25/03/2002
-
15h17
da Revista da Folha
O feitiço virou contra a Feiticeira. O corpão de Mr. Universo exibido por Joana Prado em "Casa dos Artistas 2" revelou como o exagero pode pôr a perder o que era de bom tamanho. Não se sabe se por excesso de exercícios (o que ela diz) ou de anabolizantes (o que se suspeita), as curvas perfeitas da dançarina foram soterradas por toneladas de músculos. Ficou, como se diz, além da conta.
Joana, 25, pode ser o exemplo mais recente -e gritante-, mas certamente não é o único. A obsessão pela beleza perfeita tem gerado caras plastificadas por muito estica-e-puxa, infladas por preenchedores ou paralisadas por mililitros de botox, além de corpos turbinados com silicone e bomba ou forjados por lipoaspiração e dietas suicidas.
"As pessoas perderam os limites, estão exagerando em tudo o que se refere a beleza, atrás de uma fantasia alimentada também por revistas especializadas. Por falta de discernimento, olham a mulher da capa, cujas imperfeições não vêem, e querem ser iguais", afirma o cirurgião plástico Helton Traber Castilho.
São raros os plenamente satisfeitos com o visual -mesmo quem está com tudo em cima sempre tem algo que gostaria de ver melhorado. Mas a verdade é que algumas regiões do planeta parecem se incomodar mais com as imperfeições físicas do que outras. Uma pesquisa feita pela marca de cosméticos Avon revela que as mulheres da América Latina -brasileiras incluídas- são as campeãs de descontentamento.
Segundo o levantamento, 35% das latino-americanas (contra 14% das européias) têm problemas com o físico e apenas 56% declaram que nunca fariam uma cirurgia plástica. Parece bastante? Esse percentual é de 66% na América do Norte, cresce para 75% na Europa e chega a 87% entre as moradoras da região da Ásia/Pacífico. "O brasileiro tem uma motivação grande para cuidar da imagem, porque é um povo jovem e bonito, o clima é quente, e o corpo está sempre em evidência", acredita o cirurgião plástico Juarez Avelar.
Junte insatisfação com a própria imagem, alguns dos melhores cirurgiões plásticos do mundo e técnicas dermatológicas das mais modernas e fica fácil entender por que o Brasil é o campeão mundial em cirurgias plásticas (350 mil em 2000, segundo os últimos números disponíveis) ou por que as maiores empresas de cosméticos do mundo estão fazendo a festa no mercado nacional.
Os mais otimistas acreditam, porém, que os excessos atuais têm um lado bom. "Não tenho dúvida de que o exagero está gerando uma mudança de mentalidade. O caso da Feiticeira causou uma repercussão muito grande no meio do fitness. As mulheres ficaram chocadas e os homens, decepcionados, porque ninguém quer ficar daquele jeito", afirma a empresária Soraya Lopes Corona, proprietária da academia Bio Ritmo.
"Depois do 'boom' do peito grande, as coisas vão se acalmar. O silicone não vai acabar, mas as pessoas vão parar de querer fazer cirurgia plástica para ficar iguais às outras", afirma Maria Cecília Prado, jornalista especializada e autora de um livro sobre beleza. "Eu acredito na valorização de uma beleza mais natural."
Natural, "pero no mucho". "É uma beleza diferente do que foi nos anos 60, com aquela coisa de paz & amor e cabelos desgrenhados, quando as mulheres não se cuidavam nem um pouco", ressalva. "As pessoas vão continuar se cuidando, mas de outra forma. Algumas regras sempre vão prevalecer, mas o sofrimento de tentar se encaixar num padrão que não é seu vai diminuir", acha.
Mas, para os defensores da beleza natural, não adianta pintar a casa, se ela estiver suja. "Cuidar da beleza é cuidar da saúde e quem faz isso tem compromisso consigo mesmo, não exagera", afirma o cirurgião Carlos Fontana, chefe do Serviço de Queimados da Divisão de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas.
E o compromisso tem de ser para a vida toda. "As pessoas se esquecem de que a beleza é um investimento a longo prazo, que precisa ser cuidado diariamente, como a higiene dental", afirma Ala Szerman, consultora e empresária do ramo de beleza desde 1967, quando abriu um centro de ginástica em São Paulo. Quem faz isso, diz ela, tem menos problemas para envelhecer, porque as mudanças vão acontecendo de uma maneira mais suave, as correções não precisam ser radicais e seus resultados são melhores.
Beleza natural, é bom dizer, não significa abdicar de qualquer prazer ou abrir mão da infinidade de técnicas e produtos disponíveis para deixar as pessoas mais bonitas. Bruna Lombardi, 48, uma das mulheres mais lindas do país, já fez uma plástica (nas pálpebras) e comete abusos como qualquer mortal. Come pudim, frutas oleaginosas, mandioca frita e chocolate e, embora faça musculação e ioga, não é exatamente das mais assíduas.
"Estou há duas semanas sem fazer nada porque tenho trabalhado muito (na minissérie 'O Quinto dos Infernos', da Rede Globo), mas às vezes não faço nada porque não quero mesmo. Tenho uma coisa meio baiana, sou uma gatinha vira-lata", diz.
Mas é claro que, mesmo que a genética seja privilegiada, não dá para abrir mão de algumas coisas básicas e, nesse ponto, Brunas e Marias são iguais.
Sabendo usar
Qualquer receita de beleza, todo mundo sabe, inclui dieta, atividades físicas, cuidados com pele e cabelo, tratamentos dermatológicos e -por que não?- cirurgia plástica. Mas tudo usado de forma moderada e constante.
"É como uma poupança diária", compara Ala Szerman, que há mais de dez anos adota tratamentos dermatológicos. Já usou fios de ouro e colágeno para diminuir os vincos e toxina botulínica para suavizar as rugas. Plástica mesmo, demorou para fazer, apesar de ter "mais de 60 e menos de 70 anos". A única, segundo ela, foi há oito meses (minilifting e pálpebras).
"Nem parece que fiz. As pessoas me olham e acham que passei uma semana no spa relaxando, e por isso estou com o rosto mais leve. É assim que deve ser uma cirurgia", diz ela.
Na "poupança diária", hábitos simples como limpar e hidratar a pele e não dormir com maquiagem são regras básicas para manter o viço por mais tempo. Quando -e se- chegar a hora da plástica, o que o cirurgião precisará fazer é recuperar a musculatura ou a pele flácida, preservando a fisionomia e a expressão da pessoa.
"Plástica funciona como qualquer outra especialidade, é preciso haver um diagnóstico. Puxar, cortar, esticar e costurar é fácil, só que todo mundo fica com a mesma cara ou com uma cara que não é sua. O segredo é devolver os mesmos contornos que a pessoa tinha", diz Carlos Fontana, do HC.
Com lipoaspiração é a mesma coisa. O especialista precisa detectar se há um problema real e se ele é passível de correção.
Não há uma idade certa para fazer a primeira cirurgia plástica, por isso a importância de um diagnóstico correto e a intervenção na medida certa. "Nada impede que uma mulher mais jovem faça uma pequena correção. Quanto mais cedo, melhor a recuperação da pele e menos visíveis serão as mudanças. Além disso, fazendo antes dos 50, a pessoa vai ter mais tempo para vivenciar o resultado", diz Juarez Avelar.
Exercícios
Malhar não deve ter como objetivo apenas o físico. "Quem trabalha vaidade vai ter apenas isso. É preciso fazer da atividade física um entretenimento e não uma obsessão", diz Soraya Corona, da Bio Ritmo.
Suar a camisa para definir o corpo e ganhar musculatura pode ser um caminho sem volta, se isso foi conseguido à custa de anabolizantes. Outra forma de passar da medida é perder os limites, viciar no treinamento, principalmente se o malhador juntar propensão genética e uso de suplementos alimentares que aceleram o ganho de músculos.
"Quanto mais, melhor, pensam as pessoas que estão nesse ritmo", diz Alexandre La Torre, coordenador de musculação da Cia. Athletica no Morumbi. "Quem está ao redor nota, mas a pessoa custa a perceber os resultados e continua em busca de um objetivo que já foi atingido."
O processo é conhecido como síndrome de Adônis (herói grego famoso por sua beleza). "A pessoa olha para o corpo no espelho e, por mais forte e bem definido que esteja, ela se vê fraca e sem músculos", diz Fernanda Lima, chefe do Departamento de Medicina Esportiva do HC.
A boa notícia para quem passou do ponto -desde que não tenha tomado bomba- é que dá para voltar ao "normal" sem perder todos os benefícios conquistados. Perder, nesse caso, é mais fácil do que ganhar, mas é preciso diminuir a frequência, a intensidade das atividades e privilegiar a parte cardiovascular.
