Pai e mãe dividem responsabilidades com guarda compartilhada
PAULA LAGO
da Folha de S.Paulo
Pai para um lado, mãe para o outro, e o filho, como fica? Em geral, quando os pais se separam, a criança fica com a mãe e só vê o pai de 15 em 15 dias. Mas não precisa ser assim.
Uma lei, que passou a valer recentemente, mostra uma outra forma de lidar com filhos de pais separados que alguns ex-casais já usam: a responsabilidade sobre o filho não tem que ser só da mãe.
| lan Marques/Folha Imagem |
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| Os irmãos Vinicius Mendonça Costa, 9, e Otávio, 6, passam parte da semana na casa da mãe e a outra parte na casa do pai |
O nome é complicado, "guarda compartilhada", mas é fácil de entender: é que o pai também pode estar mais pertinho do dia-a-dia do filho, em vez de só levá-lo para passear e brincar no fim de semana.
Os irmãos Vinicius Mendonça Costa, 9, e Otávio, 6, passam parte da semana na casa da mãe, Ana Tereza Toni, e a outra parte, na casa do pai, Gilberto Costa. Quando é dia de estar com a mãe, surpresa! Quem vai buscar as crianças na escola é o pai, e vice-versa. Assim, diz Ana, "nos vemos todos os dias".
Vinicius gosta do esquema: "É bom ter duas casas, a gente tem tudo em dobro e mais amigos diferentes". E se fosse para ver o pai só às vezes? "Eu iria ficar com saudade, querer saber como ele está. E ele também."
Mas Otávio prefere a casa da mãe. "Ele pergunta sempre se é dia de ir à casa dela", entrega o irmão.
Os pais de Amanda Marciano Rodrigues Paulino, 10, também são separados, mas ela não fica mudando de casa. Ela mora com a mãe em Goiânia (GO) e o pai dela vive em São Paulo.
Mas, graças ao "kit" MSN, Skype e telefone, eles se falam todos os dias. "Meu pai não pode vir para cá direto, mas, assim, me ajuda nas lições, tira as minhas dúvidas. E divido as coisas da minha vida com os dois, porque eu não amo só um deles", conta.
| Rafael Hupsel/Folha Imagem |
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| Gabriel Amorim Vaz Placé, 4, mora com o pai, Carlos Alberto, desde o ano passado e costuma ver a mãe a cada duas semanas |
Skate na cozinha
A vida de Gabriel Amorim Vaz Placé, 4, é diferente da da maioria dos filhos de pais separados porque é a mãe que ele vê a cada 15 dias ou "quando dá saudade", diz. Ele mora com o pai, Carlos Alberto Vaz Placé, desde o ano passado.
O resto é igual a qualquer família: o pai dá bronca quando precisa, ajuda Gabriel a se arrumar, deixa guardar o skate na cozinha... Opa! Isso não é comum, não. Mas o Gabriel tem sorte: o pai dele gosta de skate.
E, quando vai ficar na casa da mãe, ele se prepara. "Na mamãe, eu brinco com meus carrinhos", item principal da bagagem.
Reportagem publicada pela "Folhinha", da Folha de S.Paulo, em 9 de agosto de 2008.
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