Equilíbrio
19/02/2009 - 12h16

Casais realizam antigos sonhos após saída dos filhos de casa

Publicidade

JULLIANE SILVEIRA
da Folha de S.Paulo
DESIREÊ ANTONIO
MAURÍCIO HORTA
colaboração para a Folha de S.Paulo

"Vocês já são homens. É hora de seguir seus próprios caminhos", disse o desenhista e professor universitário Fábio Mestriner, em 2000, aos filhos Igor, então com 19 anos, e Bruno, 17. O caçula foi morar com uma tia, o mais velho dividiu apartamento com um amigo, e Fábio recomeçou a vida com sua mulher, Ana Carletto, como no dia do seu casamento, há 32 anos.

Veja a seção Mães e Filhos

O casal vendeu a casa -então quartel-general dos amigos dos filhos tomado por duas bandas, namoradas e torcidas de futebol- e mudou-se para um pequeno apartamento. De móveis, levaram apenas um colchão -como em 1976, quando alugaram um apartamento.

E agora realizam um projeto de quando se casaram: com o dinheiro da venda da casa, compraram um terreno ao lado de uma reserva florestal e constroem uma casa onde poderão trabalhar com arte. Os filhos serão apenas convidados.

Caio Guatelli/Folha Imagem
Fábio Mestriner e Ana Carletto curtem o novo apartamento, adquirido depois que os dois filhos, Igor e Bruno, saíram de casa
Fábio Mestriner e Ana Carletto curtem o novo apartamento, adquirido depois que os dois filhos, Igor e Bruno, saíram de casa

A ideia de transformar a saída de casa dos filhos numa época de planos comuns a serem realizados e tempo (de qualidade) a ser compartido tem ganhado força. E derrubado a teoria de que a mudança deixava o ninho vazio e um rastro mais de tristeza do que de alívio.

Estudo da Universidade da Califórnia (EUA), que analisou por 18 anos a satisfação com o casamento de 123 mulheres, mostrou que a qualidade do tempo que os parceiros passam juntos melhorou com os anos.

As entrevistadas julgaram o próprio relacionamento conjugal desde os 40 anos, quando os filhos ainda moravam com a família, até os 60 anos, quando eles já tinham deixado a casa.

Os resultados mostraram que as mulheres se tornavam mais felizes com os anos. "Os casais se tornaram mais felizes com o casamento. Não houve evidência de que o ninho vazio fosse devastador para as mães", disse à Folha Sara Gorchoff, do Departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia.

O "ninho vazio" não representou apenas mais tempo ao lado do outro. A pesquisa mostrou que a companhia ganhou mais qualidade -fator fundamental para que a satisfação com o casamento se elevasse. "Para o casal, é uma forma de aproximação, a oportunidade de retomar projetos inacabados ou interrompidos pela chegada dos filhos. Isso é um aspecto positivo", analisa Silvia Pereira Benetti, professora do programa de pós-graduação em psicologia da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos).

Veja a reportagem completa na edição de hoje da Folha de S.Paulo (exclusivo para assinantes do jornal e UOL).

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca