07/07/2005
-
10h02
Colaboração para a Folha
MARCOS DÁVILA
da Folha de S. Paulo
Ocupar a cabeça apenas com o bem-estar do próprio corpo e se aventurar pela mata atlântica fluminense são programas capazes de aliviar em pouco tempo as tensões daqueles que sentem que o nó da gravata anda apertando mais do que nunca.
Fundado em 1994 pelo professor de educação física gaúcho Tadeu Viscardi, 54, e pela atriz carioca Tânia Alves, 51, o spa Maria Bonita, em Nova Friburgo (RJ), oferece a possibilidade de trocar o terno de todos os dias pelos equipamentos de segurança necessários para passear pelas copas das 25 árvores que compõem seu complexo circuito de arvorismo.
"Costuma-se demorar uma hora e meia para completar o trajeto de um quilômetro. Durante esse tempo, só dá para pensar na necessidade de se superar a cada instante para manter o equilíbrio, reunir forças, saltar de galho em galho e ajudar tanto os que estão na frente como os que estão atrás de você", conta Viscardi, que garante que esse esporte não é nada exaustivo e pode ser praticado por qualquer um que tenha mais de 1,40 m de altura, o limite de segurança do circuito.
Para recuperar as energias deixadas a mais de dez metros de distância do chão, Tânia sugere que os engravatados experimentem a dieta higienista que implantou no spa desde seu primeiro dia de funcionamento. Baseada no consumo exclusivo de produtos orgânicos crus, o higienismo ("natural hygiene", em inglês) não visa ao emagrecimento, mas sugere uma nova filosofia de vida.
Para o pessoal que nem sonha em dar uma de Tarzan, mas gosta da idéia de passar uns dias em Nova Friburgo, uma opção é o Centro Adventista de Vida Saudável (Cavs) e as sessões de hidroterapia que sua equipe trouxe de Buenos Aires.
"O que me conquistou de verdade no Cavs foi a ducha escocesa, que é muito relaxante e que, ao estimular a circulação, contribui para o combate das terríveis celulites e da indesejável gordura localizada", conta a estudante de direito Carolina Salomão, 21, que passou por lá em 2003.
Carolina já freqüentou outros spas "tradicionais", mas considera o ambiente alternativo do Cavs mais adequado para quem quer mudar hábitos. "No dia-a-dia, é difícil manter hábitos saudáveis. Em um lugar diferente, no qual você não tem as "tentações" de todo dia, é mais fácil", afirma a estudante.
O Cavs também oferece um cardápio lactovegetariano criado pela nutricionista Wanessa Alves Belarmino, 25. Segundo ela, a dieta, rica em fibras, vitaminas e minerais, atua como uma verdadeira "vassourinha desintoxicante" no intestino dos engravatados que almoçam fora de casa todos os dias.
"Em vez de gastar 20 minutos almoçando, no Cavs eu gastava pelo menos uns 40 minutos porque eles me convenceram a mastigar bem antes de engolir, coisa que não dá para fazer no dia-a-dia de quem almoça no centro", diz Carolina, que, quando chega ao local, troca o sapato de salto alto que usa para trabalhar todos os dias por um chinelo.
Ração de Cachorro
Apesar do esforço de Wanessa para convencer os hóspedes de que o lactovegetarianismo faz bem, tem gente que não agüenta e acaba fugindo do centro para comer nos restaurantes da região. "Achei que a alimentação deles poderia ser interessante e, até mesmo, saborosa, mas, quando mordi um tal quibe de carne de soja, senti náuseas e percebi que aquilo lá parecia ração de cachorro. Naquele momento, decidi que sairia para comer fora do centro sempre", conta o desembargador Paulo Ventura, 65, que não pretende se arriscar novamente no mundo da gastronomia alternativa e se diz feliz com sua dieta carnívora.
O professor e engenheiro carioca Roberto Oliveira, 60, no entanto, reagiu de forma diferente ante a dieta do Cavs. Ele não só aprovou a comida como levou para casa alguns dos hábitos propostos pelo centro.
Apesar de não ter queixas quanto à alimentação oferecida nesse spa, o engenheiro acha fundamental conhecer a fundo a proposta alimentar do Cavs.
"Quem não gosta de legumes, verduras e frutas não deve ir porque vai achar aquilo lá um horror. A dieta é aquela, e eles são inflexíveis. Em vez de café, é cevada e, em vez de carne, é carne-de-soja. Quem não estiver disposto vai acabar saindo de lá mais estressado do que antes", afirma Oliveira.
"O ideal é que a pessoa tenha consciência daquilo que a ajuda a relaxar", afirma a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente no Brasil da Isma (International Stress Management Association), associação internacional que trabalha com a prevenção e o tratamento do estresse.
"O que, para algumas pessoas, tem um efeito relaxante, para outras, é devastador", explica a psicóloga. Ela dá o exemplo de pessoas que só conseguem relaxar com uma agenda lotada de compromissos.
Em 2003, a associação iniciou uma pesquisa sobre estresse, ainda em andamento, com cerca de mil funcionários de empresas privadas e públicas de três capitais brasileiras: Belém, São Paulo e Porto Alegre.
O estudo indicou que 14% desses trabalhadores procuram mudanças radicais da rotina como forma de lidar com o estresse. Outro dado analisado é que 72% das pessoas que voltam das férias em apenas uma semana abandonam os hábitos que as ajudaram a relaxar durante o período de folga. "Equilíbrio é a palavra mágica. O ideal seria que essa quebra saudável da rotina fosse a rotina em si", afirma ela, explicando que, em alguns casos, como o excesso de exercício no final de semana, a mudança de hábito pode ser contraproducente. "Muita gente ultrapassa o limite no fim de semana e fica imprestável o resto da semana."
