Doenças de adultos crescem entre crianças e adolescentes
CARLA NAVARRETE
da Revista da Hora
Diabetes, hipertensão e colesterol alto. Até pouco tempo atrás, essas doenças costumavam atingir apenas os adultos. Porém, de uns anos para cá, cada vez mais crianças e adolescentes passaram a sofrer desses males.
Um estudo realizado pela Unicamp, com 1.937 crianças e adolescentes entre 2 e 19 anos, mostrou que 44% dos entrevistados tinham níveis alterados de colesterol. Segundo a médica Eliana Cotta de Faria, uma das autoras da pesquisa, esses jovens estão mais propensos a terem problemas cardiovasculares.
As causas para o desenvolvimento dessas doenças podem ser tanto genéticas como por fatores culturais. A menina Isabela Portela, 7 anos, por exemplo, sofre de colesterol alto assim como sua mãe, Iolanda Portela. "Levei a Isabela ao médico porque ela se cansava rápido e vivia indisposta", conta Iolanda.
Além dos fatores genéticos, os jovens também passaram a ter doenças que antes só atingiam adultos por causa dos seus hábitos do dia-a-dia. "Eles ficam o dia todo em frente à TV e ao computador, totalmente sedentários. E ainda comem alimentos ruins, como salgadinhos e refrigerantes", diz o cardiologista Fernando Freitas, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Segundo Freitas, os pais podem ajudar a melhorar a saúde dos filhos com pequenas medidas, como levar mais em conta o valor nutricional dos alimentos que compram. "É preciso ter em mente que o que a criança quer nem sempre é o que ela precisa", diz. Além disso, o médico aconselha a prática de exercícios. "Os pais têm de colocar a garotada para gastar suas energias."
Saiba mais
Problemas
- Hipertensão: a doença se caracteriza pela elevação acima do normal da pressão sangüínea nas artérias. A prevalência em crianças é estimada entre 1% e 13%.
- Obesidade: é o excesso de gordura no organismo, acima do nível considerado saudável. Segundo o cardiologista Fernando Freitas, a taxa de crianças e adolescentes no Brasil que apresentam o problema está em torno de 4,5% do total. Outros 9,3% estão com sobrepeso, ou seja, pesam mais do que deveriam.
- Dislipididemia: é o aumento anormal das taxas de lipídios no sangue, como colesterol e triglicérides. Segundo estudo feito pela Unicamp, 44% das crianças entre 2 e 9 anos avaliadas apresentaram colesterol acima do normal. Outros 36% estavam com valores alterados de LDL-colesterol (colesterol ruim), enquanto 56% tinham taxas anormais de triglicérides.
- Diabetes: doença provocada pela falta absoluta ou relativa do hormônio insulina, fazendo com que ocorra uma elevação das taxas de açúcar no sangue. Segundo a FID (Federação Internacional do Diabetes), por ano, 70 mil crianças com menos de 15 anos desenvolvem o diabetes do tipo 1 (quando o corpo produz pouca ou nenhuma insulina).
Causas
- Fatores genéticos e hereditários
- Sedentarismo
- Má alimentação
- Ansiedade
- Estresse
Futuro
As projeções médicas estimam que, até 2040, o número de mortes por doenças cardiovasculares no Brasil cresçam 250% em relação aos dias atuais. Ou seja, todas as crianças que atualmente são obesas ou apresentam excesso de colesterol poderão morrer por conseqüências desses problemas mais tarde.
Como os pais podem ajudar
- Procurar um pediatra para ver como está a saúde do filho. O exame para avaliar a taxa de lipídios é recomendado a partir dos dois anos de idade.
- Melhorar a alimentação da criança, evitando o consumo de açúcares e alimentos muito gordurosos.
- Incentivar a prática de exercícios.
- Evitar que o filho passe tempo demais vendo TV ou no computador.
Fontes: Fernando Freitas, cardiologista do hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo; Adriana Siviero Miachon, médica e secretária do departamento de endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo; Denise Molino, especialista em psicologia infantil.
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