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ONG inicia projeto para incentivar hábito de leitura no Brasil
RICARDO MIGNONEda Folha Online, em Brasília
Você já ouviu falar em analfabetismo? Claro que sim. Mas e analfabetismo "funcional"? É muito provável que não. Analfabeto "funcional" é aquela pessoa que sabe ler, no entanto, limita-se a entender somente textos muito simples. Esses indivíduos tem dificuldade, por exemplo, de compreender textos com parágrafos longos.
É para reduzir o analfabetismo funcional que o Instituto Brasil Leitor, organização não-governamental sediada em São Paulo, está implantando o projeto "Nação Leitora". A iniciativa, apresentada hoje à imprensa pela primeira vez, consiste em estabelecer parcerias com o poder público, área privada, sociedade e entidades como sindicatos, igrejas, clubes escolas de samba, com o objetivo de difundir o hábito de leitura no território brasileiro.
O próprio instituto já conta com 21 bibliotecas públicas próprias. A meta .e chegar a uma biblioteca em cada um doa mais de cinco mil municípios do país. Até agosto deste ano, o Brasil Leitor pretende concluir a elaboração de uma política nacional de leitura, sob a forma de um "Livro Verde", que será encaminhado aos poderes Executivo e Legislativo.
Além da criação de bibliotecas, outro ação proposta pelo instituto por meio do projeto "Nação Leitora" é incentivar a reserva de um período do horário de trabalho das empresas destinado à leitura de livros pelos trabalhadores. "Isto já é feito com sucesso em vários países e pode ser reproduzido no Brasil", disse Willian Nacked, um dos dirigentes do Instituto Brasil Leitor.
Segundo Nacked, já foram formadas parcerias com várias empresas, entre elas quatro administradoras de cartões de crédito, seis bancos e quatro seguradoras. Ele não quis revelar os nomes das empresas, mas afirmou que elas representam 70% do mercado financeiro nacional.
Entre as maiores dificuldades para o incentivo à leitura, Nacked citou a cultura da não-leitura enraizada nas famílias, o hábito de ler por obrigação usado pelas escolas, os preços dos livros e a falta da leitura por prazer. Segundo Willian Nacked, 96% dos frequentadores de bibliotecas públicas são estudantes.
De acordo com dados fornecidos pela secretaria nacional do Livro e da Leitura, órgão do ministério da Cultura, a taxa média dos analfabetos "funcionais" entre os sete países mais ricos do mundo, que compõem o G7, está em torno de 20%. O secretário, Ottaviano de Fiore, disse que nem todos os países realizaram um censo para apurar a taxa desse tipo de analfabetismo, inclusive o Brasil.
No entando, ele estima que a taxa de analfabetos "funcionais" por aqui esteja próxima à 60%, próxima do Chlie, que tem uma taxa de 62%. Entre os países desenvolvidos, os melhores índices pertencem à Suécia e à Alemanha, ambas com 14% de analfabetos.
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