Escolher brinquedo seguro exige atenção; veja conselhos de especialistas
AMARÍLIS LAGE
da Folha de S.Paulo
Na carta para o Papai Noel, a meninada faz seus pedidos: um urso fofo, uma boneca gigante, um carrinho reluzente... Cabe aos pais acrescentar no canto da carta mais uma orientação: que o brinquedo seja seguro.
Um dos primeiros aspectos a prestar atenção é a qualidade do brinquedo. Os que são voltados para crianças até 14 anos devem apresentar o selo do Inmetro. Isso significa que o brinquedo passou por testes como os de impacto, de inflamabilidade e de mordida --para ver se a criança consegue arrancar pedaços pequenos da peça com a boca. As peças sem o selo não foram submetidas aos testes ou não foram aprovadas neles.
E não é só no comércio informal que os brinquedos sem certificação estão à venda. A "Operação Papai Noel", realizada pelo Ipem (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo) entre os dias 1º e 5 deste mês, confiscou 612 brinquedos que estavam sendo vendidos sem o selo do Inmetro em quatro lojas de São Paulo e São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). Mais 495 brinquedos irregulares foram apreendidos em 11 lojas de São José dos Campos, São José do Rio Preto, Campinas e Bauru.
| Rafael Hupsel/Folha Imagem |
![]() |
| Luisa Klink de Melo, 7, segura balões na Praça do Pôr-do-Sol, localizada na zona oeste da cidade de São Paulo |
Para complicar, mesmo os brinquedos certificados viraram alvo de desconfiança depois que marcas como Mattel e Gulliver promoveram o recall de algumas peças. Mas, segundo Alessandra Françoia, coordenadora da ONG Criança Segura, os brinquedos à venda no país são seguros. "Depois que as peças foram recolhidas, o Inmetro avisou que seria mais rigoroso na certificação", diz.
Gustavo Kuster, gerente de regulamentação do Inmetro, ressalta que, no Brasil, a medida foi preventiva --já que aqui não houve registro de acidentes. Depois disso, conta, o Inmetro mudou as regras para a importação. Até então, era feita uma certificação no país de origem do brinquedo, e os testes eram repetidos a cada seis meses, no país produtor e no Brasil. Após o recall, a regra passou a ser testar cada lote de brinquedos que chega ao país.
Depois de o presente ser devidamente escolhido, embrulhado e colocado sob a árvore, a missão de pais e cuidadores não termina.
"O selo do Inmetro assegura que o brinquedo é resistente, que não tem materiais tóxicos. Mas não garante que a criança não irá se machucar", afirma o pediatra Tulio Konstantyner, pesquisador do projeto CrechEficiente, da Universidade Federal de São Paulo.
Depois da seleção, vêm a supervisão, a manutenção e o armazenamento, avisa a pediatra Renata Waksman, presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria. "Brinquedo não é babá de criança", ressalta.
PARA SABER MAIS
*"Crianças e Adolescentes Seguros - Guia Completo para Prevenção de Acidentes e Violências"
Autores: Renata Dejtiar Waksman, Regina Maria Catucci Gikas e Wilson Maciel
Editora: Publifolha
*Manual CrechEficiente - Guia Prático Para Educadores e Gerentes
Autores: José Augusto de A. C. Taddei, Anne Lise Dias Brasil, Domingos Palma, Denise Ely Bellotto de Moraes, Luciana Cisoto Ribeiro e Fabio Ancona Lopez
Editora: Manole
Site da ONG Criança Segura
www.criancasegura.org.br
Site do Inmetro
www.inmetro.gov.br
Leia mais
- Veja 20 pontos importantes para comprar um brinquedo seguro
- Folhinha lança o Almanaque do Brinquedo
- Educador defende brinquedos de sucata para interação pai e filho
Leia mais
- "Cosmetofood" promete juventude e beleza por meio da alimentação
- Brasil vai ter programa para tornar cirurgias mais seguras
- EUA aprovam substância para aumentar cílios
- Indiana de 70 anos faz fertilização e é mãe pela primeira vez
Especial
- Saiba mais sobre maternidade, gravidez, puericultura e infância
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria


