Equilíbrio
05/12/2002 - 04h35

Concentração aumenta eficácia na hora de fazer exercício

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KATIA DEUTNER
free-lance para a Folha de S. Paulo

Ouvir música durante a malhação ou aproveitar o tempo gasto em esteiras e aparelhos de musculação para assistir ao noticiário da TV são cenas comuns em academias. Mas, se a intenção é obter os melhores resultados dos exercícios, esses hábitos devem ser abandonados. Focar-se nos exercícios e nas posturas corretas faz parte do treinamento.

Para que o corpo reaja a novas condições cardiorrespiratórias e musculares, um bom programa de treinamento físico requer o conhecimento dos limites da pessoa.

Segundo o especialista em medicina esportiva e fisiologia do movimento Paulo Zogaib, do hospital Sírio Libanês (SP), é a quebra do equilíbrio corporal que estimula o organismo a ganhar massa muscular e a queimar calorias, por exemplo.

É aí que entra a importância da concentração. "Focar significa recrutar as unidades motoras mais adequadas para o exercício ter precisão e eficácia", diz o especialista em medicina esportiva Turíbio Leite de Barros Neto, da Unifesp.

Quanto maior o foco na atividade e na parte do corpo que está sendo trabalhada, maior o benefício. E vice-versa: quanto menor a concentração, menor a reposta corporal. Isso é válido principalmente para musculação, alongamento, exercícios de coordenação motora e qualquer atividade que envolva movimentos não automatizados.

"A hora do exercício é um momento que a pessoa reserva para se cuidar. Os problemas devem ficar fora da aula. Malhar estressado, sem prestar atenção, só traz prejuízos", diz a coordenadora de ginástica Cris Tosta, da academia Reebok (SP).

E os prejuízos vão da ineficácia, o "fazer por fazer", até as lesões musculares. "O praticante deve se concentrar para realizar o movimento com o gesto motor adequado, senão pode até se machucar", alerta Barros Neto.

Mas o nível de concentração exigido depende da atividade. Andar em uma esteira, com velocidade e carga constantes, por exemplo, não exige muito rigor na atenção.

É possível até ler ao mesmo tempo, porque a repetição do exercício já condicionou o cérebro. É o que acontece com uma criança ao aprender a andar.

A dificuldade inicial é colocar um pé na frente do outro, mantendo o equilíbrio para não cair. À medida que vai repetindo esse movimento, a criança não precisa mais se concentrar e passa a caminhar de forma automatizada.

Esse raciocínio vale para outras atividades físicas. Ao aprender uma nova postura ou um exercício, é necessário se concentrar, estando com a atenção totalmente voltada para o corpo, colocando o braço na posição correta, a perna no ponto certo. Com a repetição do movimento, o cérebro fica condicionado, o que permite a automatização dos impulsos musculares.

Isso não significa, porém, que é desnecessário prestar atenção ao exercício depois de aprender a fazê-lo corretamente. "Sentar na bicicleta desconcentrado e de qualquer jeito, por exemplo, pode prejudicar a articulação e a coluna. É muito importante manter a postura ereta; se quiser ler uma revista, a pessoa deve colocá-la em um painel para não ficar curvada", explica Tosta.

Mas o que atrapalha mesmo é o exagero. Escutar música ambiente durante uma aula de ginástica, por exemplo, não prejudica a atenção e pode aumentar o pique. De acordo com Zogaib, dependendo do volume e da qualidade, "o som até estimula a concentração, permitindo que a pessoa faça esforço sem sentir cansaço".

Já os shows que certas academias promovem são prejudiciais para algumas pessoas. Ficar exposto a uma seleção de videoclipes ou a músicas em volume muito alto, por exemplo, pode fazer o praticante se desconcentrar.

Outro problema é misturar performance de DJs, ruídos comuns de uma aula de ginástica (pés batendo no chão para marcar o ritmo, por exemplo) e conversa entre alunos. "A poluição sonora incomoda, e o momento do exercício tem de trazer uma sensação de bem-estar, de prazer", afirma Barros Neto.
 

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