Equilíbrio
21/09/2009 - 09h38

Vik Muniz reúne 1.200 para foto de campanha contra a Aids

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DANIELA MERCIER
colaboração para a Folha de S.Paulo

O beijo como símbolo da proximidade e afeto. Com essa proposta, cerca de 1.200 pessoas portadoras do vírus HIV e familiares se reuniram ontem em Guarulhos (Grande SP) para um ensaio fotográfico contra o preconceito.

O trabalho é assinado pelo fotógrafo e artista plástico paulistano Vik Muniz, 48, e integra a nova campanha do Programa Nacional de Luta Contra a Aids, do Ministério da Saúde.

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Joel Silva/Folha Imagem
Vik Muniz fotografa cerca de 1.200 pessoas com imagem de um casal beijando dentro do ginasio Thomeozão, em Guarulhos
Vik Muniz fotografa cerca de 1.200 pessoas com imagem de um casal beijando dentro do ginasio Thomeozão, em Guarulhos

A proposta de Muniz era produzir um mosaico a partir de cinco fotografias que representam diferentes formas de amor. As fotos originais feitas pelo artista mostram cenas de beijo entre casais homossexuais e heterossexuais. Há também um foto com um beijo entre mãe e filho e um autorretrato do artista, uma das marcas do trabalho de Muniz, conhecido por montagens com diferentes tipos de material, como arame e açúcar.

Na segunda parte do trabalho, realizada ontem, as imagens foram estendidas por pessoas anônimas, na arquibancada de um ginásio.

Cada foto reúne 600 pessoas -era essa a expectativa inicial de participantes. De acordo com o ministério, 1.500 pessoas se inscreveram para participar do projeto pela internet e em centros de apoio a pessoas com Aids de dez cidades paulistas. O resultado do trabalho será lançado em 1º de dezembro, Dia Mundial da Luta Contra a Aids -não foram definidos os locais das exposições. Neste ano, a campanha nacional terá como tema "Não ao preconceito a pessoas com HIV e Aids".

Pesquisa realizada em 2008 pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), vinculada ao ministério, mostra que o preconceito ainda é um obstáculo para a qualidade de vida de pessoas com Aids. De 1.275 soropositivos entrevistados, 70% afirmaram ter tido alguma perda social relacionada ao HIV e 31,1% disseram se sentir discriminados pela família, por amigos ou pela comunidade. Para 42,5%, houve perdas também no trabalho.

Segundo o ministério, o país registrou 506 mil casos de Aids entre 1980 e 2008.

 

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