy Arruda, 20, da Uniban foi hostilizada por usar um microvestido rosa. O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. Ontem, os advogados da aluna procuraram a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) para pedir a abertura de um inquérito policial sobre o caso.

O vice-reitor da Uniban, Ellis Brown, garantiu na tarde de ontem que a estudante terá seguranças caso seja apresentado algum risco quando ela voltar a estudar no campus da universidade em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). Inicialmente, a universidade decidiu expulsar a aluna, mas revogou a decisão.

Um inquérito foi instaurado e, ainda segundo os advogados, há indícios de que tenha havido sete crimes: difamação, injúria, ameaça, constrangimento ilegal, cárcere privado, ato obsceno e incitação ao crime.

Comentários dos leitores
Jose Manuel T.Graner (2) 25/11/2009 21h43
Jose Manuel T.Graner (2) 25/11/2009 21h43
Após do inacreditavel episodio de intolerancia, preconceito e ignorancia, que os estudantes da tal universidade protagonizaram, fico espantado ao verificar tantas opiniões condenando e desmerecendo a moça em questão, quando o problema não é nem ela nem o vestido nem o que eventualmente pretendia. o problema são vocês brasileiros, hipocritas e fascistas. VOCÊS NÃO VÃO ENTENDER. É MUITA IGNORANCIA!!! INACREDITAVEL
No final das contas, a uniban é o reflexo da triste educação que temos recebido e que nos manten neste nivel de idiotice
sem opinião
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Fernando Teles (7) 21/11/2009 00h44
Fernando Teles (7) 21/11/2009 00h44
Daniele, a garota não se promoveu ou premeditou nada. E não tinha em mente a exposição de um certo TALENTO quando o episódio ocorreu. É simplesmente, como foi pontuado por você, o modo como os eventos ganham destaque na nossa mídia. Já fizeram até música sobre a estudante. O mais importante é que nosso país discuta a censura que foi colocada em prática pela UNIBAN. Não interessa se a garota é uma coitada ou não. Ela é antes de mais nada uma cidadã. E, se o que ocorreu com ela for considerado normal e justo, estaremos automaticamente atestando a aplicação dessa norma para todos os casos futuros de mulheres que se vestem como querem em outras instituições que reunem um número considerável de indivíduos. Ninguém precisa gostar do modo como ela se veste ou achá-la bonita. Ela não é o aspecto mais importante desse episódio, apenas uma personagem que optou por uma indumentária que atraiu a atenção de outras pessoas. E é esse incômodo que merece mais reflexão. Se é permitido a um grupo de pessoas manifestar sua indignação em relação a algo que não gostam daquela forma, então qualquer crítica a qualquer comportamento daqui pra frente é válida. Hoje é um vestido, amanhã uma opinião, no dia seguinte a cor da pele. Valores são mutáveis, e por isso mesmo existem para serem questionados e não seguidos a risca. Pense nisso. 13 opiniões
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Ernesto Lyderis (1) 19/11/2009 12h46
Ernesto Lyderis (1) 19/11/2009 12h46
Infelizmente nossa nação conta com pessoas que ao invés de empenhar-se em algo útil e inteligente, optam pelas banalidades da vida - e ainda somos obrigados a receber informações desta natureza. 8 opiniões
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