Um quinto dos bebês começa a andar sem ter engatinhado
JULLIANE SILVEIRA
da Folha de S.Paulo
Mesmo deixando que fiquem à vontade no chão, nem todos os bebês engatinham. E isso não deve alarmar os pais. Segundo o neuropediatra e chefe do departamento de neurologia infantil da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Luiz Celso Vilanova, cerca de 20% dos bebês pulam essa etapa naturalmente, sem danos ao desenvolvimento.
Ainda assim, o especialista diz que quanto mais contato com o solo, melhor será para o bebê. "A estimulação motora é um dos aspectos para um bom desenvolvimento. Ofereça também objetos de diversas texturas e sons diferentes", sugere.
Apoio
Evitar o andador é o conselho dos especialistas para os modelos tradicionais do aparelho, no qual a criança fica sentada. "É como oferecer muletas a um adulto", compara Maria Aurora Brandão, pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. Para ela, o aparelho tira a possibilidade de a criança usar o próprio corpo para se movimentar e pode obrigá-la a pular etapas.
O problema é acelerar o ritmo do bebê e forçá-lo a ficar em uma posição não-natural para a fase em que vive. Além disso, pode causar acidentes e propiciar um ritmo anormal de marcha. "Se o bebê for colocado no equipamento muito precocemente, terá de andar nas pontas dos pés, o que pode rá encurtar os músculos posteriores da perna e dificultar o andar ", acrescenta Anna Paula Costa, do HC.
Existe, entretanto, um modelo de andador que, de acordo com Costa, pode ajudar na fase dos primeiros passos --somente quando a criança já demonstrar firmeza para dá-los. Ela apoia as mãos na frente do aparelho, como se faz com um carrinho de supermercado, e o usa como um suporte.
Agradecimento: Escola Infantil Clube do Mickey
Reportagem publicada em 17 de janeiro de 2008 pela Folha de S.Paulo
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