Pedagogia a distância tem mais candidatos que curso da USP
FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo
Lançado há um ano sob críticas, o curso de pedagogia a distância do governo estadual e da Unesp terá na capital paulista uma concorrência superior ao da USP, que é presencial.
De acordo com os dados fechados ontem, para cada vaga do curso a distância haverá 15,8 candidatos. No último vestibular da USP, foram 7,7.
As aulas do curso, que integra a Univesp (Universidade Virtual de SP), começarão no ano que vem. O vestibular ocorre em 6 de dezembro.
O programa a distância oferece vagas apenas para professores que já atuam nas escolas públicas ou privadas de ensino infantil ou fundamental. O curso da USP é aberto a qualquer aluno formado no ensino médio.
Considerando a média geral no Estado, a concorrência do curso cai para 5,9; no da USP é de 7,5; a média nacional é 1,3 (cursos presenciais em universidades públicas e privadas).
Para o secretário de Ensino Superior, Carlos Vogt, "os dados mostram uma resposta interessante a essa iniciativa, que ainda causa certa desconfiança em algumas pessoas".
O presidente da Adunesp (sindicato dos docentes da Unesp), Antônio Luis de Andrade, diz ser cedo para avaliar a eficácia do programa.
"Precisamos ver durante a graduação a evasão e a repetência, grandes problemas dessa modalidade", disse Andrade.
Críticas
Os cursos a distância foram um dos pontos criticados pelos grevistas universitários neste ano, movimento que durou quase dois meses e atingiu a USP, Unesp e Unicamp.
Para eles, a Univesp é um projeto que a gestão José Serra (PSDB) criou apenas para melhorar os índices de pessoas com ensino superior, sem que os cursos tenham qualidade.
O ideal, defendem, é ampliar a rede por meio dos cursos tradicionais (presenciais).
O governo afirma que o modelo é a melhor forma de expandir as vagas no ensino superior, com a qualidade das universidades públicas do Estado.
No curso de pedagogia a distância da Unesp, 60% da carga horária será dada via internet. Outros 40% serão em atividades presenciais, em um dos 22 polos do Estado. O curso tem duração de três anos.
Apesar de considerar que a procura pelas 1.350 vagas foi alta, a Secretaria de Ensino Superior admite que algumas delas poderão ficar ociosas.
Isso porque em 2 das 22 regiões onde há polos, há menos de um candidato por vaga (em Rosana e Ilha Solteira).
Em outras regiões também poderão sobrar vagas, uma vez que haverá nota de corte no exame --há o risco de não existirem candidatos aptos em quantidade suficiente para ocupar todas as vagas.
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