Equilíbrio
02/10/2008 - 14h01

Em excesso, proteínas do leite podem desregular organismo do bebê

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JULLIANE SILVEIRA
da Folha de S.Paulo

Um estudo conduzido pela Universidade de Munique (Alemanha) com 900 crianças comparou os efeitos da ingestão das proteínas do leite de vaca (que contém até cinco vezes mais proteínas do que o materno) com o consumo de leite humano.

Mães e Filhos

Os resultados, apresentados em agosto no 3º Congresso Mundial de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica, em Foz do Iguaçu, sugerem que produtos com alto teor de proteína podem desregular a secreção de insulina, o que facilitaria o desenvolvimento de obesidade e diabetes na vida adulta.

Ao final de dois anos, as crianças que ingeriram leite com alto teor de proteínas estavam mais gordinhas do que aquelas que consumiram leite materno ou fórmulas com níveis reduzidos de proteínas.

As fórmulas são seguras, mas é preciso atenção para não exagerar na quantidade oferecida à criança, hábito comum, já que a mamadeira é freqüentemente associada a um momento de conforto. Isso evita a ingestão de proteínas em excesso --segundo os especialistas, um bebê com um ano precisa de 700 ml de leite por dia.

"Alimentar em excesso os bebês é um fator de risco para sobrepeso e problemas de saúde associados, como também mostram diversos outros estudos", disse à Folha Bert Koletzko, pesquisador principal do estudo.

As proteínas modificadas do leite de vaca podem ainda desencadear alergias ou causar desconfortos gastrointestinais no organismo do bebê, que ainda não está suficientemente amadurecido para receber substâncias de outra espécie. "Isso pode acontecer com o que chamamos de "mamadeira sensibilizante", o leite artificial que algumas maternidades ainda insistem em dar para o recém-nascido sem necessidade", alerta Roseli Sarni.

Ao nascer, os bebês têm reservas suficientes para esperar a fase de adaptação entre si e a mãe, sem que seja necessário oferecer alimentação artificial nesse período.

De acordo com Sarni, é preciso atenção ao escolher as fórmulas pois os índices de proteínas nos produtos variam muito. Há itens que contêm os valores máximos de proteínas permitidos pela legislação e outras opções com teores mais reduzidos --o pediatra pode ajudar na escolha.

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