21/03/2005
-
17h30
Especial para a Folha Online
A obesidade infantil atinge no Brasil entre 7% e 15 % das crianças, dependendo da região e da classe social. Nos Estados Unidos, o número dobrou na última década e cerca de 30% das crianças apresentam algum grau de sobrepeso. Diante das inúmeras doenças decorrentes do excesso de peso, a Academia Americana do Coração (American Heart Association) declarou que prevenir a obesidade infantil é uma das formas mais eficientes de diminuir os problemas cardiovasculares entre adultos.
O estilo de vida atual faz com que os pais, oprimidos pelos compromissos do dia-a-dia, mudem os hábitos alimentares da família. Substituem pratos balanceados e comidas caseiras por pizzas, massas prontas, biscoitos e refrigerantes. Recente pesquisa do IBGE revela que, em geral, os brasileiros consomem muitos alimentos com alto teor de açúcar, frutas e hortaliças em quantidade insuficiente. Portanto, as crianças aprendem a comer cada vez mais gordura e menos fibras, aderindo ao que se convencionou chamar de geração coca-cola ou geração fast food. A mudança comportamental já é velha conhecida, mas só agora, com o "surto" da obesidade, percebe-se o impacto que ela pode causar na saúde.
A baixa incidência de aleitamento materno e o sedentarismo também são grandes aliados para a epidemia de obesidade infantil. As brincadeiras de rua foram substituídas por até cinco horas diárias na frente de algum tipo de tela (TV, videogame, computador). Reservando oito horas do dia para o sono e quatro para a escola, sobra pouco tempo para gastar a energia da garotada. O problema cresce ainda mais rápido nas camadas mais humildes da população, em que a oferta de bolachas e refrigerantes, por exemplo, é mais freqüente. Em contrapartida, é menor o acesso à educação nutricional ou a informações sobre estilo de vida saudável.
Como a obesidade infantil é um desafio mundial, alguns países já começam a preparar contra-ofensivas. No Canadá, por exemplo, o programa de atendimento pré-natal informa a gestante sobre alimentação saudável, para ela e para o seu bebê. A vedete do programa é o aleitamento materno, único alimento recomendado até os seis meses de vida, uma medida eficiente para evitar o excesso de leite em pó nas refeições e proteger o nenê contra a obesidade no futuro.
Entre os adultos brasileiros, o índice de obesidade atinge 40%, ou 38,8 milhões de pessoas. Se queremos reverter essa tendência para a próxima geração, precisamos prestar atenção no que nossas crianças estão ingerindo hoje. É preciso conscientizar crianças e adolescentes sobre a importância de uma alimentação completa, variada e colorida - portanto, rica em nutrientes. Não há alimentos proibidos, e sim pratos que devem ser consumidos com moderação. E vale lembrar aos pais e mães: não adianta ensinar as crianças a comer corretamente se não respeitarem as próprias ordens. A melhor maneira de educar e colocar limites é com o próprio exemplo!
Nataniel Viuniski, pediatra e nutólogo, é coordenador do departamento de obesidade infantil da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade). É supervisor da clínica Espaço Leve - Núcleo de Prevenção e Tratamento da Obesidade Infanto-Juvenil, de São Paulo. Autor do livro "Obesidade Infantil - Um Guia Prático".
Os artigos publicados nesta seção não traduzem a opinião da Folha Online. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre diversos assuntos em diferentes áreas do pensamento humano.
Exemplo dos pais é vital no combate à obesidade infantil
Publicidade
NATANAEL VIUNISKIEspecial para a Folha Online
A obesidade infantil atinge no Brasil entre 7% e 15 % das crianças, dependendo da região e da classe social. Nos Estados Unidos, o número dobrou na última década e cerca de 30% das crianças apresentam algum grau de sobrepeso. Diante das inúmeras doenças decorrentes do excesso de peso, a Academia Americana do Coração (American Heart Association) declarou que prevenir a obesidade infantil é uma das formas mais eficientes de diminuir os problemas cardiovasculares entre adultos.
O estilo de vida atual faz com que os pais, oprimidos pelos compromissos do dia-a-dia, mudem os hábitos alimentares da família. Substituem pratos balanceados e comidas caseiras por pizzas, massas prontas, biscoitos e refrigerantes. Recente pesquisa do IBGE revela que, em geral, os brasileiros consomem muitos alimentos com alto teor de açúcar, frutas e hortaliças em quantidade insuficiente. Portanto, as crianças aprendem a comer cada vez mais gordura e menos fibras, aderindo ao que se convencionou chamar de geração coca-cola ou geração fast food. A mudança comportamental já é velha conhecida, mas só agora, com o "surto" da obesidade, percebe-se o impacto que ela pode causar na saúde.
A baixa incidência de aleitamento materno e o sedentarismo também são grandes aliados para a epidemia de obesidade infantil. As brincadeiras de rua foram substituídas por até cinco horas diárias na frente de algum tipo de tela (TV, videogame, computador). Reservando oito horas do dia para o sono e quatro para a escola, sobra pouco tempo para gastar a energia da garotada. O problema cresce ainda mais rápido nas camadas mais humildes da população, em que a oferta de bolachas e refrigerantes, por exemplo, é mais freqüente. Em contrapartida, é menor o acesso à educação nutricional ou a informações sobre estilo de vida saudável.
Como a obesidade infantil é um desafio mundial, alguns países já começam a preparar contra-ofensivas. No Canadá, por exemplo, o programa de atendimento pré-natal informa a gestante sobre alimentação saudável, para ela e para o seu bebê. A vedete do programa é o aleitamento materno, único alimento recomendado até os seis meses de vida, uma medida eficiente para evitar o excesso de leite em pó nas refeições e proteger o nenê contra a obesidade no futuro.
Entre os adultos brasileiros, o índice de obesidade atinge 40%, ou 38,8 milhões de pessoas. Se queremos reverter essa tendência para a próxima geração, precisamos prestar atenção no que nossas crianças estão ingerindo hoje. É preciso conscientizar crianças e adolescentes sobre a importância de uma alimentação completa, variada e colorida - portanto, rica em nutrientes. Não há alimentos proibidos, e sim pratos que devem ser consumidos com moderação. E vale lembrar aos pais e mães: não adianta ensinar as crianças a comer corretamente se não respeitarem as próprias ordens. A melhor maneira de educar e colocar limites é com o próprio exemplo!
Nataniel Viuniski, pediatra e nutólogo, é coordenador do departamento de obesidade infantil da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade). É supervisor da clínica Espaço Leve - Núcleo de Prevenção e Tratamento da Obesidade Infanto-Juvenil, de São Paulo. Autor do livro "Obesidade Infantil - Um Guia Prático".
Os artigos publicados nesta seção não traduzem a opinião da Folha Online. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre diversos assuntos em diferentes áreas do pensamento humano.

