Equilíbrio
15/08/2008 - 16h54

Relacionamento amoroso no trabalho requer discrição e bom senso

Publicidade

ERIKA MORAIS
da Revista da Hora

Não há como evitar. Se o local onde você passa a maior parte do seu tempo é o trabalho (e você não está comprometido), a chance de começar um relacionamento entre planilhas, formulários e agenda de reuniões é grande. Para quem trabalha bastante, é uma chance de unir o útil, que é o trabalho, ao agradável: ou seja, encontrar o namorado durante todo o dia, ainda que não seja para beijá-lo e abraçá-lo.

Por outro lado, se os cuidados não forem redobrados, o namoro pode se transformar em problema. Segundo Geraldo Possendoro, psicoterapeuta e professor de medicina comportamental da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a única regra é não generalizar.

"Mas a impressão que eu tenho é que a situação é desgastante para a maioria dos casais que se relacionam no ambiente de trabalho". Segundo o especialista, existe uma diferença grande entre o casal ser "dono" da empresa ou trabalhar para terceiros. "Quando o negócio é próprio, o casal tende a se relacionar melhor, já que luta por um objetivo claro em comum. Porém, quando a empresa é de outros, pode existir um grande estímulo à competição, o que não vai fazer bem", afirma Possendoro.

Mas há quem acredite que as vantagens do relacionamento no trabalho são maiores do que as desvantagens. Para Gláucia Santos, consultora de recursos humanos da Catho --empresa que presta auxílio para recolocação profissional--, muitas empresas vêm permitindo o namoro entre seus funcionários na intenção oferecer cada vez mais qualidade de vida.

"As empresas creditam a boa produtividade à qualidade de vida e ao bem-estar que o relacionamento amoroso proporciona", afirma a consultora de recursos humanos.

A psicóloga da ABPMC (Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental) Patrícia Piazzon Queiroz pondera. "Tudo vai depender de como o casal se comporta no meio social em que vive, no trabalho, em casa ou em uma reunião de amigos", afirma. Para Patrícia, um casal bem resolvido vai saber lidar com a situação muito bem, não deixando que a relação saia prejudicada.

Se um dos lados for ciumento demais, a tensão pode tomar conta do ambiente e prejudicar não só o relacionamento, mas também a produtividade. "Se não existir controle por parte do ciumento, o namoro no trabalho pode ser muito prejudicial por conta do envolvimento necessário e saudável com os colegas de trabalho", alerta a psicóloga.

Uma das dicas dos especialistas é justamente a de não se afastar dos colegas da empresa. "A hora do almoço pode ser um bom momento para o casal ficar junto, mas é importante saber equilibrar a situação e não se isolar dos colegas de trabalho", afirma Patrícia.

Cuidado com fofocas

Uma das principais preocupações de quem começa um namoro no ambiente de trabalho é com as fofocas em torno do relacionamento.

A assistente administrativa Graziella Gomes, 27 anos, que namora há dez meses o supervisor de contratos e colega de trabalho Luciano Fechio, 29 anos, diz que o casal teve sorte. "O fato de termos essa discrição tem sido muito importante, pois nunca fomos vítimas de fofocas e brincadeiras de mau gosto. Pelo contrário", conta a assistente.

Já a assistente de vendas Simonete Santiago de Freitas, 38 anos, que namora Diego Correa da Costa Teves, 25 anos, da área comercial, conta que passou por uma situação constrangedora quando o namoro era motivo de desconfiança entre colegas.

"Um dia, nós dois chegamos atrasados. Eu tinha dentista, e ele tinha ido ao banco. Quando chegamos, toda e empresa estava em polvorosa, achando sabe-se lá o quê. O Diego foi pessoalmente à sala de dois dos nossos diretores e expôs toda a situação, confirmou que tínhamos um relacionamento havia quase um ano e disse que nunca deixamos de ser profissionais por isso", lembra. Ela afirma que, depois disso, as fofocas acabaram.

Mais do que se preocupar com a opinião dos colegas, o casal deve estar atento ao que pensa a empresa. "Cada local tem uma postura sobre o tema. O ideal é saber qual é a política interna antes de assumir o relacionamento", afirma Patrícia.

De acordo com os especialistas, quando a empresa proíbe o namoro entre funcionários, é interessante que uma das partes, se puder, mude de emprego. Se não for possível, a discrição absoluta deve ser mantida para que ninguém fique desempregado.

Na empresa

Não há uma lei que determine regras sobre o assunto. Hoje em dia, as empresas estão mais flexíveis em relação aos relacionamentos no ambiente de trabalho, mas transparência com os superiores e discrição entre os colegas são fundamentais. Quando pintar um relacionamento:

- Procure saber da política da empresa sobre o assunto
- Converse com colegas mais antigos no emprego para saber se já existiram casais no local e qual foi a postura da empresa
- Apenas conte aos superiores se o relacionamento estiver formalizado. Se só estiver "conhecendo melhor" seu colega, mas não tiver certeza de que o namoro vai para a frente, você pode se expor inutilmente
- Quando tiver certeza de que é namoro, fale com seu gestor imediato sobre o relacionamento e diga que o namoro não irá atrapalhar seu rendimento no trabalho

Fonte: Gláucia Santos, consultora de recursos humanos da Catho

Entre o casal

Discrição é a palavra-chave
Mesmo que os chefes e os colegas saibam do namoro, nunca deixe que o assunto tome conta do ambiente de trabalho

Roupa-suja se lava em casa
Não leve problemas do namoro para o trabalho

Trate seu amor como trata os outros colegas
Nada de beijinhos, carinhos ou apelidos. Isso gera fofoca e, dependendo da postura da empresa, uma advertência ou até demissão por justa causa

Atenção redobrada
A partir do momento em que seu superior souber da existência do relacionamento, redobre a atenção no seu trabalho, pois qualquer deslize poderá ter um peso maior

Indicação
Se um dos dois entrar na empresa por meio de indicação do parceiro, deixe isso claro para o departamento de recursos humanos se for o indicador. Se for o indicado, informe se for perguntado

Cuidado com os excessos
Evite excesso de ligações e visitas constantes à mesa um do outro. Não troque e-mails pessoais. Por algum erro, eles podem parar nas mãos de outras pessoas e, além de dar espaço a fofocas, isso pode causar punições e até demissões

Hora do almoço
Aproveitem para ficar mais próximos, porém, se a refeição for dentro da empresa, a discrição deve ser mantida. No entanto, não se isolem dos colegas. Procurem conciliar esses momentos

Meu amor é meu chefe
Quando um dos parceiros é o chefe do outro, os cuidados devem ser redobrados. Se é subordinado, não deixe de ser profissional, cumprindo seus horários e mantendo sua produtividade. Conteste quando tiver de contestar. Se for o chefe, não faça cobranças demais nem de menos

Fonte: Gláucia Santos, consultora de recursos humanos da Catho

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca