Substância similar a hormônio combate insônia em plantões e "jet lag"
da Efe, em Londres
Um tratamento com tasimelteon, equivalente ao hormônio melatonina, é capaz de alterar o relógio biológico e, assim, evitar a insônia transitória produzida pelos plantões noturnos ou o "jet lag" (mal causado por viagens para fusos horários diferentes).
Em artigo publicado pela revista médica britânica "The Lancet", cientistas do Brigham and Women's Hospital --pertencente à Harvard School of Medicine de Boston-- e da Monash University, da Austrália, explicam que esta substância ajuda a dormir melhor e a mudar os ciclos circadianos.
As desordens do ritmo circadiano são a causa mais comum da insônia e afetam milhões de pessoas, incluindo aquelas que trabalham à noite ou que atravessam vários fusos horários quando viajam.
Esses distúrbios caracterizam-se por alterações persistentes e recorrentes do sono, dificuldade para dormir e excessiva inércia quando se está acordado.
A insônia acontece quando as horas de sono programadas ou desejadas não são compatíveis com os ritmos circadianos do corpo humano.
O tasimelteon, a substância utilizada pelos pesquisadores para lutar contra a insônia transitória, é um equivalente da melatonina, um hormônio sintetizado pela glândula pineal que está relacionado com o sono e a vigília.
Os cientistas, que já finalizaram as fases dois e três da pesquisa do medicamento, afirmam que ela poderia ser a primeira linha terapêutica para as pessoas que acusam os efeitos de viajar por diversos fusos horários ou que trabalham à noite ou muito cedo pela manhã.
Graças à polissonografia, mediu-se a quantidade de sono dos indivíduos, calculada por meio do percentual de tempo que passaram na cama e do que demoraram a adormecer.
Por sua parte, a mudança no tempo do relógio biológico interno foi medida através do ritmo do plasma da melatonina.
Em ambas as fases do estudo, quando os indivíduos tentaram dormir em uma hora diferente da habitual, o tasimelteon reduziu o tempo que demoraram para conciliar o sono e aumentou o tempo que passaram deitados em comparação com o grupo placebo.
Além disso, o ritmo do plasma da melatonina mudou antes graças à substância e os efeitos adversos foram similares no grupo controle e no qual o medicamento foi usado.
Assim, o tasimelteon mudou os ciclos circadianos de modo que se evitou a insônia transitória derivada de modificações no sono.
Os cientistas destacam que o desenvolvimento de equivalentes da melatonina não só ajudará a combater a insônia, mas também contribuirá para entender melhor o papel desse hormônio na regulação do sono.
Leia mais
- Travesseiro correto ajuda a reduzir ronco, dores e cansaço
- Dieta, sono e estresse são gatilhos de enxaqueca
- Horário de verão pode afetar saúde cardiovascular, diz estudo
- Doença do mau humor acomete três vezes mais mulheres do que homens
- Demora para dormir é comum em crianças de até 5 anos
Especial
Livraria

