Associação proporciona conforto a crianças com câncer na ida ao hospital
FLÁVIA MANTOVANI
da Folha de S.Paulo
Johnnys Bezerra, 15, e Paula Antunes, 11, têm em comum uma história de luta contra o câncer. Para enfrentar vários tumores, passaram por tratamentos que afetaram sua capacidade de locomoção. Não bastasse isso, enfrentavam até duas horas de ônibus e metrô para ir de sua casa, respectivamente nas zonas leste e norte de São Paulo, até o hospital, mais central.
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| Rafael Hupsel/Folha Imagem |
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| Paula Diana Antunes vai com a mãe, Vanilde Antunes, e Johnnys Bezerra em Kombi da entidade sem fins lucrativos em São Paulo |
"Chegávamos ao metrô no horário de pico. Todo mundo se empurrava, ele chegou a cair no chão", conta Jonas Bezerra, pai de Johnnys. "Ela não aguentava ficar em pé e passava muito mal por causa da químio. E tinha gente que não cedia lugar", diz Vanilde Antunes, mãe de Paula.
Hoje, eles continuam em tratamento, mas têm muito mais conforto nessas idas e vindas. São atendidos pela Ahpas (Associação Helena Piccardi de Andrade Silva), entidade sem fins lucrativos que transporta crianças com câncer, encaminhadas pelos hospitais. O nome é homenagem à filha da fundadora, Tatiana Piccardi, que morreu de câncer aos cinco anos. "No hospital, vi a dificuldade das famílias que usam transporte público. A criança tem dor, baixa imunidade, enjoa, às vezes não anda", diz Tatiana.
Os veículos rodam 400 km por dia, transportando pacientes que moram a até 50 km do hospital. "Buscamos na porta, damos lanche, brinquedos, travesseiro. Elas descansam, ficam mais alegres e dispostas. E isso ajuda a aderir ao tratamento."
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