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Exame do Cremesp reprova 56% de estudantes de medicina
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ANDRÉ MONTEIRO
da Folha Online
Atualizado às 16h48.
Pelo terceiro ano consecutivo, a maioria dos estudantes que vão se formar em medicina no Estado de São Paulo foram reprovados no exame do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). Neste ano, de 621 estudantes que prestaram o exame, 56% foram reprovados. Para o conselho, o índice comprova a precariedade do ensino de medicina no Estado.
Veja questões que estudantes mais erraram
Atualmente, 31 instituições formam cerca 2.600 médicos todos os anos em São Paulo. Além de não ser obrigatório, o conselho afirma que muitas faculdades e estudantes boicotam o exame, realizado há cinco anos. Mesmo assim, o Cremesp considera o número de participantes significativo, já que representa 25% dos alunos que cursam o último ano do curso.
Entre os conhecimentos avaliados em nove áreas da medicina, o pior desempenho dos estudantes ocorreu em clínica médica, que reúne os conhecimentos básicos do atendimento aos pacientes. "Lamentavelmente essa prova mostra que naquilo que as escolas deveriam melhor treinar o indíviduo que vai ser um médico, um especialista, nós temos resultados piores. Geralmente na clínica médica, nas áreas relacionadas à emergência, as portas de entrada para um médico recém-formado no país", afirma Bráulio Luna Filho, coordenador do exame.
| Arte/Folha Online | ||
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Para Luna Filho, a má formação dos médicos é um problema que pode ser sentido também no aumento do número de denúncias de erro médico recebidas pelo conselho. Segundo o coordenador, em 1993 foram recebidas cerca de 1.400 denúncias, número que aumentou para 4.500 neste ano.
"O problema é crônico no Brasil. Mas a má formação do médico não é só um problema para a classe, pois quem é atendido pelo médico que não tem uma qualidade adequada é o cidadão", afirma o presidente da entidade, Henrique Carlos Gonçalves.
"Não temos dúvidas de que existe problema. Nos últimos cinco anos, sistematicamente cerca de 60% dos alunos têm sido reprovados em uma prova que avalia se eles sabem aquilo que eles deveriam saber. É uma prova de dificuldade média a fácil, é uma prova diferente de uma prova de competição, de concurso", afirma Luna Filho.
Para o presidente, cabe ao Ministério da Educação tomar uma atitude e rever a política que permitiu a abertura de diversas universidades sem qualidade à partir de 1996. Os problemas vão desde currículos problemáticos a professores sem titulação e falta de espaço para o ensino prático da profissão, invariavelmente feito em hospitais. "Se precisássemos tomar uma atitude enérgica hoje, mais da metade das faculdades de medicina deveriam ser fechadas."
Além disso, o Cremesp defende a criação de uma lei que torne obrigatória a realização de um exame de avaliação em todo o país, sem o qual os médicos não poderiam exercer a profissão, nos moldes do exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Atualmente, a única vantagem do estudante que se submete ao exame é um certificado.
Boicote
Estudantes das principais universidade públicas do Estado boicotaram o exame neste ano. Dos 175 alunos do sexto ano da USP (Universidade de São Paulo), apenas 18 participaram. Nenhum dos cem alunos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) participou.
Segundo Luna Filho, os estudantes argumentam que o Cremesp não tem autonomia para realizar uma avaliação externa, e que, caso ocorresse, deveria ser feita ao longo do curso e não no último ano. Eles dizem também que, antes de avaliar, é necessário promover a melhora das condições das escolas de medicina.
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