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27/06/2002 - 07h40

Consciência corporal ajuda a distribuir tensão e melhorar postura

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CAROLINA CHAGAS
free-lance para a Folha

Conhecer os limites e as possibilidades do próprio corpo. Reeducar os movimentos. Apropriar-se dos gestos. Viver em paz em sua casa, seu corpo. Essas são algumas das máximas de psicólogos, bailarinos, fisioterapeutas, médicos e outros profissionais que resolveram mergulhar em músculos, ossos e nervos e conquistar a tão falada consciência corporal.

Esses profissionais redirecionam no corpo as tensões de quem os procura para que o movimento passe a ser harmônico, preciso e, principalmente, queime a energia necessária -e somente ela- para ser completado.

"Nossa sensibilidade tende a ser neutralizada pela vida louca que levamos. Mas, quando tomamos consciência do que acontece no nosso corpo, quebramos esse processo e passamos a ser mais expressivos, mais aptos a nos relacionar. É como passar a enxergar depois de anos de cegueira", define Ana Terra, 37, coordenadora e professora do curso de dança e movimento da faculdade Anhembi-Morumbi, em São Paulo.

Com diferenças sutis, eutonia, Pilates, rolfing, Alexander e Feldenkrais são métodos cujo principal objetivo é fazer com que seus alunos conheçam e, consequentemente, protejam melhor o corpo em que vivem.

Apreensivos com a repentina moda de consciência corporal, que acaba colocando no mesmo barco profissionais bem preparados e conscientes e outros nem tanto, os seguidores desses métodos passaram, desde meados dos anos 90, a usar a palavra educação somática para definir o grupo de sequências de toques e exercícios que ajudam uma pessoa a redescobrir a rota certa de seus movimentos.

Coincidentemente ou não, nessa mesma época a disciplina educação somática, com aulas teóricas e práticas sobre os métodos, passou a constar do programa de universidades de dança no Canadá, nos Estados Unidos, na Itália e no Brasil.

"É um processo de educação porque, além de ser um constante aprendizado de encontro do melhor gesto, todos os métodos pressupõem a presença de um professor/orientador que vai perceber o aluno e fazer com que ele reconquiste um movimento esquecido", afirma a fisioterapeuta Mariângela Bessa Villafranca, 50.

Presidente da Associação Feldenkrais do Brasil e professora do curso Corpo e movimento, do gesto ao verbo, do Laboratório de Estudos da Personalidade da Universidade de São Paulo, a psicóloga Márcia Martins, 50, vai além. "Por meio de um trabalho qualitativo, fruto de muita pesquisa, o aluno será levado a conhecer a própria sensibilidade, a desenvolvê-la e a refinar todo um repertório de movimentos", diz.

Segundo o coreógrafo, professor e um dos maiores pesquisadores do corpo no Brasil, Ivaldo Bertazzo, o homem é o único animal do planeta que não pode ligar os movimentos no piloto automático. Para se manter na Terra, o ser humano conquistou a posição vertical e, com ela, passou a se relacionar com um mundo à sua frente. Como se não bastassem essas conquistas, o homem ainda é dotado de intelecto e capacidade de raciocínio. "Esse sistema todo acaba trazendo conflitos que roubam a sensação do corpo do indivíduo. Coisa que um gato, com sua pequena capacidade de raciocínio, nunca perde", esclarece Bertazzo.

Professor da Universidade Federal de São Paulo, o especialista em medicina esportiva e fisiologia do exercício Paulo Zogaib, 45, concorda com o coreógrafo. "O problema do homem é que ele é um ser associativo. Com a prática, os exercícios são automatizados e passam a ser coordenados pelo cerebelo, área do cérebro responsável pelo movimento não voluntário. As sensações, no entanto, muitas vezes devolvem os movimentos ao córtex, região que regula as nossas vontades, e aí começam os problemas", explica Zogaib. Ou seja, a pessoa passa a não realizar os movimentos como deveria.

Segundo ele, do ponto de vista do movimento apreendido, é inadmissível que um jogador de futebol bem treinado como a maioria que chega a uma seleção mundial perca um pênalti. "Diante da bola, no meio daquela torcida imensa, o atacante associa aquele gol a dinheiro, a fama e até a sucesso entre as mulheres que ele vai conquistar. Assim, aquele movimento certeiro que ele conhece de cor deixa de ser automático e leva a bola para fora da rede."

