Equilíbrio
25/11/2002 - 15h08

Livro classifica 484 formas de beijar

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FERNANDA MENA
da Folha de S.Paulo

Um beijo nunca é igual ao outro, para o bem ou para o mal. Num tempo em que é prática comum entre os mais atirados beijar primeiro e conhecer o dono da boca depois ou mesmo competir com amigos para ver quem beija mais em uma balada, o beijo mais casual ainda é algo poderoso: são minutinhos (segundinhos até) que fazem o resto do mundo desaparecer.

Quem já experimentou, pode apostar que quer repetir. Quem nunca sentiu na boca a boca de alguém, ou seja, quem é BV (boca virgem), em geral quer deixar de sê-lo o quanto antes.

Tanto para iniciantes como para beijoqueiros de carteirinha, chega às livrarias em dezembro "Dossiê do Beijo: 484 Formas de se Beijar", do jornalista Pedro Paulo Carneiro, que não revela a idade.

Desde o seu primeiro beijo, há 12 anos, Carneiro ficou obcecado pelo assunto. "Pesquiso tudo sobre isso. Já fiz mais de 16 mil entrevistas com gente de todos os Estados brasileiros e de diversos países do mundo", revela.

Para classificar 484 beijos, Pedro Paulo desenvolveu uma técnica: discriminá-los de acordo com a pressão, a respiração, a salivação, a posição da língua, a profundidade e o gestual.
"Já experimentei todos", gaba-se.

Ciência e poesia

Sob a ótica científica, um beijo parece algo bem pouco interessante: a justaposição anatômica dos dois músculos orbiculares da boca no estado de contração, que promove o aumento das batidas do coração e a troca de água, sais, gorduras e cerca de 250 vírus e bactérias diferentes. Eca!
"Beijar é vencer a barreira do pudor e da repugnância já que há contato de fluídos", explica a psicóloga Lídia Aratangy.

Nojeiras à parte, sentir o gosto da pessoa de quem você está afim e receber dela a manifestação de carinho implícita em um beijo certamente é a maneira mais gostosa de pegar um germe. Mesmo que ninguém chegue a pensar nisso quando está beijando.

Abordagem mais adequada do beijo foi a do poeta romântico inglês Percy Bysshe Shelley (1792-1822): "As almas se encontram nos lábios dos enamorados".

"Existe uma mística do beijo, que está rodeado de romantismo e de expectativas. O beijo coloca duas pessoas em contato, desperta seus corpos e é preparatório para o sexo", explica Lídia.

No entanto Carneiro suspeita de que o primeiro beijo seja uma prova ainda mais complicada que a primeira transa. "O primeiro beijo, em geral, tem platéia. A primeira transa, não."

Cultura do beijo
As primeiras evidências da existência da prática do beijo datam de 1500 a.C. e estão nos templos de Khajuraho, na Índia, em imagens de casais se beijando. No entanto o cientista Charles Darwin, em sua teoria da evolução das espécies, afirma que a origem dessa carícia é mais antiga: trata-se de uma sofisticação das mordidas que os macacos trocavam em seus rituais pré-sexuais.

De alguma forma, cada cultura acolheu e desenvolveu a prática do beijo à sua maneira. Hoje em dia, a diferença entre um beijinho no Japão, na Rússia e na Espanha, por exemplo, é enorme. Os japoneses ainda consideram o beijo em público um ato obsceno, os russos usam as bitocas para cumprimentar -seja homem com homem, seja homem com mulher, seja mulher com mulher- e os espanhóis, por mais que adorem um amigo que encontram, quase nunca o beijam.

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