Parar, nem pensar. Além do mal-estar que a falta de exercícios pode gerar, a combinação de ganho de gordura com excesso de musculatura pode deformar o corpo. Perder músculo muito rápido também faz a pele ganhar estrias e flacidez.
Só diminuir o levantamento de peso não é suficiente. É preciso aliar uma dieta pobre em suplementos protéicos artificiais como a caseína (presente no leite, mas em baixa quantidade), a albumina (ovo, idem) e a creatina (em carnes, principalmente peixe). "A ingestão diária precisa ser 500 calorias menor", recomenda a nutricionista da USP, Flávia Abdallah, especializada em medicina esportiva.
Flávia diz que pessoas assim, que têm a condição física de atletas, podem perder até 3 kg de massa magra (músculos) apenas diminuindo a atividade e mudando a alimentação. "Isso acontece porque o músculo não recebe mais nutriente e também não tem mais o estímulo mecânico."
Dieta
Atingir o peso ideal e não sofrer com a balança não é tarefa impossível, mesmo para quem não é Carolina Ferraz (que come de tudo) ou Bruna Lombardi (que controla a alimentação sem sacrifícios).
Mas não há milagre, é preciso haver equilíbrio e evitar algumas delícias engordativas. Uma boa dieta inclui fibras, grãos, cereais, carboidratos e pouca gordura. Mas atenção para a boa notícia: "Quem está em forma e faz uma dieta equilibrada de segunda a sexta pode escorregar sem culpa no fim de semana e ainda manter o peso. É claro que, na segunda-feira, é preciso voltar com força total", diz a nutricionista.
A dica é uma injeção de ânimo para quem acredita que a beleza também tem a ver com prazeres mais mundanos, como Bruna, que defende a tese de que todo mundo tem direito a cinco pecados, ou Ala Szerman, que não sabe bater papo sem uma cerveja.
"A rainha mãe costumava tomar uns tragos com os funcionários da realeza britânica. E olha que mulher saudável e bonita ela é aos 101 anos", diz.
(Colaborou Paulo Sampaio)
Leia mais:
Conheça a rotina de mulheres bonitas que não exageram nas dietas
Veja como ter uma dieta equilibrada
Moderação é a chave para evitar overdose de dietas e plásticas
Publicidade
MARILIZ PEREIRA JORGEda Revista da Folha
O feitiço virou contra a Feiticeira. O corpão de Mr. Universo exibido por Joana Prado em "Casa dos Artistas 2" revelou como o exagero pode pôr a perder o que era de bom tamanho. Não se sabe se por excesso de exercícios (o que ela diz) ou de anabolizantes (o que se suspeita), as curvas perfeitas da dançarina foram soterradas por toneladas de músculos. Ficou, como se diz, além da conta.
Joana, 25, pode ser o exemplo mais recente -e gritante-, mas certamente não é o único. A obsessão pela beleza perfeita tem gerado caras plastificadas por muito estica-e-puxa, infladas por preenchedores ou paralisadas por mililitros de botox, além de corpos turbinados com silicone e bomba ou forjados por lipoaspiração e dietas suicidas.
"As pessoas perderam os limites, estão exagerando em tudo o que se refere a beleza, atrás de uma fantasia alimentada também por revistas especializadas. Por falta de discernimento, olham a mulher da capa, cujas imperfeições não vêem, e querem ser iguais", afirma o cirurgião plástico Helton Traber Castilho.
São raros os plenamente satisfeitos com o visual -mesmo quem está com tudo em cima sempre tem algo que gostaria de ver melhorado. Mas a verdade é que algumas regiões do planeta parecem se incomodar mais com as imperfeições físicas do que outras. Uma pesquisa feita pela marca de cosméticos Avon revela que as mulheres da América Latina -brasileiras incluídas- são as campeãs de descontentamento.
Segundo o levantamento, 35% das latino-americanas (contra 14% das européias) têm problemas com o físico e apenas 56% declaram que nunca fariam uma cirurgia plástica. Parece bastante? Esse percentual é de 66% na América do Norte, cresce para 75% na Europa e chega a 87% entre as moradoras da região da Ásia/Pacífico. "O brasileiro tem uma motivação grande para cuidar da imagem, porque é um povo jovem e bonito, o clima é quente, e o corpo está sempre em evidência", acredita o cirurgião plástico Juarez Avelar.
Junte insatisfação com a própria imagem, alguns dos melhores cirurgiões plásticos do mundo e técnicas dermatológicas das mais modernas e fica fácil entender por que o Brasil é o campeão mundial em cirurgias plásticas (350 mil em 2000, segundo os últimos números disponíveis) ou por que as maiores empresas de cosméticos do mundo estão fazendo a festa no mercado nacional.
Os mais otimistas acreditam, porém, que os excessos atuais têm um lado bom. "Não tenho dúvida de que o exagero está gerando uma mudança de mentalidade. O caso da Feiticeira causou uma repercussão muito grande no meio do fitness. As mulheres ficaram chocadas e os homens, decepcionados, porque ninguém quer ficar daquele jeito", afirma a empresária Soraya Lopes Corona, proprietária da academia Bio Ritmo.
"Depois do 'boom' do peito grande, as coisas vão se acalmar. O silicone não vai acabar, mas as pessoas vão parar de querer fazer cirurgia plástica para ficar iguais às outras", afirma Maria Cecília Prado, jornalista especializada e autora de um livro sobre beleza. "Eu acredito na valorização de uma beleza mais natural."
Natural, "pero no mucho". "É uma beleza diferente do que foi nos anos 60, com aquela coisa de paz & amor e cabelos desgrenhados, quando as mulheres não se cuidavam nem um pouco", ressalva. "As pessoas vão continuar se cuidando, mas de outra forma. Algumas regras sempre vão prevalecer, mas o sofrimento de tentar se encaixar num padrão que não é seu vai diminuir", acha.
Mas, para os defensores da beleza natural, não adianta pintar a casa, se ela estiver suja. "Cuidar da beleza é cuidar da saúde e quem faz isso tem compromisso consigo mesmo, não exagera", afirma o cirurgião Carlos Fontana, chefe do Serviço de Queimados da Divisão de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas.
E o compromisso tem de ser para a vida toda. "As pessoas se esquecem de que a beleza é um investimento a longo prazo, que precisa ser cuidado diariamente, como a higiene dental", afirma Ala Szerman, consultora e empresária do ramo de beleza desde 1967, quando abriu um centro de ginástica em São Paulo. Quem faz isso, diz ela, tem menos problemas para envelhecer, porque as mudanças vão acontecendo de uma maneira mais suave, as correções não precisam ser radicais e seus resultados são melhores.
Beleza natural, é bom dizer, não significa abdicar de qualquer prazer ou abrir mão da infinidade de técnicas e produtos disponíveis para deixar as pessoas mais bonitas. Bruna Lombardi, 48, uma das mulheres mais lindas do país, já fez uma plástica (nas pálpebras) e comete abusos como qualquer mortal. Come pudim, frutas oleaginosas, mandioca frita e chocolate e, embora faça musculação e ioga, não é exatamente das mais assíduas.
"Estou há duas semanas sem fazer nada porque tenho trabalhado muito (na minissérie 'O Quinto dos Infernos', da Rede Globo), mas às vezes não faço nada porque não quero mesmo. Tenho uma coisa meio baiana, sou uma gatinha vira-lata", diz.
Mas é claro que, mesmo que a genética seja privilegiada, não dá para abrir mão de algumas coisas básicas e, nesse ponto, Brunas e Marias são iguais.
Sabendo usar
Qualquer receita de beleza, todo mundo sabe, inclui dieta, atividades físicas, cuidados com pele e cabelo, tratamentos dermatológicos e -por que não?- cirurgia plástica. Mas tudo usado de forma moderada e constante.
"É como uma poupança diária", compara Ala Szerman, que há mais de dez anos adota tratamentos dermatológicos. Já usou fios de ouro e colágeno para diminuir os vincos e toxina botulínica para suavizar as rugas. Plástica mesmo, demorou para fazer, apesar de ter "mais de 60 e menos de 70 anos". A única, segundo ela, foi há oito meses (minilifting e pálpebras).
"Nem parece que fiz. As pessoas me olham e acham que passei uma semana no spa relaxando, e por isso estou com o rosto mais leve. É assim que deve ser uma cirurgia", diz ela.
Na "poupança diária", hábitos simples como limpar e hidratar a pele e não dormir com maquiagem são regras básicas para manter o viço por mais tempo. Quando -e se- chegar a hora da plástica, o que o cirurgião precisará fazer é recuperar a musculatura ou a pele flácida, preservando a fisionomia e a expressão da pessoa.
