Equilíbrio
03/07/2008 - 09h52

Jovens pacientes de câncer têm revista, festa e programa de rádio nos EUA

AMARÍLIS LAGE
JULLIANE SILVEIRA
da Folha de S.Paulo

A articulação dos pacientes de câncer norte-americanos levou à criação de iniciativas que incluem programas de rádio, projeto de recolocação profissional, uma revista especializada e uma festa para esse público, além de uma infinidade de sites.

Quase todos os projetos foram fundados por jovens que tiveram câncer e sentiram na pele a dificuldade de conseguir informação para essa faixa etária. "Decidi criar a revista porque vi a falta de suporte para adultos jovens quando tive melanoma, aos 28 anos.

Não havia nada que eu pudesse relacionar com minha história, achava que era a única pessoa naquela idade com câncer", disse à Folha a editora-chefe da revista eletrônica "Waiting Room", Elizabeth Daniels.

A Vital Options, que oferece um programa de rádio semanal sobre câncer, foi fundada por Selma Schimmel quando ela descobriu ter câncer de mama, também aos 28 anos, e sentiu falta de um serviço que a apoiasse. Há cinco anos, a entidade lançou a "National Young Adult Cancer Awareness Week" (semana nacional da consciência do câncer em jovens adultos), voltada para a divulgação das necessidades específicas desses pacientes.

Já o oncologista Leonard Sender criou o site "seventyk.org", que defende direitos especiais para esses pacientes, e é presidente da organização de suporte e pesquisa "I'm Too Young For This", também voltada para a socialização e interação de pacientes jovens. Para ele, os especialistas são mais preparados para tratar crianças ou idosos.

"É preciso trazer à tona a necessidade de mais pesquisas sobre câncer em jovens. É uma fase muito difícil quando se tem a doença: o paciente pode morar sozinho, ter acabado de casar, estar namorando...", diz.

A estudante Roberta Pinto, 24, que foi diagnosticada com leucemia aos 20 anos, conhece bem essas dificuldades. "Meu cabelo caiu, os amigos se afastaram, meu namorado terminou o relacionamento porque achava que eu iria morrer", lembra. E, quando o tratamento acabou, ela encontrou um novo desafio: retomar seu espaço no mercado de trabalho. "Nas entrevistas de emprego, assim que mencionava a doença, era excluída. Após um ano, encontrei uma empresa que tem abertura para receber pessoas que tiveram câncer. Não conheço muitos projetos assim. Espero que iniciativas como a da empresa onde trabalho incentivem outras a fazerem o mesmo."

 

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