23/03/2007
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09h15
da Folha de S.Paulo
No Brasil, ainda é raro encontrar massagem como complemento a tratamentos. A Folha entrou em contato com diversos hospitais de São Paulo, particulares ou ligados a universidades como a USP (Universidade de São Paulo) e a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), mas nenhum deles oferece esse tipo de serviço.
O que acontece é que alguns médicos, individualmente, recomendam que seus pacientes procurem a técnica. Como a capacidade de aliviar tensões musculares é um dos efeitos da massagem mais aceitos entre os médicos, as indicações mais freqüentes são de áreas como medicina esportiva, ortopedia e fisiatria.
"Indicamos bastante, principalmente para reduzir as dores musculoesqueléticas. Complementa o tratamento e geralmente traz muito alívio. Só fica difícil em casos crônicos", diz o fisiatra Gilson Shinzato, do HCor (Hospital do Coração) de São Paulo.
O médico costuma receitar a massagem para dores e espasmos musculares, principalmente como uma preparação para os alongamentos. "O shiatsu e a acupressão, por exemplo, podem ajudar a preparar os pacientes para fazer esses exercícios sem dor."
Segundo Shinzato, a massagem também pode ser útil para quem passou por uma cirurgia cardíaca. "Alguns pacientes sentem uma dor torácica que lembra um infarto. Isso assusta muito. Uma terapia manual bem feita pode fazer a dor desaparecer e aliviar a angústia. O aspecto psicológico, de conforto ao paciente, aliás, é sempre muito importante na massagem", lembra.
Ele alerta, no entanto, para as contra-indicações: "Quem tem infecção, trombose, problema de coagulação ou osteoporose muito grave não deve fazer".
Com diversas hérnias de disco, a terapeuta floral Vera Lúcia Seixas Lopes, 60, passou por vários médicos, ficou dois meses de cama e cogitou a possibilidade de uma cirurgia -até que foi a um ortopedista que indicou a massagem. "Cheguei a tomar morfina, mas nada resolvia. Encontrei um médico que disse que eu não podia ficar tomando antiinflamatórios a vida toda e me encaminhou para a massagem. A dor diminuiu muito", conta.
O massoterapeuta de Lúcia, Mário Rocha, diz que já atendeu pessoas com problemas como enxaqueca decorrente de contraturas na região cervical ou seqüelas motoras de acidente vascular encefálico. Ele trabalha com diversas técnicas orientais (como tuiná e shiatsu) e ocidentais (como drenagem linfática) e diz que poucos médicos conhecem modalidades como a reflexologia. "Eles costumam indicar massagens mais tradicionais, geralmente para problemas musculares."
Para o reumatologista Ari Stiel Radu-Halpern, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia e chefe do grupo de coluna do serviço de reumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, as massagens acabam sendo aplicadas rotineiramente nos hospitais brasileiros pelas mãos dos fisioterapeutas. "Não é verdade que não se usa. Quando um médico pede fisioterapia, isso pode incluir tratamento manual. A massagem é um dos instrumentos do fisioterapeuta", diz.
Ele indica o método para alguns pacientes e o considera eficaz para diminuir a dor. "Tem eficácia analgésica, sim. Ao atuar sobre a musculatura, provoca alívio nas contrações musculares, que podem ser a própria causa da dor. Mas a maior ou menor eficácia depende da situação. Como o efeito é de curta duração, é melhor para dores agudas."
Em sua opinião, não dá para dizer que a massagem é uma panacéia nem que seja sem utilidade. "O grande erro é procurar a massagem para algum problema de saúde sem antes ir a um médico. Quem fizer isso pode deixar de ter um diagnóstico e uma indicação de tratamento corretos. É um tratamento adjuvante, e não de base", alerta.
A cinesiologista Mariana Esposel Meyer, que trabalha na clínica de Radu-Halpern, afirma que a massagem vai muito além do relaxamento e da estética. Segundo ela, dois efeitos imediatos da técnica são a melhora na circulação e no humor. "Há liberação de endorfina, da mesma forma que ocorre após um exercício físico. Também acontece uma melhora na retenção de líquidos."
Entre os benefícios mais duradouros, ela cita a regularização das funções hormonais. "A massagem tem um ritmo, uma ordem a ser seguida. Isso estimula as glândulas que secretam hormônios", explica.
Meyer utiliza o método principalmente para gerenciar a dor de pacientes em reabilitação, mas diz que é possível usá-lo para outros propósitos. "Dá, por exemplo, para regularizar o intestino de quem tem prisão de ventre com massagem, apalpando o bolo alimentar e movendo-o manualmente no sentido do funcionamento desse órgão. É delicado e um pouco dolorido, por isso tem que ser realizado por um profissional que saiba o que está fazendo, mas é eficaz", afirma, ressaltando que tudo isso tem que ser feito aliado a uma alimentação adequada.
"A massagem sozinha vai até um certo ponto. Se você recebe uma massagem e em seguida pega um trânsito de uma hora e meia, o efeito não dura muito."
A prisão de ventre é um dos vários problemas de saúde que o massoterapeuta Kiyoshi Nagaoka afirma aliviar. Segundo ele, que trabalha há quase 40 anos na área, a massagem pode ajudar, por exemplo, contra enxaqueca, problemas nos rins ou na tireóide. "O grande detalhe é regularizar a circulação sangüínea, o que costuma gerar melhora no processo que a pessoa apresenta", diz.
Segundo Nagaoka, poucos médicos acreditam nesse tipo de trabalho. Mas alguns de seus pacientes garantem que conseguiram melhorar muito com a técnica do massoterapeuta.
A assistente de consultório dentário Marisa Carvalho Gomes, 52, diz que a massagem a ajudou a superar diversos problemas, de inflamação no cotovelo a questões ginecológicas. "Tinha cisto de mama e vivia fazendo punções. Também estava com corrimento vaginal. Meu ginecologista ficou bobo quando viu que meus exames normalizaram", conta.
O administrador de empresas Fernando Lopes Nunes, 82, conta que a massagem ajudou a regularizar o funcionamento de seus rins. "Melhorou bastante. Quando não vou às sessões, sinto falta."
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FLÁVIA MANTOVANIda Folha de S.Paulo
No Brasil, ainda é raro encontrar massagem como complemento a tratamentos. A Folha entrou em contato com diversos hospitais de São Paulo, particulares ou ligados a universidades como a USP (Universidade de São Paulo) e a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), mas nenhum deles oferece esse tipo de serviço.
O que acontece é que alguns médicos, individualmente, recomendam que seus pacientes procurem a técnica. Como a capacidade de aliviar tensões musculares é um dos efeitos da massagem mais aceitos entre os médicos, as indicações mais freqüentes são de áreas como medicina esportiva, ortopedia e fisiatria.
"Indicamos bastante, principalmente para reduzir as dores musculoesqueléticas. Complementa o tratamento e geralmente traz muito alívio. Só fica difícil em casos crônicos", diz o fisiatra Gilson Shinzato, do HCor (Hospital do Coração) de São Paulo.
O médico costuma receitar a massagem para dores e espasmos musculares, principalmente como uma preparação para os alongamentos. "O shiatsu e a acupressão, por exemplo, podem ajudar a preparar os pacientes para fazer esses exercícios sem dor."
Segundo Shinzato, a massagem também pode ser útil para quem passou por uma cirurgia cardíaca. "Alguns pacientes sentem uma dor torácica que lembra um infarto. Isso assusta muito. Uma terapia manual bem feita pode fazer a dor desaparecer e aliviar a angústia. O aspecto psicológico, de conforto ao paciente, aliás, é sempre muito importante na massagem", lembra.
Ele alerta, no entanto, para as contra-indicações: "Quem tem infecção, trombose, problema de coagulação ou osteoporose muito grave não deve fazer".
Com diversas hérnias de disco, a terapeuta floral Vera Lúcia Seixas Lopes, 60, passou por vários médicos, ficou dois meses de cama e cogitou a possibilidade de uma cirurgia -até que foi a um ortopedista que indicou a massagem. "Cheguei a tomar morfina, mas nada resolvia. Encontrei um médico que disse que eu não podia ficar tomando antiinflamatórios a vida toda e me encaminhou para a massagem. A dor diminuiu muito", conta.
O massoterapeuta de Lúcia, Mário Rocha, diz que já atendeu pessoas com problemas como enxaqueca decorrente de contraturas na região cervical ou seqüelas motoras de acidente vascular encefálico. Ele trabalha com diversas técnicas orientais (como tuiná e shiatsu) e ocidentais (como drenagem linfática) e diz que poucos médicos conhecem modalidades como a reflexologia. "Eles costumam indicar massagens mais tradicionais, geralmente para problemas musculares."
Para o reumatologista Ari Stiel Radu-Halpern, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia e chefe do grupo de coluna do serviço de reumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, as massagens acabam sendo aplicadas rotineiramente nos hospitais brasileiros pelas mãos dos fisioterapeutas. "Não é verdade que não se usa. Quando um médico pede fisioterapia, isso pode incluir tratamento manual. A massagem é um dos instrumentos do fisioterapeuta", diz.
Ele indica o método para alguns pacientes e o considera eficaz para diminuir a dor. "Tem eficácia analgésica, sim. Ao atuar sobre a musculatura, provoca alívio nas contrações musculares, que podem ser a própria causa da dor. Mas a maior ou menor eficácia depende da situação. Como o efeito é de curta duração, é melhor para dores agudas."
Em sua opinião, não dá para dizer que a massagem é uma panacéia nem que seja sem utilidade. "O grande erro é procurar a massagem para algum problema de saúde sem antes ir a um médico. Quem fizer isso pode deixar de ter um diagnóstico e uma indicação de tratamento corretos. É um tratamento adjuvante, e não de base", alerta.
A cinesiologista Mariana Esposel Meyer, que trabalha na clínica de Radu-Halpern, afirma que a massagem vai muito além do relaxamento e da estética. Segundo ela, dois efeitos imediatos da técnica são a melhora na circulação e no humor. "Há liberação de endorfina, da mesma forma que ocorre após um exercício físico. Também acontece uma melhora na retenção de líquidos."
Entre os benefícios mais duradouros, ela cita a regularização das funções hormonais. "A massagem tem um ritmo, uma ordem a ser seguida. Isso estimula as glândulas que secretam hormônios", explica.
Meyer utiliza o método principalmente para gerenciar a dor de pacientes em reabilitação, mas diz que é possível usá-lo para outros propósitos. "Dá, por exemplo, para regularizar o intestino de quem tem prisão de ventre com massagem, apalpando o bolo alimentar e movendo-o manualmente no sentido do funcionamento desse órgão. É delicado e um pouco dolorido, por isso tem que ser realizado por um profissional que saiba o que está fazendo, mas é eficaz", afirma, ressaltando que tudo isso tem que ser feito aliado a uma alimentação adequada.
"A massagem sozinha vai até um certo ponto. Se você recebe uma massagem e em seguida pega um trânsito de uma hora e meia, o efeito não dura muito."
A prisão de ventre é um dos vários problemas de saúde que o massoterapeuta Kiyoshi Nagaoka afirma aliviar. Segundo ele, que trabalha há quase 40 anos na área, a massagem pode ajudar, por exemplo, contra enxaqueca, problemas nos rins ou na tireóide. "O grande detalhe é regularizar a circulação sangüínea, o que costuma gerar melhora no processo que a pessoa apresenta", diz.
Segundo Nagaoka, poucos médicos acreditam nesse tipo de trabalho. Mas alguns de seus pacientes garantem que conseguiram melhorar muito com a técnica do massoterapeuta.
A assistente de consultório dentário Marisa Carvalho Gomes, 52, diz que a massagem a ajudou a superar diversos problemas, de inflamação no cotovelo a questões ginecológicas. "Tinha cisto de mama e vivia fazendo punções. Também estava com corrimento vaginal. Meu ginecologista ficou bobo quando viu que meus exames normalizaram", conta.
O administrador de empresas Fernando Lopes Nunes, 82, conta que a massagem ajudou a regularizar o funcionamento de seus rins. "Melhorou bastante. Quando não vou às sessões, sinto falta."
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