Equilíbrio
11/10/2001 - 19h25

Bicho de estimação ajuda criança a conversar e a conviver

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da Folha Online

"Mãe, eu quero um cachorro!". Foi depois deste pedido que "Luck" chegou à casa de Ana Paula Marra, 7, e de Marcelo Marra, 9, que, além do poodle, têm também dois esquilos da Mongólia (hamsters) e um peixe. "Todo mundo tinha cachorro e eles também queriam. Comprei um e foi a melhor coisa que fiz porque eles adoram", diz a secretária Rita Marra, 36, mãe do casal.

Folha Imagem
Marcelo e Ana Paula Marra
Além de serem ótimas companhias, capazes de entreter as crianças por horas, os bichinhos de estimação ajudam no desenvolvimento delas, segundo especialistas. Se os pais aproveitarem a presença dos animais para ensinar aos filhos conceitos como amizade, respeito e responsabilidade, a convivência tem tudo para se tornar muito mais que amizade e diversão.

"A relação entre o animal e a criança é sempre positiva", diz Hannelore Fuchs, médica veterinária, psicóloga e coordenadora do projeto Pet Smile -grupo que usa os animais com finalidade educativa e terapêutica em creches e hospitais.

No princípio, a idéia de misturar animais e crianças em tratamento causaram estranheza à médica Zélia Maria de Andrade, que trabalha no setor de hemodiálise pediátrica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), mas os resultados fizeram com que ela mudasse de idéia. "As crianças se distraem, se integram e se tranquilizam com a presença deles. Foi uma maravilha", diz.

Papel dos pais

Mas em casa, para que o relacionamento seja bem-sucedido, a criança precisa do apoio da família. "Se o sistema não ajudar, a família vai ter problemas com o animal. Se a criança quer e os pais compram contra a vontade, o bicho entra numa situação de conflito. No primeiro tapete roído a criança será cobrada", diz Hannelore.

A presença constante do animal faz com que a criança se sinta apoiada, aprenda a fazer e a receber carinho, a ter respeito pelas "coisas vivas" e a assumir responsabilidades.

"O animal ensina que é frágil e que precisa de cuidado. Pode também ajudar na relação com os outros e com os próprios pais porque abre um canal de comunicação com novas perspectivas", afirma Hannelore.

Exemplo

Interatividade é o que pretende provocar a professora Mônica Andersen, 34, entre seu filho Téo, 6, e "Thor", um filhote de labrador que passará a fazer parte da família no final de semana do Dia das Crianças.

"Vai ser diferente porque os únicos bichos que ele teve foram peixinhos, com os quais não podia interagir, mas o cachorrinho vai ser um amigão. Ele nem imagina [que vai ganhar um cão] porque para essa data foram feitos outros pedidos, mas decidi surpreendê-lo", afirma.

A professora diz vai aproveitar a presença de Thor para ensinar ao filho conceitos e tarefas. "Quero passar a idéia de fazer as coisas no horário certo, alimentar, limpar, além da troca afetiva. Como ele é filho único, isso faz falta. Tudo o que ele aprende é em relação a ele. Não sei se o Téo tem a idéia de que os outros precisam de cuidado. Será uma maneira de observar e de aprender", diz.

Os animais de estimação também têm a capacidade de ajudar as crianças que têm dificuldade de relacionamento. Para Hannelore, quem se comunica bem com os bichos, se comunica bem com as pessoas.

"A criança fechada lucra muito porque entra num 'diálogo' com alguém que não contesta, que sabe ouvir e não precisa falar. Só funciona pelo toque e pela presença. O animal se transforma numa âncora, num pólo de segurança. Ela consegue dele o apoio social que não tinha", afirma.

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