06/01/2005
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10h36
Especialistas que trabalham com humanização são unânimes em afirmar que a mudança do ambiente hospitalar traz benefícios como a redução do tempo de internação, aumento do bem-estar geral dos pacientes e funcionários e a diminuição das faltas de trabalho entre a equipe de saúde. Como conseqüência, o hospital também reduz seus gastos.
As pesquisas científicas na área, no entanto, ainda são poucas. Para reverter esse quadro, o desenvolvimento de indicadores será uma das prioridades do HumanizaSUS, programa do governo federal, e do 5º Congresso Humanização Hospitalar em Ação, a ser realizado neste ano por voluntários e profissionais de saúde.
A enfermeira Eliseth Ribeiro Leão, por exemplo, realizou uma pesquisa pela USP em que mulheres com fibromialgia --doença caracterizada por um tipo de dor crônica-- foram submetidas à apreciação de música erudita. O resultado foi uma redução significativa da dor em 90% dos casos e o aparecimento de estados compatíveis com os de relaxamento. No Hospital Samaritano, onde ela trabalha, as músicas cantadas por seu grupo de MPB, o Menestréis da Tarde, indicou a melhora no bem-estar de 97% de pacientes com câncer. 86% destacaram a importância da atitude dos músicos, apontando aspectos como carinho e gentileza.
Segundo o superintendente do hospital, José Antônio Lima, o Samaritano passou por uma reformulação em 1999, quando se assumiu o compromisso de incorporar diretrizes e projetos de humanização para funcionários e pacientes. Com as medidas, o tempo de internação médio caiu de 4,12 dias em 1999 para 3,67 em 2004.
No Hospital Municipal Mário Gatti, em Campinas (SP), a melhora foi na freqüência dos funcionários na instituição. As faltas diminuíram de uma média de 7,5% do tempo total de trabalho (com picos de 14%), para menos de 4%. A queda é atribuída ao projeto "Cuidando dos Cuidadores", voltado para esse público. No Hospital das Clínicas da Unicamp, uma pesquisa identificou mudanças no comportamento de crianças que tiveram contato com os contadores de história da Associação Viva e Deixe Viver --elas passaram a ver a situação de hospitalização de forma mais positiva e menos persecutória. Benefícios parecidos com os encontrados numa pesquisa com os Doutores da Alegria: as crianças começaram a se comunicar mais, alimentar-se melhor e a colaborar com a equipe de saúde, como mostra a psicóloga Morgana Masetti no livro "Soluções de Palhaço".
Onde estudar
Doutores da Alegria: o grupo oferece cursos de sensibilização para diversos públicos, como os para profissionais de saúde. Tel.: 0/xx/11 3061-5523; site www.doutoresdaalegria.org.br
Associação Viva e Deixe Viver: a partir de 2005, funcionará um centro de "contação de histórias", para quem quiser aprender a técnica da entidade e aplicá-la em projetos próprios. Tel.: 0/xx/11 3865-2613; site: www.vivaedeixeviver.org.br
Projeto Carmim: na sede do projeto fica a Carmim Escola Social de Arte, onde são oferecidos cursos sobre como aplicar artes plásticas em projetos sociais. Tel.: 0/xx/11 3022-2857; site: www.projetocarmim.org.br
PUC-SP: até fevereiro de 2005, estão abertas inscrições para o MBA de "Economia e Gestão das Organizações de Saúde", em que se discutem cidadania e aspectos éticos da saúde, entre outros temas. Tel.: 0/xx/11 3873-3155; site: http://cogeae.pucsp.br/lato.php
Pólos de Educação Permanente: criados pelo Ministério da Saúde, desenvolvem cursos a partir das demandas dos profissionais do SUS --o assunto mais solicitado para 2005 é humanização. Mais informações na secretaria de saúde municipal ou no Pólo de Educação da região. Site: www.saude.gov.br
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da Folha de S.PauloEspecialistas que trabalham com humanização são unânimes em afirmar que a mudança do ambiente hospitalar traz benefícios como a redução do tempo de internação, aumento do bem-estar geral dos pacientes e funcionários e a diminuição das faltas de trabalho entre a equipe de saúde. Como conseqüência, o hospital também reduz seus gastos.
As pesquisas científicas na área, no entanto, ainda são poucas. Para reverter esse quadro, o desenvolvimento de indicadores será uma das prioridades do HumanizaSUS, programa do governo federal, e do 5º Congresso Humanização Hospitalar em Ação, a ser realizado neste ano por voluntários e profissionais de saúde.
A enfermeira Eliseth Ribeiro Leão, por exemplo, realizou uma pesquisa pela USP em que mulheres com fibromialgia --doença caracterizada por um tipo de dor crônica-- foram submetidas à apreciação de música erudita. O resultado foi uma redução significativa da dor em 90% dos casos e o aparecimento de estados compatíveis com os de relaxamento. No Hospital Samaritano, onde ela trabalha, as músicas cantadas por seu grupo de MPB, o Menestréis da Tarde, indicou a melhora no bem-estar de 97% de pacientes com câncer. 86% destacaram a importância da atitude dos músicos, apontando aspectos como carinho e gentileza.
Segundo o superintendente do hospital, José Antônio Lima, o Samaritano passou por uma reformulação em 1999, quando se assumiu o compromisso de incorporar diretrizes e projetos de humanização para funcionários e pacientes. Com as medidas, o tempo de internação médio caiu de 4,12 dias em 1999 para 3,67 em 2004.
No Hospital Municipal Mário Gatti, em Campinas (SP), a melhora foi na freqüência dos funcionários na instituição. As faltas diminuíram de uma média de 7,5% do tempo total de trabalho (com picos de 14%), para menos de 4%. A queda é atribuída ao projeto "Cuidando dos Cuidadores", voltado para esse público. No Hospital das Clínicas da Unicamp, uma pesquisa identificou mudanças no comportamento de crianças que tiveram contato com os contadores de história da Associação Viva e Deixe Viver --elas passaram a ver a situação de hospitalização de forma mais positiva e menos persecutória. Benefícios parecidos com os encontrados numa pesquisa com os Doutores da Alegria: as crianças começaram a se comunicar mais, alimentar-se melhor e a colaborar com a equipe de saúde, como mostra a psicóloga Morgana Masetti no livro "Soluções de Palhaço".
Onde estudar
Doutores da Alegria: o grupo oferece cursos de sensibilização para diversos públicos, como os para profissionais de saúde. Tel.: 0/xx/11 3061-5523; site www.doutoresdaalegria.org.br
Associação Viva e Deixe Viver: a partir de 2005, funcionará um centro de "contação de histórias", para quem quiser aprender a técnica da entidade e aplicá-la em projetos próprios. Tel.: 0/xx/11 3865-2613; site: www.vivaedeixeviver.org.br
Projeto Carmim: na sede do projeto fica a Carmim Escola Social de Arte, onde são oferecidos cursos sobre como aplicar artes plásticas em projetos sociais. Tel.: 0/xx/11 3022-2857; site: www.projetocarmim.org.br
PUC-SP: até fevereiro de 2005, estão abertas inscrições para o MBA de "Economia e Gestão das Organizações de Saúde", em que se discutem cidadania e aspectos éticos da saúde, entre outros temas. Tel.: 0/xx/11 3873-3155; site: http://cogeae.pucsp.br/lato.php
Pólos de Educação Permanente: criados pelo Ministério da Saúde, desenvolvem cursos a partir das demandas dos profissionais do SUS --o assunto mais solicitado para 2005 é humanização. Mais informações na secretaria de saúde municipal ou no Pólo de Educação da região. Site: www.saude.gov.br
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