Lesões obtidas em computador crescem 732% em 12 anos nos EUA
RACHEL BOTELHO
da Folha de S.Paulo
O número de lesões agudas que envolvem computadores e seus acessórios nos EUA aumentou 732% de 1994 a 2006, e as crianças pequenas são as principais vítimas de acidentes relacionados ao equipamento.
Diferentemente de outros estudos, que associaram o surgimento de doenças crônicas ao uso de computador, a nova pesquisa, do Center for Injury Research and Policy do Nationwide Children's Hospital, concentrou-se no número de ferimentos agudos, que passou de 1.300 para 9.300 por ano.
Entre os problemas mais comuns, estão os cortes (39%) e as contusões e escoriações (23% cada uma). Crianças menores de cinco anos são as mais suscetíveis a essas lesões e integram o grupo em que houve maior aumento de ferimentos.
A maioria dos ferimentos em crianças pequenas atingiu a cabeça, enquanto mais da metade do total foi nas extremidades.
A causa mais comum das lesões agudas foram pancadas ou "enganchadas" em parte do computador (37%), seguidas pela queda do equipamento sobre a pessoa (21%). Em crianças menores de cinco anos e em idosos, a maior causa de ferimentos foi tropeçar ou cair sobre o computador.
Em entrevista à Folha, a autora do estudo, Lara McKenzie, afirmou que a maioria das crianças se feriu ao brincar próximo ao equipamento ou ao tentar escalá-lo. "Todos os casos foram sérios o suficiente para que os pacientes procurassem um hospital, mas apenas 1% ficou internado", disse.
Para Cid Fernando Pinheiro, responsável pela equipe de pediatria do Hospital São Luiz, o número de lesões é significativo e o tempo de estudo é extenso. Ele pondera, no entanto, que os ferimentos foram causados por um objeto qualquer, e não estão relacionados ao uso do aparelho.
Alessandra Françoia, coordenadora nacional da ONG Criança Segura, defende que ambientes frequentados por crianças, incluindo o escritório, sejam adaptados a elas.
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