24/03/2005
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09h15
Colaboração para a Folha
Mais do que as dores, o modelo e professor de dança Alex de Souza, 29, teve de enfrentar preconceitos. Portador de uma má formação congênita, Alex não tem uma das pernas do joelho para baixo e usa prótese desde criança. "Descobri o gosto pela dança nas baladas com os amigos, aos 15 anos", conta. Aos 19, ele entrou na academia para fazer balé moderno.
"Até hoje, algumas pessoas ainda olham meio torto, mas eu não costumo atribuir essa atitude à maldade. E faço aula sempre de bermuda, não escondo a prótese", diz. "Acredito que preconceito tem muito mais a ver com ignorância do que com maldade."
Depois do balé, Alex estudou salsa, merengue, street dance (sua especialidade hoje) e dança de salão. "Participo de um grupo de dança que mistura deficientes e não-deficientes e no qual também dançam duas mulheres e quatro homens em cadeiras de rodas", diz Alex.
Fora das aulas e dos ensaios de street dance, Alex é maratonista. Já correu três maratonas de Nova York e três vezes a São Silvestre, em São Paulo. Ele também é modelo de uma marca "high-tech" de próteses e órteses, que patrocina suas corridas.
"Quando comecei, há 14 anos, usava uma prótese convencional que provocava dores. Hoje uso uma adaptada, com tecnologia de ponta", diz. Um aparelho para poucos que custa entre US$ 6.000 e US$ 7.000.
Paula Abe, 32, é parceira de Alex na dança de rua e também professora de dança e educação física. Mas, até seis anos atrás, a rotina dela era completamente diferente. Paula era caixa de banco. "Fui bancária durante 11 anos. Freqüentava a academia para reduzir o estresse do trabalho", relata. "Comecei a fazer street dance aos 24 anos e nunca mais parei."
Mesmo diante da possibilidade de virar gerente da agência, ela resolveu largar tudo. Aos 26 anos, fez um acordo de demissão com o banco que permitiu que ela sacasse o fundo de garantia e prestou vestibular para educação física.
"Não me arrependo nem um pouco. Paguei a faculdade com o dinheiro do FGTS e me formei aos 30 anos. Hoje, trabalho sete, oito horas por dia, mas faço o que mais gosto", diz. Por ser professora, Paula faz também um trabalho de fortalecimento muscular, mas sua principal atividade física é a dança.
O professor Turíbio Leite de Barros explica que a dança não é um exercício completo. Raramente vai fortalecer a musculatura dos braços. Na academia, o aluno pode fazer uma complementação com peso. Mas, segundo ele, tudo depende da coreografia e do ritmo que se dança. "Mas, seguramente, posso dizer que é um exercício excelente. Tem o princípio básico que é o movimento. E tem o ingrediente lúdico", afirma.
Professor de dança enfrentou preconceito no início
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ESTANISLAU DE FREITASColaboração para a Folha
Mais do que as dores, o modelo e professor de dança Alex de Souza, 29, teve de enfrentar preconceitos. Portador de uma má formação congênita, Alex não tem uma das pernas do joelho para baixo e usa prótese desde criança. "Descobri o gosto pela dança nas baladas com os amigos, aos 15 anos", conta. Aos 19, ele entrou na academia para fazer balé moderno.
"Até hoje, algumas pessoas ainda olham meio torto, mas eu não costumo atribuir essa atitude à maldade. E faço aula sempre de bermuda, não escondo a prótese", diz. "Acredito que preconceito tem muito mais a ver com ignorância do que com maldade."
Depois do balé, Alex estudou salsa, merengue, street dance (sua especialidade hoje) e dança de salão. "Participo de um grupo de dança que mistura deficientes e não-deficientes e no qual também dançam duas mulheres e quatro homens em cadeiras de rodas", diz Alex.
Fora das aulas e dos ensaios de street dance, Alex é maratonista. Já correu três maratonas de Nova York e três vezes a São Silvestre, em São Paulo. Ele também é modelo de uma marca "high-tech" de próteses e órteses, que patrocina suas corridas.
"Quando comecei, há 14 anos, usava uma prótese convencional que provocava dores. Hoje uso uma adaptada, com tecnologia de ponta", diz. Um aparelho para poucos que custa entre US$ 6.000 e US$ 7.000.
Paula Abe, 32, é parceira de Alex na dança de rua e também professora de dança e educação física. Mas, até seis anos atrás, a rotina dela era completamente diferente. Paula era caixa de banco. "Fui bancária durante 11 anos. Freqüentava a academia para reduzir o estresse do trabalho", relata. "Comecei a fazer street dance aos 24 anos e nunca mais parei."
Mesmo diante da possibilidade de virar gerente da agência, ela resolveu largar tudo. Aos 26 anos, fez um acordo de demissão com o banco que permitiu que ela sacasse o fundo de garantia e prestou vestibular para educação física.
"Não me arrependo nem um pouco. Paguei a faculdade com o dinheiro do FGTS e me formei aos 30 anos. Hoje, trabalho sete, oito horas por dia, mas faço o que mais gosto", diz. Por ser professora, Paula faz também um trabalho de fortalecimento muscular, mas sua principal atividade física é a dança.
O professor Turíbio Leite de Barros explica que a dança não é um exercício completo. Raramente vai fortalecer a musculatura dos braços. Na academia, o aluno pode fazer uma complementação com peso. Mas, segundo ele, tudo depende da coreografia e do ritmo que se dança. "Mas, seguramente, posso dizer que é um exercício excelente. Tem o princípio básico que é o movimento. E tem o ingrediente lúdico", afirma.