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CRISTINA TARDÁGUILA FERREIRAColaboração para a Folha
MARCOS DÁVILA
da Folha de S. Paulo
Ocupar a cabeça apenas com o bem-estar do próprio corpo e se aventurar pela mata atlântica fluminense são programas capazes de aliviar em pouco tempo as tensões daqueles que sentem que o nó da gravata anda apertando mais do que nunca.
Fundado em 1994 pelo professor de educação física gaúcho Tadeu Viscardi, 54, e pela atriz carioca Tânia Alves, 51, o spa Maria Bonita, em Nova Friburgo (RJ), oferece a possibilidade de trocar o terno de todos os dias pelos equipamentos de segurança necessários para passear pelas copas das 25 árvores que compõem seu complexo circuito de arvorismo.
"Costuma-se demorar uma hora e meia para completar o trajeto de um quilômetro. Durante esse tempo, só dá para pensar na necessidade de se superar a cada instante para manter o equilíbrio, reunir forças, saltar de galho em galho e ajudar tanto os que estão na frente como os que estão atrás de você", conta Viscardi, que garante que esse esporte não é nada exaustivo e pode ser praticado por qualquer um que tenha mais de 1,40 m de altura, o limite de segurança do circuito.
Para recuperar as energias deixadas a mais de dez metros de distância do chão, Tânia sugere que os engravatados experimentem a dieta higienista que implantou no spa desde seu primeiro dia de funcionamento. Baseada no consumo exclusivo de produtos orgânicos crus, o higienismo ("natural hygiene", em inglês) não visa ao emagrecimento, mas sugere uma nova filosofia de vida.
Para o pessoal que nem sonha em dar uma de Tarzan, mas gosta da idéia de passar uns dias em Nova Friburgo, uma opção é o Centro Adventista de Vida Saudável (Cavs) e as sessões de hidroterapia que sua equipe trouxe de Buenos Aires.
"O que me conquistou de verdade no Cavs foi a ducha escocesa, que é muito relaxante e que, ao estimular a circulação, contribui para o combate das terríveis celulites e da indesejável gordura localizada", conta a estudante de direito Carolina Salomão, 21, que passou por lá em 2003.
Carolina já freqüentou outros spas "tradicionais", mas considera o ambiente alternativo do Cavs mais adequado para quem quer mudar hábitos. "No dia-a-dia, é difícil manter hábitos saudáveis. Em um lugar diferente, no qual você não tem as "tentações" de todo dia, é mais fácil", afirma a estudante.
O Cavs também oferece um cardápio lactovegetariano criado pela nutricionista Wanessa Alves Belarmino, 25. Segundo ela, a dieta, rica em fibras, vitaminas e minerais, atua como uma verdadeira "vassourinha desintoxicante" no intestino dos engravatados que almoçam fora de casa todos os dias.
"Em vez de gastar 20 minutos almoçando, no Cavs eu gastava pelo menos uns 40 minutos porque eles me convenceram a mastigar bem antes de engolir, coisa que não dá para fazer no dia-a-dia de quem almoça no centro", diz Carolina, que, quando chega ao local, troca o sapato de salto alto que usa para trabalhar todos os dias por um chinelo.
Ração de Cachorro
Apesar do esforço de Wanessa para convencer os hóspedes de que o lactovegetarianismo faz bem, tem gente que não agüenta e acaba fugindo do centro para comer nos restaurantes da região. "Achei que a alimentação deles poderia ser interessante e, até mesmo, saborosa, mas, quando mordi um tal quibe de carne de soja, senti náuseas e percebi que aquilo lá parecia ração de cachorro. Naquele momento, decidi que sairia para comer fora do centro sempre", conta o desembargador Paulo Ventura, 65, que não pretende se arriscar novamente no mundo da gastronomia alternativa e se diz feliz com sua dieta carnívora.
O professor e engenheiro carioca Roberto Oliveira, 60, no entanto, reagiu de forma diferente ante a dieta do Cavs. Ele não só aprovou a comida como levou para casa alguns dos hábitos propostos pelo centro.
Apesar de não ter queixas quanto à alimentação oferecida nesse spa, o engenheiro acha fundamental conhecer a fundo a proposta alimentar do Cavs.
"Quem não gosta de legumes, verduras e frutas não deve ir porque vai achar aquilo lá um horror. A dieta é aquela, e eles são inflexíveis. Em vez de café, é cevada e, em vez de carne, é carne-de-soja. Quem não estiver disposto vai acabar saindo de lá mais estressado do que antes", afirma Oliveira.
"O ideal é que a pessoa tenha consciência daquilo que a ajuda a relaxar", afirma a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente no Brasil da Isma (International Stress Management Association), associação internacional que trabalha com a prevenção e o tratamento do estresse.
"O que, para algumas pessoas, tem um efeito relaxante, para outras, é devastador", explica a psicóloga. Ela dá o exemplo de pessoas que só conseguem relaxar com uma agenda lotada de compromissos.
Em 2003, a associação iniciou uma pesquisa sobre estresse, ainda em andamento, com cerca de mil funcionários de empresas privadas e públicas de três capitais brasileiras: Belém, São Paulo e Porto Alegre.
O estudo indicou que 14% desses trabalhadores procuram mudanças radicais da rotina como forma de lidar com o estresse. Outro dado analisado é que 72% das pessoas que voltam das férias em apenas uma semana abandonam os hábitos que as ajudaram a relaxar durante o período de folga. "Equilíbrio é a palavra mágica. O ideal seria que essa quebra saudável da rotina fosse a rotina em si", afirma ela, explicando que, em alguns casos, como o excesso de exercício no final de semana, a mudança de hábito pode ser contraproducente. "Muita gente ultrapassa o limite no fim de semana e fica imprestável o resto da semana."
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