17/03/2005
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10h42
Colaboração para a Folha
MARCOS DÁVILA
da Folha de S. Paulo
A estudante de geografia da Universidade de São Paulo Gabriela Prol Otero, 23, já perdeu a conta de quantas vezes foi chamada de "ecochata". "Sou extremamente rotulada. Quando um professor alfineta os ecologistas, o pessoal da sala cochicha: 'A 'ecochata' não vai falar nada?'"
Entre as atitudes que adota no dia-a-dia, Gabriela toma banho rápido, fecha a torneira enquanto escova os dentes e não usa copos descartáveis. "Nem pensar. Levo uma garrafa plástica comigo e, no meu trabalho, cada um tem sua caneca para tomar café." No prédio onde mora, ela dispensa o elevador e usa a escada para descer e subir quatro andares. Apesar de ser chamada de chata, a estudante conseguiu convencer várias pessoas a agir de forma parecida. Mas já teve também brigas com a mãe, que costuma usar filmes plásticos para embalar alimentos e lavar o chão com mangueira. "Faço questão de limpar eu mesma usando balde para economizar água", diz.
Autor do livro "Meio Ambiente: Sua História - Como Defender a Natureza sem Ser um Ecochato" (ed. Insular), o escritor e jornalista Paulo Ramos Derengoski, 60, acredita que o termo "ecochato" esteja mudando de significado.
"Quando comecei a escrever sobre o ambiente, há mais de 20 anos, o 'ecochato' era um radical de direita da ecologia, um cidadão que não tinha uma visão dialética", afirma.
Segundo ele, essas ações pessoais de patrulha ecológica são importantes. "Dessa forma, ser chamado de 'ecochato' é um elogio. Daqui a pouco eles serão considerados 'ecolegais'. Acredito que a ecologia represente um novo idealismo para a juventude", diz. Em seu livro, Derengoski usa uma linguagem simples -no lugar do que ele chama de "ecologuês"- para defender políticas ecológicas sustentáveis. E rentáveis: "Tudo que não tiver valor econômico no futuro está condenado ao fracasso. É preciso juntar valor econômico a defesa do ambiente."
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Estudante se acostumou a ser chamada de "ecochata"
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FLÁVIA MANTOVANIColaboração para a Folha
MARCOS DÁVILA
da Folha de S. Paulo
A estudante de geografia da Universidade de São Paulo Gabriela Prol Otero, 23, já perdeu a conta de quantas vezes foi chamada de "ecochata". "Sou extremamente rotulada. Quando um professor alfineta os ecologistas, o pessoal da sala cochicha: 'A 'ecochata' não vai falar nada?'"
Entre as atitudes que adota no dia-a-dia, Gabriela toma banho rápido, fecha a torneira enquanto escova os dentes e não usa copos descartáveis. "Nem pensar. Levo uma garrafa plástica comigo e, no meu trabalho, cada um tem sua caneca para tomar café." No prédio onde mora, ela dispensa o elevador e usa a escada para descer e subir quatro andares. Apesar de ser chamada de chata, a estudante conseguiu convencer várias pessoas a agir de forma parecida. Mas já teve também brigas com a mãe, que costuma usar filmes plásticos para embalar alimentos e lavar o chão com mangueira. "Faço questão de limpar eu mesma usando balde para economizar água", diz.
Autor do livro "Meio Ambiente: Sua História - Como Defender a Natureza sem Ser um Ecochato" (ed. Insular), o escritor e jornalista Paulo Ramos Derengoski, 60, acredita que o termo "ecochato" esteja mudando de significado.
"Quando comecei a escrever sobre o ambiente, há mais de 20 anos, o 'ecochato' era um radical de direita da ecologia, um cidadão que não tinha uma visão dialética", afirma.
Segundo ele, essas ações pessoais de patrulha ecológica são importantes. "Dessa forma, ser chamado de 'ecochato' é um elogio. Daqui a pouco eles serão considerados 'ecolegais'. Acredito que a ecologia represente um novo idealismo para a juventude", diz. Em seu livro, Derengoski usa uma linguagem simples -no lugar do que ele chama de "ecologuês"- para defender políticas ecológicas sustentáveis. E rentáveis: "Tudo que não tiver valor econômico no futuro está condenado ao fracasso. É preciso juntar valor econômico a defesa do ambiente."
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