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03/04/2003 - 04h16

Psoríase atinge 4 milhões de pessoas no Brasil

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VINICIUS CARRASCO
free-lance para a Folha de S.Paulo

Quando o analista de crédito Fabiano Baer, 24, portador de psoríase, estende a mão para pagar uma passagem de ônibus, por exemplo, não raro se depara com o olhar desconfiado do cobrador. "As pessoas ficam com receio de pegar a doença. Sinto que agem com preconceito", diz. Baer é um dos aproximadamente 4 milhões de brasileiros que, segundo a Associação Nacional dos Portadores de Psoríase (Psorisul), são portadores da doença.

A psoríase, porém, não é contagiosa. "Além disso, muitos a confundem com alergias, lepra, manifestações da Aids ou outras doenças", diz a presidente da Psorisul, Gladis Lima. "A discriminação existe por falta de informação", completa Luci Helena Grassi, presidente da APVPESP (Associação dos Portadores de Vitiligo e Psoríase do Estado de São Paulo).

Doença inflamatória crônica, a psoríase é caracterizada por lesões róseas ou avermelhadas na pele que, geralmente, possuem bordas externas delimitadas ou um halo esbranquiçado, explica o dermatologista Cid Yazigi Sabbag, diretor do CBP (Centro Brasileiro de Psoríase).

Segundo o médico, ocorre também o aparecimento de escamas secas e espessas, de aparência e dimensão variáveis -podem ser parecidas com gotas (psoríase gutata), vermelhas, elevadas e inflamadas (psoríase numular ou em placas) ou atingir o couro cabeludo e as unhas (psoríase ungueal). A doença também pode causar uma vermelhidão generalizada pelo corpo, com escamações mais finas (psoríase eritrodérmica). "É mais comum que a doença se manifeste em regiões de extensão, flexão e dobras, como cotovelos e joelhos", explica Sabbag.

Jesus Rodrigues Santamaria, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, diz que "a manifestação da psoríase se dá pela hiperproliferação das células da epiderme, e é isso que causa as lesões". As causas da doença ainda são desconhecidas, mas a literatura médica indica que ela pode estar associada a fatores hereditários.

"Cerca de 30% dos portadores relatam casos na família", diz a dermatologista Sandra Tajtelbaum. É o que acontece com a professora Araçari de Paula Rodrigues Monteiro, 42. "Minha avó tinha no corpo todo", diz. Ela e a filha de 14 anos são portadoras de psoríase.

Além da predisposição genética, acredita-se haver relação da doença com infecções, uso de medicamentos, situações de estresse e traumas emocionais. "Organicamente, tensões subjetivas funcionam como uma bombinha que pode desencadear a psoríase", diz a neuropsiquiatra Elisabete Della Rosa Pimentel.

"Quando investigamos meu passado, vi que problemas no relacionamento, o desemprego do meu pai e o estresse no trabalho acabaram influenciando o desenvolvimento da doença", afirma Baer.

Para Pimentel, quando o paciente reconhece a situação emocional que está ligada ao aparecimento dos sintomas, ele já está a um passo do controle da doença, reduzindo suas manifestações.

"Embora a psoríase não tenha cura, é perfeitamente possível controlá-la", afirma Sabbag. "Quando estamos bem, as lesões diminuem", confirma Monteiro, que procura transmitir esse pensamento à filha que, segundo ela, também convive de maneira tranquila com a doença.

 

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