15/09/2001
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17h15
Parto normal ou cesárea? No Brasil, onde a prática do parto cirúrgico é disseminada, essa é a principal dúvida das gestantes. Mesmo quem nunca teve filho entra na discussão: de um lado, o time dos que defendem "deixar a natureza agir e sentir todo o processo mágico do nascimento" e os que acham "absurdo sentir dor e ansiedade, se a medicina é capaz de encurtar e facilitar as coisas".
Oficialmente, a posição dos médicos é de defesa do parto vaginal, mas as estatísticas mostram que ou eles cedem aos apelos de suas pacientes ou acabam levando-as à cesárea para facilitar suas agendas -com a cirurgia programada, não há correrias em fins-de-semana e madrugadas.
Os honorários médicos são praticamente os mesmos, independentemente do tipo de parto, já que a assistência prestada é semelhante. Mas enquanto uma cesárea dura, em média, uma hora, no parto normal, mesmo não estando presente na sala o tempo todo, o médico tem de ficar à disposição da gestante enquanto durar o processo (até oito horas).
Segundo dados do Ministério da Saúde, a cesariana responde por 38% dos partos nacionais, mais do que o dobro do patamar de 15% considerado aceitável pelos padrões internacionais. "Não existe justificativa médica para que esse percentual seja ultrapassado. O parto cirúrgico só deve ser adotado em situações de risco materno ou fetal", afirma o obstetra Wladimir Taborda, coordenador de obstetrícia do Hospital Albert Einstein, onde 70% dos partos são cesáreas.
Quando uma paciente apta para um parto normal pede a cesárea, Taborda fala dos modernos métodos para abolir a dor. "Explico que toda dor economizada no parto pode ser maior durante o processo de recuperação da cirurgia."
"Não existe vantagem na cesariana quando a mãe e o bebê têm condições para o parto normal", concorda a obstetra Tânia Lago, coordenadora da área de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde.
Tânia é a responsável pelo Programa de Humanização do Parto, criado em 1998, que conseguiu diminuir o número de cesarianas no SUS de 28% para 24%. "Reduziu-se também a taxa de óbitos a cada 100 mil partos, de 32 para 23 mortes", afirma Tânia.
Segundo a médica, isso acontece principalmente porque muitos bebês sofrem de problemas respiratórios após a cirurgia e precisam ser encaminhados à UTI neonatal, ambiente mais favorável a infecções. "A mãe acaba expondo o bebê a riscos dispensáveis."
Entre os argumentos usados pelo Ministério para convencer as gestantes a optar pelo parto natural "humanizado", estão os métodos que suavizam a dor: analgesia (injeção peridural de analgésicos), banhos de chuveiro ou banheira, massagens, exercícios respiratórios e até música. A presença de um acompanhante, como marido, mãe ou alguma amiga, ajuda a diminuir a tensão, facilitando o parto.
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da Revista da FolhaParto normal ou cesárea? No Brasil, onde a prática do parto cirúrgico é disseminada, essa é a principal dúvida das gestantes. Mesmo quem nunca teve filho entra na discussão: de um lado, o time dos que defendem "deixar a natureza agir e sentir todo o processo mágico do nascimento" e os que acham "absurdo sentir dor e ansiedade, se a medicina é capaz de encurtar e facilitar as coisas".
Oficialmente, a posição dos médicos é de defesa do parto vaginal, mas as estatísticas mostram que ou eles cedem aos apelos de suas pacientes ou acabam levando-as à cesárea para facilitar suas agendas -com a cirurgia programada, não há correrias em fins-de-semana e madrugadas.
Os honorários médicos são praticamente os mesmos, independentemente do tipo de parto, já que a assistência prestada é semelhante. Mas enquanto uma cesárea dura, em média, uma hora, no parto normal, mesmo não estando presente na sala o tempo todo, o médico tem de ficar à disposição da gestante enquanto durar o processo (até oito horas).
Segundo dados do Ministério da Saúde, a cesariana responde por 38% dos partos nacionais, mais do que o dobro do patamar de 15% considerado aceitável pelos padrões internacionais. "Não existe justificativa médica para que esse percentual seja ultrapassado. O parto cirúrgico só deve ser adotado em situações de risco materno ou fetal", afirma o obstetra Wladimir Taborda, coordenador de obstetrícia do Hospital Albert Einstein, onde 70% dos partos são cesáreas.
Quando uma paciente apta para um parto normal pede a cesárea, Taborda fala dos modernos métodos para abolir a dor. "Explico que toda dor economizada no parto pode ser maior durante o processo de recuperação da cirurgia."
"Não existe vantagem na cesariana quando a mãe e o bebê têm condições para o parto normal", concorda a obstetra Tânia Lago, coordenadora da área de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde.
Tânia é a responsável pelo Programa de Humanização do Parto, criado em 1998, que conseguiu diminuir o número de cesarianas no SUS de 28% para 24%. "Reduziu-se também a taxa de óbitos a cada 100 mil partos, de 32 para 23 mortes", afirma Tânia.
Segundo a médica, isso acontece principalmente porque muitos bebês sofrem de problemas respiratórios após a cirurgia e precisam ser encaminhados à UTI neonatal, ambiente mais favorável a infecções. "A mãe acaba expondo o bebê a riscos dispensáveis."
Entre os argumentos usados pelo Ministério para convencer as gestantes a optar pelo parto natural "humanizado", estão os métodos que suavizam a dor: analgesia (injeção peridural de analgésicos), banhos de chuveiro ou banheira, massagens, exercícios respiratórios e até música. A presença de um acompanhante, como marido, mãe ou alguma amiga, ajuda a diminuir a tensão, facilitando o parto.
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