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09/11/2007 - 20h56

Como recuperar a forma depois da gravidez

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FLÁVIA MANTOVANI
Folha de S.Paulo

Ter um filho é uma grande provação, e amamentá-lo também --ambos deixam sua marca no corpo da mãe. Depois que o bebê nasce, os músculos abdominais ficam esticados, fica difícil perder peso e os peitos podem cair ou perder a firmeza. O desfecho soa trágico, mas a solução vem em seguida: não é nada que as "modernas ferramentas da medicina" não possam consertar.

O texto, do site de uma clínica de cirurgia plástica de Los Angeles, anuncia o procedimento que é a nova moda nos EUA: os pacotes "mommy makeover" (inspirados em programas de TV de cirurgia plástica ou de reconstrução de casas), que prometem devolver "os contornos suaves de antes da gestação" às mulheres que querem acabar rapidamente com incômodos que, no tempo de nossas avós, eram considerados tão inevitáveis quanto o crescimento da barriga durante a gravidez.

Dados da Associação Americana de Cirurgiões Plásticos mostram que a procura por esses pacotes --que costumam incluir lipoaspiração, plástica no abdômen e levantada nos seios-- cresceu 11% de 2005 para 2006, cinco vezes mais do que os procedimentos de cirurgia plástica estética em geral no mesmo período.

No Brasil, a Folha não encontrou esse tipo de promoção ---apesar de as mesmas cirurgias serem feitas com freqüência em mulheres com filhos. Osvaldo Saldanha, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, diz que desconhece pacotes "mommy makeover" no país e afirma que a entidade condena esse tipo de oferta.

"É uma jogada de marketing violenta com a qual temos que ter cautela. A maior parte das mulheres que engravida volta ao corpo de antes naturalmente. As indicações de cirurgia têm que ser feitas com muito cuidado", diz, afirmando que os procedimentos devem ser feitos, no mínimo, seis meses após o parto. "É preciso esperar o corpo voltar ao normal e o peso e os hormônios se estabilizarem."

Peso extra

Mãe de Camille, 3, e de Enzo, 1, a corretora de seguros Mary Cerneviva, 27, pretendia fazer em julho deste ano uma cirurgia de aumento de mama e uma lipoaspiração. Mas seu médico a aconselhou a esperar mais para que o corpo se recuperasse da última gravidez -em que engordou 12 kg, oito a menos do que na primeira gestação.

"Tive muitos problemas com o sobrepeso e, por isso, decidi me cuidar melhor desta vez, com acompanhamento nutricional desde que engravidei. Mas, mesmo emagrecendo, ficaram uns pneuzinhos. A professora da academia disse que somem com ginástica, mas acho muito difícil", diz.

Ansiosa para caber nas roupas que usava antes da gravidez, a professora Manoela Martinho, 24, mãe de Davi, quatro meses, também buscou informações sobre lipoaspiração. O médico pediu a ela que esperasse um ano, para ver quanto consegue perder dos 23 kg que engordou --já emagreceu 13. "Estou com uma barriga que não me pertencia."

Pressão

Se em qualquer fase da vida as mulheres sofrem pressão para se manterem magras, não é no pós-parto que escapam da cobrança. "Nessa fase, o corpo fica fora dos padrões estéticos habituais, e isso tem gerado muita angústia.

Assim como o corpo muda por vários meses na gravidez, a volta depois do parto demanda tempo e paciência. Mas hoje as pessoas têm pressa para tudo", afirma a psicóloga Maria Tereza Maldonado, autora dos livros "Psicologia da Gravidez" e "Nós Estamos Grávidos" (ed. Saraiva).

O obstetra Abner Lobão Neto, chefe do ambulatório de pré-natal personalizado da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), lembra que antigamente ter um leve sobrepeso no pós-parto era tido como um sinal de que a mãe seria boa nutriz. "A ditadura do emagrecimento faz com que as mulheres que não perdem peso rápido fiquem infelizes."

"Há uma pressão grande da sociedade e dos maridos, mas a maior cobrança vem da própria paciente", observa o cirurgião plástico Luiz Victor Carneiro Jr., da clínica Ivo Pitanguy. Ele diz que os dois procedimentos mais procurados por mulheres que passaram pela maternidade são a prótese no seio e a lipoaspiração no abdômen.

"Algumas ficam com muita flacidez, mas a maior procura é daquelas mulheres que tinham um corpo bonito, não engordaram muito na gravidez, mas ficaram com um pouco de volume na barriga."

Ele diz que o ideal é esperar ter todos os filhos para não perder os resultados da plástica na gestação seguinte. "Mas tem paciente que não agüenta se olhar no espelho", diz.

Maternidade compensa

Um ano e três meses após o nascimento da filha Manuela, a atriz Gabriela Duarte, 33, acha cedo para pensar em plástica, mas afirma que não é contra. "Ainda está muito recente, não me permitiria. Mas, depois de ter filho, tem gordurinha que fica muito difícil de sair. Se um dia eu não agüentar a barriguinha, não vou ter dúvida."

Nos primeiros meses após o parto, ela engordou um pouco por causa da dieta mais calórica, voltada para a amamentação. Aos poucos, voltou a se exercitar e a controlar mais a alimentação. "Perdi peso devagar, mas não me preocupei. Sabia que quando voltasse ao trabalho emagreceria." Hoje, está 2 kg acima dos 49 kg que tinha antes de engravidar, mas se diz satisfeita. "Era outro momento e eu estava magra demais."

Exercícios

Na maioria dos casos, não é preciso recorrer a plásticas para voltar à forma. Quem engorda o recomendado pelos médicos --12 kg, no máximo-- tende a perder quase tudo naturalmente nas primeiras seis semanas.

"Se a grávida engordar 18, 20 kg, vão ficar vários quilos extras para ela perder. Mas a mulher que se cuida direito durante e após a gravidez não precisa de plástica", diz o obstetra Flávio Garcia de Oliveira, autor do livro "E Depois do Parto?" (ed. Idéia e Ação).

Para facilitar para a natureza, ele recomenda exercícios --em sua opinião, alguns podem ser feitos já no dia seguinte ao parto. "Não tem essa história de ficar dias e dias parada. É só ir devagar, fazer pequenos exercícios para os pés, o períneo, as coxas. Não estou falando de suar na academia, puxar ferro. Para atividades intensas, é preciso esperar ao menos 40 dias."

Para Oliveira, apesar de haver muita informação sobre a gravidez e os cuidados com o bebê, faltam esclarecimentos sobre a situação da mulher no pós-parto. É o que pensa a enfermeira Ana Paula Freitas, 27. "Estava preparada para tudo: a dor do parto, a cesárea... menos para ficar gorda depois. Quando me olhei no espelho, senti que não era eu", conta ela, que engordou 22 kg na gravidez de Sophia, de cinco meses.

Hoje, com a ajuda de uma nutricionista, já perdeu 12 kg. A dieta, aliás, deve ser bem controlada depois do parto, principalmente na fase de amamentação. "Para produzir leite, a mulher precisa de cerca de 500 calorias a mais por dia. Mas não precisa consumir essas 500 todas, porque no pós-parto ela já tem gordura de reserva", diz Elisa de Aquino Lacerda, professora de nutrição materno-infantil da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Em um trabalho finalizado por Lacerda em 2006, em que acompanhou 480 mulheres no pós-parto, aquelas que amamentaram perderam peso mais rapidamente do que as demais. O estudo mostrou ainda fatores que dificultam a perda de peso depois da gravidez: entre eles, estão o peso ganho na gestação (quanto mais, pior), a idade (quanto mais velha a mulher, mais difícil).

 

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