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31/03/2005 - 10h25

Mulheres que sofrem de infertilidade têm estresse alto

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FLÁVIA MANTOVANI
MARCOS DÁVILA

da Folha de S. Paulo

"Parecia que eu estava 24 horas por dia em TPM. A gente fica muito ansiosa. Mexe com o corpo, fiquei toda inchada", desabafa a arquiteta Sandra Adati, 39, sobre o tratamento que fez com hormônios para tentar engravidar. Desde os 27 anos, ela passou por diversos processos de reprodução assistida e conseguiu resultados somente depois de aliar a fertilização in vitro à acupuntura.

Um estudo publicado em 1993 no "Journal of Psychosomatic Obstetrics and Gynecology", nos Estados Unidos, comparou os sintomas psicológicos de mulheres que sofriam de infertilidade com os de pacientes com doenças crônicas. Os níveis de estresse e depressão medidos foram equivalentes aos de pessoas com câncer e de cardíacos em período de reabilitação.

Quem cita a pesquisa é a psicóloga norte-americana Gayle D. Crespy, que trabalha com um programa de infertilidade desenvolvido pelo Mind/Body Medical Institute, associado à Universidade Harvard.

"Mulheres com alto nível de depressão e estresse têm baixos níveis de fertilidade. E a depressão e o estresse são resultado da infertilidade. Isso cria um círculo vicioso", afirma a psicóloga, que inclui sessões de acupuntura e ioga no programa contra a infertilidade. Crespy acredita que nos últimos dez anos têm aumentado a procura e a pesquisa sobre esse tipo de tratamento nos Estados Unidos. Segundo ela, pacientes que apresentam infertilidade inexplicável são as mais beneficiadas por esse tipo de programa.

É o caso da professora de inglês Andressa Borges Fidelis, 26, que tenta engravidar desde dezembro de 2003. De acordo com os médicos, ela e seu marido não apresentam nenhum problema aparente. "Comecei a fazer acupuntura e pratico ioga há dois anos. Uso remédios homeopáticos há seis meses, receitados pelo meu próprio ginecologista", afirma a professora, que estabeleceu um prazo para os tratamentos alternativos. "Se não der certo até o final do mês, vamos partir para o tubo de ensaio mesmo", diz.

O ginecologista Dirceu Mendes Pereira, secretário executivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, também diz que os casos de infertilidade sem causa aparente são os mais indicados para a prescrição desses métodos. "O casal relaxa e otimiza as funções biológicas. A acupuntura, por exemplo, ajuda a controlar os casos de hipercontratividade (espasmos nas trompas) e melhora a circulação na pelve. Numa dessas, a mulher engravida."

No entanto, as terapias complementares já deram certo mesmo para pacientes de Pereira que apresentavam um diagnóstico preciso.

Foi o que aconteceu com a química Márcia do Carmo Flores, 32, que tinha uma endometriose grave. Ao longo de oito anos, ela tentou vários tratamentos: tomou altas dosagens de hormônios e fez três cirurgias, inseminação artificial e fertilização in vitro.

Quando começou o tratamento com Pereira, no início de 2004, todos os medicamentos foram abolidos e ela passou a se tratar apenas com acupuntura, terapia ortomolecular e orientação nutricional. "Quando comecei a sentir enjôos, achei que fosse problema de estômago. Vários médicos pelos quais passei disseram que eu não tinha a menor chance de engravidar", conta ela, que espera pelo nascimento de Matheus, programado para junho.

Acostumada a passar por várias intervenções agressivas que traziam "um monte de efeitos colaterais", ela desconfiou quando o ginecologista prescreveu apenas uma nova dieta, duas sessões semanais de acupuntura e algumas vitaminas. "Eu nunca tinha feito nada disso e estava com 'os dois pés atrás'. Ele cortou o açúcar e a gordura, receitou arroz integral, iogurte natural e coalhada", relata ela, que ainda segue a dieta para não ganhar peso. Seu marido, que tinha problemas leves na produção de espermatozóides, também teve que mudar hábitos alimentares e tomar vitaminas. Em seis meses, veio o resultado positivo.

Dirceu Pereira trabalha há 20 anos com reprodução assistida e, há dez, usa essas técnicas na Profert, clínica que dirige em São Paulo. Além da acupuntura, da terapia ortomolecular e da orientação nutricional, o estabelecimento possui profissionais que trabalham com shiatsu, reflexologia e homeopatia.

De acordo com o ginecologista, algumas áreas ainda enfrentam preconceito dos médicos, mas o cenário está mudando. "A acupuntura e a homeopatia foram introduzidas nas universidades. A medicina ortomolecular enfrenta resistência, mas alguns de seus conceitos já estão sendo incorporados pelos médicos tradicionais."

Segundo ele, o ideal é que se pratique uma "medicina holística". "A medicina convencional nos dá um diagnóstico bastante firme. A medicina complementar existe há mais de 5.000 anos e, apesar de a forma como ela age ser um pouco misteriosa, sabemos que funciona. Não podemos prescindir nem de uma nem de outra. O ideal para o benefício do paciente é usar as duas", recomenda.

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