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13/01/2005 - 10h07

Academias investem em alternativas ao cloro nas piscinas

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LUANDA NERA
Free-lance para a Folha de S.Paulo

Diga adeus aos cabelos verdes --a não ser em caso de atitude fashion. No que depender das academias de ginástica, depois da prática de esportes aquáticos não sobrará mais nem o cheiro de cloro. Tendência que vem ganhando força principalmente nos centros de fitness em São Paulo e no Rio Janeiro, as piscinas salinizadas (higienizadas com sal), com ozônio e até gás carbônico estão substituindo os métodos tradicionais de tratamento de água.

Olhos vermelhos, nariz irritado, pele ressecada e cabelo danificado sempre foram queixas comuns à maioria dos freqüentadores de piscinas, principalmente as aquecidas. Quem já freqüentou um curso de natação ou hidroginástica sabe que o maiô não resiste muito tempo aos efeitos da química presente na água. É esse currículo pouco abonador que vem transformando o cloro, substância universalmente conhecida como o principal desinfetante para água, em vilão do momento nas piscinas.

"Nado há 12 anos e posso garantir que hoje as condições das piscinas são muito melhores. Não sinto cheiro forte de cloro, meus olhos não ficam irritados, meu cabelo e pele estão mais protegidos. A mulherada agradece", brinca o economista e triatleta Marcelo Lima Filho, 32, aluno da Cia. Athletica, academia paulistana que optou pelo sistema de salinização da água.

Dos vestiários para os consultórios médicos, o palavreado muda, mas o ataque ao cloro se mantém. "Quando passam a freqüentar regularmente piscinas de uso coletivo, muita gente começa a desenvolver doenças como sinusites, otites e conjuntivites com mais facilidade, principalmente bebês e crianças", diz o otorrinolaringologista Pedro Luiz Mangabeira Albernaz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O que os inimigos do cloro talvez não saibam é que o objetivo desses novos métodos não é eliminar completamente o vilão --até porque isso não seria possível. A idéia dos tratamentos alternativos é reduzir a níveis quase imperceptíveis a presença desse produto químico na água --ou então produzi-lo a partir de processos mais naturais.

No caso da salinização, o processo é simples: a água da piscina, previamente salgada com quatro gramas de sal comum por litro, passa por um processo de eletrólise, produzindo hipoclorito de sódio --um cloro ativo natural que desinfeta e destrói bactérias, algas e microorganismos sem provocar tantos efeitos colaterais. A vantagem, destaca Alberto Marques, um dos diretores da Cia. Athletica, é que esse cloro é obtido a partir de um processo natural, sem adição de resíduos químicos.

Para especialistas, porém, boa parte dos problemas enfrentados nas piscina não é bem do cloro, mas do (mau) uso que se faz dele. "Nenhum método de tratamento da água resiste à falta de cuidados. A manutenção do nível do PH é fundamental", diz o otorrino Albernaz, da Unifesp.

Outros profissionais fazem coro. "Apesar da fama ruim, não há nenhum estudo científico comprovando que o cloro faz mal à saúde. É uma substância altamente eficaz na proteção da água, seja para beber ou para nadar", defende o engenheiro químico Ricardo Fortis, representante do Instituto de Engenharia.

Transformar uma piscina clorada em salinizada requer alto investimento no equipamento e na contratação de técnicos, o que torna sua utilização caseira dispendiosa. Mas uma vez implantado, os gastos de manutenção são basicamente os mesmos.

Múltipla escolha

A tendência de tratamentos alternativos (em especial a salinização) começou em países europeus, principalmente na França, ganhou força entre os esportistas norte-americanos, chegou ao Brasil há alguns anos e hoje se tornou uma das principais estratégias de marketing de escolas de natação ou especializadas em outras atividades aquáticas.

A designer gráfico Gabriela Maria Takino, 21, aluna da Cia Athletica, é outra que engrossa o coro dos fãs da piscina salgada. "Além da minha pele estar bem melhor, para mim é ótimo nadar em água salgada. Sou triatleta, e também treino no mar. A salinização facilita bastante meu desempenho", diz.

Não só o dela. Por ser mais densa, a água salgada faz com que, submerso, o corpo fique mais leve. Tanto assim que, nas competições realizadas em piscinas, a Federação Internacional de Natação exige o tratamento com cloro e proíbe a salinização, que ajuda o atleta a flutuar com mais facilidade. Vale lembrar que, para o paladar, o grau de salinidade nas piscinas não é o mesmo que o do mar; a água salinizada é seis vezes menos salgada que a do mar e duas vezes menos que a lágrima.

Mas junto com a onda salgada nas piscinas vieram outras técnicas que prometem tratar a água de modo mais suave com outros ingredientes ativos, como o gás carbônico (CO2) e o ozônio.

O princípio que rege todos esses métodos é o de filtragem. A técnica convencional, que consiste em despejar uma quantidade de cloro proporcional à água da piscina, provoca uma espécie de decantação de impurezas: faz com que a sujeira fique depositada no fundo piscina, para depois ser aspirada.

Em qualquer dos processos alternativos, a água é purificada permanentemente, através de processos de filtragem constante. A ozonização, menos popular, se baseia num sistema elétrico que purifica a água transformando o oxigênio do ar em ozônio, que, por sua vez, age oxidando as impurezas.

Na rede de academias Runner, por exemplo, o sistema foi inicialmente implantado em apenas uma das unidades, no bairro paulistano do Butantã, há pouco mais de um ano. Hoje, todas as filiais da empresa já aderiram.

"O ozônio é quase 3.000 vezes mais potente que o cloro. Por isso, com dosagens muito mais baixas você consegue o mesmo resultado. O problema é que ele atua em partículas menores, quebrando a estrutura da bactéria, o que exige um sistema de filtração mais eficiente e isso demanda equipamento mais sofisticado, portanto mais caro", diz o diretor responsável pela área operacional da Runner, Mário Fontes.

Melina Pardo, 23, professora há quatro anos na unidade Morumbi da Runner, defende a mudança: "Para quem precisa estar na piscina todos os dias, durante várias horas, como eu, essa mudança foi fundamental. A principal diferença que sinto é nos olhos e na pele".

O médico oftalmologista Silvio Tomita, 36, cliente da Runner Spectrum Morumbi, confirma. "Já atendi muitos pacientes com conjuntivite provocada por alergia ao cloro. Eu mesmo não me adaptei ao sistema tradicional de purificação da água. Já experimentei também a piscina com sal, mas não gostei. A ozonização sem dúvida é a melhor opção", acredita.

O tratamento com gás carbônico --o mesmo encontrado nos refrigerantes-- foi a técnica escolhida pelo químico Luiz Alberto Camargo Ballio, consultor para tratamento de água há mais de 30 anos, contratado pela Academia Fórmula, rede com unidades em São Paulo e em Minas Gerais. A experiência é pioneira no país. "O CO2 fica numa espécie de galão de oxigênio, que é injetado na piscina e transformado em ácido carbônico", explica o químico.

Flutuar com sal, ozônio ou gás carbônico? A opinião de freqüentadores, químicos e donos de academia converge pelo menos em um aspecto: o importante é minimizar os efeitos químicos prejudiciais ao organismo, portanto, toda inovação é bem-vinda --desde que garanta a limpeza.

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