O excesso de informação visual, a poluição sonora e até mesmo o trânsito são apontados por Márcia Martins como fatores que nos tiram do eixo. "Está comprovado que o nosso organismo tem mecanismos para isolar todo esse caos que nos envolve em uma cidade como São Paulo, mas isso tem um preço, pago em alguns casos pelo corpo", afirma ela.

É na prevenção desses e de outros bloqueios que atuam os métodos de consciência corporal. "Eles são uma maneira de "reinformar" o corpo de posturas e alinhamentos corretos para que ele volte a ser harmônico", explica Márcia Cintra, 42, fisioterapeuta com formação em rolfing.

Uma pessoa consciente de seu corpo, além de aceitar suas limitações, também busca extrair dos ossos, das articulações e dos músculos tudo o que eles podem render. "Além de virar uma pessoa mais calma, eu, que vivia caindo e machucado, nunca mais me estourei", conta o administrador de empresas Bruno de Oliveira, 36, que fez as sessões de holfing há cinco anos e agora faz manutenção todo ano.

"Ter um eixo, uma boa base, traz um bem-estar físico e uma enorme sensação de segurança", acrescenta Gabriela Bal, 41, eutonista há mais de 18. "Além disso, alguém que tem consciência de seu corpo na hora da ação experimenta leveza e coordenação especiais a cada movimento", constata Paula Lopes, artista plástica com formação na técnica Alexander.

Essa conquista, porém, é fruto de um trabalho de médio a longo prazo. Sobre a escolha do melhor método, a médica osteopata Silvia Kon, 42, acredita que não existe um que seja superior a outro.

"Cada pessoa tem uma questão individual e vai se adaptar melhor a esse ou àquele método. O grande mérito de todos eles é equilibrar o paciente e colocá-lo melhor no espaço", diz Kon.

Os benefícios dessa nova percepção do corpo e dos movimentos, muitas vezes, levam a pessoa a se interessar por técnicas psicoterápicas. "Da mesma forma que um processo de análise pode levar uma pessoa a querer aperfeiçoar a consciência corporal", afirma Neusa Sauaia, 47, supervisora do curso de psicoterapia junguiana coligada a técnicas corporais do Instituto Sedes Sapientiae.

"Tanto o trabalho físico quanto o mental têm a mesma função: corrigir um desequilíbrio daquela pessoa. Vai depender da forma como o desequilíbrio se expressar e do tipo de ajuda que ela resolver procurar. Tanto uma angústia quanto uma dor no corpo são formas de expressar um desequilíbrio", explica.

Apesar de não ter procurado o método Pilates para resolver nenhum problema físico específico, a advogada Juliana Mendes da Cunha, 35, diz hoje até pensar em fazer análise. "Quando você começa a cuidar de si mesmo, percebe como esse processo é gostoso e traz uma melhora em todos os departamentos de sua vida, e aí dá vontade de mergulhar mais fundo."

Onde praticar

  • Escola de Reeducação do Movimento Ivaldo Bertazzo: oferece aulas que estimulam uma ampliação da consciência corporal e da autonomia do movimento para alunos de todas as idades (tel. 0/xx/11/3865-4780).

  • Associação Brasileira de Rolfistas: oferece atendimento individual e sessões com grupo de três clientes a preços mais baixos (tel. 0/xx/11/3887-0670).

  • Associação Feldenkrais do Brasil: para informações sobre o método (tel. 0/xx/11/5083-0226).

  • Centro de Ginástica Postural Angélica: aula de Pilates (Tel. 0/xx/11/3129-4765).

  • Estúdio Nova Dança-Vila: oferece Pilates, eutonia e Alexander (tel. 0/xx/11/3032-3497).

  • Centro de Terapias Manuais: oferece eutonia e osteopatia (tel. 0/xx/ 11/3031-9380).

    Leia mais:

  • Conheça os benefícios proporcionados pela consciência corporal

  • Saiba quais são as técnicas para alcançar a consciência corporal

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