Número de mortes sobe em dias poluídos; negros e mulheres são mais vulneráveis
da Folha de S.Paulo
Uma análise envolvendo quase 3 milhões de mortes nos EUA, além de comprovar que a taxa de mortalidade cresce nos dias mais poluídos, apontou os grupos mais suscetíveis à poluição.
O maior fator de risco é a idade avançada. Entre os idosos, as mulheres morrem mais. A chance de morte aumenta em pessoas com fibrilação atrial (uma espécie de arritmia). E no estudo, conduzido pela faculdade de saúde pública da Universidade Harvard, os negros mostraram-se mais vulneráveis.
Paulo Saldiva, do laboratório de poluição da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, diz que, no caso dos negros, o risco pode estar relacionado a fatores socioeconômicos.
"Faço um paralelo com algo observado em São Paulo: com os mesmos níveis de poluição, o aumento da mortalidade é de 2% em Cerqueira César [bairro de classe média] e de 12% em São Miguel Paulista [extremo leste da cidade]."
Quanto aos cardiopatas e às mulheres, Saldiva diz que os efeitos da poluição são semelhantes aos do cigarro.
"Expostas a poluentes, as mulheres desenvolvem mais doenças respiratórias do que os homens. Essa exposição também diminui a capacidade coronária e aumenta a coagulação do sangue, o que pode ser fatal para quem tem doença cardiovascular."
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