"Plástica funciona como qualquer outra especialidade, é preciso haver um diagnóstico. Puxar, cortar, esticar e costurar é fácil, só que todo mundo fica com a mesma cara ou com uma cara que não é sua. O segredo é devolver os mesmos contornos que a pessoa tinha", diz Carlos Fontana, do HC.
Com lipoaspiração é a mesma coisa. O especialista precisa detectar se há um problema real e se ele é passível de correção.
Não há uma idade certa para fazer a primeira cirurgia plástica, por isso a importância de um diagnóstico correto e a intervenção na medida certa. "Nada impede que uma mulher mais jovem faça uma pequena correção. Quanto mais cedo, melhor a recuperação da pele e menos visíveis serão as mudanças. Além disso, fazendo antes dos 50, a pessoa vai ter mais tempo para vivenciar o resultado", diz Juarez Avelar.
Exercícios
Malhar não deve ter como objetivo apenas o físico. "Quem trabalha vaidade vai ter apenas isso. É preciso fazer da atividade física um entretenimento e não uma obsessão", diz Soraya Corona, da Bio Ritmo.
Suar a camisa para definir o corpo e ganhar musculatura pode ser um caminho sem volta, se isso foi conseguido à custa de anabolizantes. Outra forma de passar da medida é perder os limites, viciar no treinamento, principalmente se o malhador juntar propensão genética e uso de suplementos alimentares que aceleram o ganho de músculos.
"Quanto mais, melhor, pensam as pessoas que estão nesse ritmo", diz Alexandre La Torre, coordenador de musculação da Cia. Athletica no Morumbi. "Quem está ao redor nota, mas a pessoa custa a perceber os resultados e continua em busca de um objetivo que já foi atingido."
O processo é conhecido como síndrome de Adônis (herói grego famoso por sua beleza). "A pessoa olha para o corpo no espelho e, por mais forte e bem definido que esteja, ela se vê fraca e sem músculos", diz Fernanda Lima, chefe do Departamento de Medicina Esportiva do HC.
A boa notícia para quem passou do ponto -desde que não tenha tomado bomba- é que dá para voltar ao "normal" sem perder todos os benefícios conquistados. Perder, nesse caso, é mais fácil do que ganhar, mas é preciso diminuir a frequência, a intensidade das atividades e privilegiar a parte cardiovascular.
Parar, nem pensar. Além do mal-estar que a falta de exercícios pode gerar, a combinação de ganho de gordura com excesso de musculatura pode deformar o corpo. Perder músculo muito rápido também faz a pele ganhar estrias e flacidez.
Só diminuir o levantamento de peso não é suficiente. É preciso aliar uma dieta pobre em suplementos protéicos artificiais como a caseína (presente no leite, mas em baixa quantidade), a albumina (ovo, idem) e a creatina (em carnes, principalmente peixe). "A ingestão diária precisa ser 500 calorias menor", recomenda a nutricionista da USP, Flávia Abdallah, especializada em medicina esportiva.
Flávia diz que pessoas assim, que têm a condição física de atletas, podem perder até 3 kg de massa magra (músculos) apenas diminuindo a atividade e mudando a alimentação. "Isso acontece porque o músculo não recebe mais nutriente e também não tem mais o estímulo mecânico."
Dieta
Atingir o peso ideal e não sofrer com a balança não é tarefa impossível, mesmo para quem não é Carolina Ferraz (que come de tudo) ou Bruna Lombardi (que controla a alimentação sem sacrifícios).
Mas não há milagre, é preciso haver equilíbrio e evitar algumas delícias engordativas. Uma boa dieta inclui fibras, grãos, cereais, carboidratos e pouca gordura. Mas atenção para a boa notícia: "Quem está em forma e faz uma dieta equilibrada de segunda a sexta pode escorregar sem culpa no fim de semana e ainda manter o peso. É claro que, na segunda-feira, é preciso voltar com força total", diz a nutricionista.
A dica é uma injeção de ânimo para quem acredita que a beleza também tem a ver com prazeres mais mundanos, como Bruna, que defende a tese de que todo mundo tem direito a cinco pecados, ou Ala Szerman, que não sabe bater papo sem uma cerveja.
"A rainha mãe costumava tomar uns tragos com os funcionários da realeza britânica. E olha que mulher saudável e bonita ela é aos 101 anos", diz.
(Colaborou Paulo Sampaio)
Leia mais:

