Equilíbrio
21/06/2007 - 10h16

Origem da doença celíaca ainda é mistério; fique atento aos sintomas

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FLÁVIA MANTOVANI
da Folha de S.Paulo

Ainda não se sabe o que desencadeia a doença celíaca. Sabe-se que há fatores genéticos envolvidos. A doença pode demorar a ser identificada porque os sintomas podem ser confundidos com outros males. As manifestações mais comuns incluem diarréia freqüente, emagrecimento, vômitos e dor abdominal. Como o glúten danifica as vilosidades (saliências) do intestino delgado dos celíacos, eles têm deficiência na absorção de nutrientes, o que pode causar, por exemplo, anemia e osteoporose.

Há também quem não tenha sintomas clássicos como diarréia e apresente outros sinais, que vão de baixa estatura sem causa aparente a distúrbios neurológicos ou psiquiátricos (problemas de equilíbrio, esquizofrenia, depressão).

Apesar de existirem estudos que buscam um tratamento para o problema, ainda não há nada concreto. Hoje, a única solução é cortar o glúten totalmente da dieta -o que, na prática, não é fácil. "É difícil fazer o paciente aderir a essa dieta. Muitos ficam com raiva do diagnóstico por saberem que terão de mudar o hábito alimentar radicalmente", diz a nutricionista Karin Hirayama, que acaba de finalizar um estudo sobre a preparação de alimentos caseiros pelos celíacos.

No estudo, a maioria conseguiu cozinhar alimentos livres de contaminação por glúten. Mas ela descobriu também que quase todos os que transgrediam a dieta o faziam voluntariamente, e não por acidente --polvilhar com farinha de trigo a forma que faz um bolo sem glúten, por exemplo. Segundo a nutricionista, os celíacos podem ter tolerância a pequenas quantidades de glúten, mas isso varia muito e não pode ser dosado no dia-a-dia. "Por isso, a recomendação é a restrição total."

O impacto na vida social também pode ser grande. O administrador Péricles Marques, 48, evitava levar o filho Marcus Vinicius, 26, celíaco desde um ano e meio de idade, à casa de parentes e a festinhas. "Na primeira escapada alguém queria dar pão escondido para ele. Na escola, ele só comia pipoca", conta ele, que ajudou a fundar a Acelbra (Associação dos Celíacos do Brasil) e hoje é membro da diretoria da entidade.

Para Marques, a vida do celíaco ficou um pouco mais fácil. "Antigamente só tinha fécula de batata de uma marca, creme de arroz e polvilho. Hoje dá para encontrar as coisas com mais facilidade. Pedimos colaboração das empresas para que façam produtos voltados para esses pacientes."

 

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