Equilíbrio
11/10/2007 - 08h32

Pesquisas avaliam a eficácia de suplementos contra a degeneração macular

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JULLIANE SILVEIRA
Colaboração para a Folha de S.Paulo

A visão começa a ficar embaçada e as imagens ficam distorcidas. "Coisa da velhice", se pensa. De fato é, mas nem por isso não exige preocupação e busca por tratamento. A dificuldade para enxergar pode ser conseqüência da degeneração macular relacionada à idade, que atinge especialmente pessoas com mais de 60 anos e pode levar à cegueira se não for tratada.

Karime Xavier/Folha Imagem
Consumo de substâncias antioxidantes pode adiar o envelhecimento da mácula
Consumo de substâncias antioxidantes pode adiar o envelhecimento da mácula

Estima-se que aproximadamente 10% das pessoas entre 65 e 74 anos e cerca de 30% das com mais de 75 anos tenham a doença no mundo. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 2,9 milhões de pessoas com mais de 65 anos sofrem do problema no Brasil.

É o caso da aposentada Olívia Dias, 83, que começou a ter a vista embaçada há um ano. "As imagens perderam a nitidez, como se houvesse uma nuvem no meu olho direito."

A doença atinge a mácula, a área nobre e central da retina, responsável por enxergar os detalhes e as cores. Com o envelhecimento, a região recebe menos oxigênio e, para compensar essa deficiência, os vasos sangüíneos começam a se reproduzirem descontroladamente. "Eles se rompem e causam uma mancha que prejudica a visão", diz a oftalmologista Marcela Cypel, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), ao se referir a uma das categorias da doença --a forma úmida ou exsudativa.

Já na forma seca, a mácula se degenera (também pela falta de oxigênio) e forma uma cicatriz, que causa perda da visão central.

Atualmente, existem tratamentos somente para a fase úmida, que atinge a menor parcela dos pacientes, cerca de 10% dos que têm a mácula degenerada. "A forma seca interfere menos na acuidade visual e ocorre mais lentamente, mas, por não ter cura, deve ser diagnosticada o quanto antes", alerta Andréa Simões Torigoe, professora do departamento de oftalmologia do setor de retina e vítreo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Suplementos

Pesquisas têm mostrado que o consumo de substâncias antioxidantes pode adiar o envelhecimento da mácula. A mais recente, chamada de Areds 2 (sigla em inglês para pesquisa de doenças do olho relacionadas à idade), realizada com 4.519 pessoas de 60 a 80 anos, propõe que carotenóides, substâncias presentes em vegetais como os verde-escuros, diminuam a incidência de degeneração macular.

Como seria necessário ingerir quilos de verduras para obter a quantidade de nutrientes necessária para prevenir o problema, estuda-se o uso de suplementos. Os carotenóides luteína e zeoxantina, principais ativos nesses remédios, parecem prevenir a ação da luz e da oxidação nos olhos e, conseqüentemente, a degeneração da mácula. "Esses suplementos também podem prevenir a formação das drusas", acrescenta Marcela Cypel.

Os resultados definitivos dessa pesquisa serão divulgados em 2015, mas especialistas afirmam que os suplementos têm sido receitados para quem já desenvolveu o problema ou tem predisposição, como antecedentes familiares, com base em resultados parciais.

Ainda não aconselham, porém, o uso indiscriminado dos suplementos como preventivo. Eles alegam que poderia haver efeitos colaterais e, ainda, que há contra-indicações. Fumantes, por exemplo, correm riscos se ingerirem algumas formas da luteína.

Fatores de risco

Ainda que não haja causa conhecida, sabe-se que a idade é o principal desencadeador do problema e que existem outros facilitadores da degeneração macular.

Fumantes, por exemplo, têm mais propensão, uma vez que o cigarro acelera a oxidação do organismo e favorece a formação de drusas, que são acúmulos de substâncias nas camadas mais profundas da retina. As drusas são fortes indicativos de que há propensão para a degeneração macular e mostram que o metabolismo está envelhecendo e não tem mais condições de eliminar as substâncias que produz.

A exposição à luz solar também pode desencadear oxidação na mácula. Segundo Andréa Torigoe, da Unicamp, esse processo pode ocasionar morte celular na região e degenerá-la. Por isso, deve-se usar óculos de sol com proteção contra raios ultravioleta. Além disso, ela acrescenta que controlar os níveis de colesterol no sangue ajuda a evitar o problema.

Prevenção

De acordo com Rubens Belfort, oftalmologista e presidente do Instituto da Visão da Unifesp, 80% dos pacientes buscam o oftalmologista sem necessidade ou quando a degeneração macular já está avançada. Para evitar esses riscos, deve-se observar a qualidade da visão freqüentemente. "O auto-exame de retina é essencial para que a pessoa mantenha a saúde da visão em dia", diz.

É possível avaliar a saúde dos olhos no dia-a-dia. Com os óculos mais atualizados, deve-se tampar um olho e depois o outro. Primeiro, deve ser observada a qualidade da visão para distâncias maiores, como enxergar placas de carro ou ler a legenda de um filme. Também é preciso avaliar, com o mesmo procedimento, as condições dos olhos para leitura ou na execução de trabalhos manuais.

Se houver alguma alteração, como visão borrada, distorções na forma ou mancha central, é indicado consultar um oftalmologista o quanto antes.

O Instituto da Visão da Unifesp também sugere a tela de Amsler como teste, que pode ser acessada aqui.

 

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