Educação
06/12/2001 - 11h00

Resumão/história - Coronelismo, enxada e voto

JOÃO BONTURI
especial para a Folha de S.Paulo

Chefes políticos, proprietários de terras, senhores do bem e do mal, os coronéis são figuras marcantes na história e na literatura brasileiras.

Os coronéis fazendeiros não eram militares de carreira, pertenciam à Guarda Nacional, milícia cidadã, da qual teoricamente faziam parte todos os eleitores. No Império (1822-1889), o voto era censitário (baseado na renda), só uma elite votava.

Os fazendeiros adquiriam legalmente a patente de coronel, que lhes dava o direito de constituir tropas provisórias em caso de conflito. Dessa forma, controlavam também a polícia, seu instrumento predileto para abusar do poder.

Na República Velha (1889-1930), o presidente Campos Sales (1898-1902) criou a "política dos governadores", dando forma às relações sociopolíticas dentro dos limites do "é dando que se recebe". Esse quadro deu início a uma cadeia de favores, que se estendia desde o relacionamento entre o presidente da República e os governadores dos Estados até o relacionamento entre os coronéis e os trabalhadores rurais. Assim, num encadeamento autoritário, as decisões deveriam ser acatadas em todos os níveis para que as reivindicações fossem atendidas.

Sem uma legislação que os protegesse, os trabalhadores rurais, por concessão dos coronéis, residiam dentro das fazendas e recebiam um ordenado miserável. Em troca disso, aceitavam o "voto de cabresto", elegendo os candidatos apoiados pelo patrão. Durante a República Velha, a votação não era secreta, o que permitia a constatação do voto pelos membros da mesa eleitoral. Os desobedientes sofriam desde uma advertência verbal até o castigo físico, além de correrem o risco da perda do emprego e da moradia.

Portanto os trabalhadores rurais, elos mais fracos da corrente, nunca exprimiram o seu real pensamento político.

Até 1930, embora as instituições fossem democráticas no país, nenhuma eleição podia ser considerada séria.
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João Bonturi é professor de história do colégio Singular e do cursinho Singular-Anglo e colunista da Folha Online

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