Equilíbrio
25/08/2005 - 12h05

Negociação no trabalho pode ajudar a desacelerar

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TATIANA DINIZ
da Folha de S.Paulo

Depois de 30 anos acelerados e oito na "velocidade máxima", o executivo Acacio Queiroz, 56, fez exigências bem diferentes das que costumava ao assumir um novo emprego.

"Antes eu viajava demais. Impus o limite de quatro viagens internacionais por ano. Não como mais correndo, passo pelo menos quatro horas por dia com minha mulher e vou ao cinema todas as semanas", elenca.

O saldo é positivo em vários aspectos da vida. "Parei de engordar, tornei-me mais produtivo e meu casamento entrou em sua melhor fase", resume ele.

Para quem sempre se encontra superatarefado, vale checar a relevância real de suas tarefas. "É preciso olhar para si mesmo e fazer a distinção entre o que é importante e o que é necessário", ensina o homeopata e pediatra Nicolas Schor, autor do livro "As Doenças que Você Tem... E Não Sabe!" (ed. MG, R$ 30), que aborda distúrbios da modernidade.

"As pessoas estão vivendo como animais, apenas lutando pela sobrevivência", avalia ele. "É preciso assumir as rédeas da vida e descobrir que existe uma hora em que o correto é desligar o celular e ir brincar no parque."

"Durante 12 anos, eu não comi nem dormi direito porque acreditava que devia viver a todo vapor para conseguir bens materiais", diz Valtencir Bertone, 33, hoje professor de "bartender", que chegou a tocar seis negócios ao mesmo tempo, trabalhando 18 horas diárias.

Um dia, ao saber que a filha estava indo mal na escola, ligou para a ex-mulher para reclamar. "Ela me perguntou se eu lembrava que a filha era tão dela quanto minha. Foi aí que a ficha caiu", conta ele, que resolveu desacelerar a partir desse episódio. "Hoje preparo o café da manhã da minha filha e só acordo para o mundo depois das 9h30. O melhor é a sensação de que tenho o controle da minha vida. As pessoas passaram a me respeitar mais", afirma.

A executiva Scheila Clezar, 38, também fez adaptações na rotina para ter mais tempo para o filho. "Fui horrorosamente "workaholic", trabalhei a licença-maternidade inteira. Quando dei por mim, meu filho estava andando sem fraldas. Então me toquei de que tinha perdido algo importante", diz ela, que hoje não agenda nenhum compromisso para os primeiros horários da manhã. "No começo do dia, tomo café com ele e o levo à escola", conta.

Para Schor, as seqüelas do modelo de criação em que os pais "substituem formação por informação" só serão visíveis dentro de dez ou 15 anos. "Só então saberemos o que vai realmente acontecer a essas crianças cujos pais estiveram sempre correndo", avalia.

Cochilo no sofá

Ex-funcionária de uma locadora de louças para eventos, Teresa Gabriel, 46, cansou de correr para lá e para cá e reorganizou toda a vida para driblar a pressa. "Enfrentava um trânsito de duas horas todos os dias, fora a correria natural do setor. Não dava", lembra.

Paulatinamente, ela largou o emprego, planejou um negócio próprio, mudou-se e montou a sede da sua empresa a "duas quadras e meia" da nova casa. "Hoje posso almoçar em casa todos os dias, gasto pelo menos uma hora no almoço e ainda dou uma descansadinha no sofá de casa. Melhorou muito, antes vivia eternamente angustiada", relata.

Aos que invejam e lamentam viver correndo, vale notar que modificar os hábitos da vida requer, mais uma vez, calma. É preciso readaptar a rotina sem pressa. Devagar e sempre.

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