Equilíbrio

SAÚDE

30/05/2001 - 19h41

Coma com qualidade durante a gestação e se preocupe mais na hora de amamentar

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da Folha Online

A recomendação é simples e é a base para uma alimentação saudável durante a gravidez: qualidade, não quantidade. "Comer por duas pessoas" é um conceito ultrapassado e muitas vezes uma desculpa esfarrapada, que só contribui para o aumento excessivo de peso da gestante, sem trazer benefícios.

"Da mesma maneira que antes da gravidez, a mulher deve ter uma alimentação balanceada, equilibrando a ingestão de gorduras, proteínas e carboidratos", diz o ginecologista e obstetra Abner Lobão Neto, coordenador do pré-natal personalizado da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Cada grupo exerce uma função na alimentação. As proteínas, encontradas na carne, no peixe e nos grãos, são importantes para a formação do bebê. Já os carboidratos, presentes nos cereais e nas massas, são fonte de energia para a mãe e para a criança. A ingestão de gorduras, embora necessária, deve ser pequena.

A professora de nutrição da Unifesp Anita Sachs recomenda ainda a ingestão de, no mínimo, uma fruta fonte de vitamina C (laranja, mamão, goiaba e manga, por exemplo) por dia.

Beber pelo menos dois litros de líquido por dia é outro ponto fundamental. Quanto mais líquido for consumido, melhor será o funcionamento do organismo da gestante.

Complementação

No entanto, mesmo tendo uma boa dieta alimentar, a mulher geralmente precisa de suplementos vitamínicos e alimentares durante a gravidez, sempre com orientação médica.

"Os alimentos nem sempre são suficientes para suprir determinadas substâncias importantes para o desenvolvimento adequado da gestação", diz a nutricionista Mônica Inês Jorge, da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo).

Uma das carências compensadas com a ingestão de medicamento é o ácido fólico, que evita o risco de má formação do sistema neurológico do bebê. Outra substância necessária é o ferro (sulfato ferroso). Embora presente em alimentos como a carne e o feijão, muito consumidos pelos brasileiros, a mulher necessita de uma quantidade maior durante a gravidez do que a adquirida por meio desses alimentos.

"O bebê precisa de ferro para constituir os tecidos e o sangue. No caso da gestante, é necessário para prevenir a perda de sangue", afirma Lobão Neto.

A partir do segundo trimestre de gravidez, a mulher necessita de uma quantidade extra de calorias, cerca de 300 a mais. "Isso não é muita coisa em termos de alimento. Pode ser traduzido em um lanche, que seria um copo de leite e um pãozinho francês com queijo", afirma Mônica.

Quem quiser pode também optar pelo aumento da quantidade de alimentos ingeridos durante o dia. "Para chegar às 300 calorias, ela pode tomar um copo a mais de leite, comer mais quatro colheres de arroz ou meio bife", diz Anita.

Mudanças

Fazer restrições alimentares ou regimes durante a gestação está fora de cogitação. Essa não é, definitivamente, uma boa época para alterações bruscas na alimentação. Para algumas mulheres, no entanto, a gravidez pode ser uma fase de mudanças positivas, uma espécie de ânimo para criar bons hábitos alimentares e começar a ingerir alimentos que não comia antes, mas que são importantes.

"A gestante começa a ter responsabilidade sobre outra vida e assume uma postura diferente. É um bom momento para aprender a escolher os alimentos e tomar consciência de que a qualidade é mais importante do que a quantidade", afirma Mônica.

Enjôo

Os três primeiros meses de gestação são determinantes. Por este motivo é indispensável manter uma boa alimentação, o que nem sempre é possível em razão dos enjôos característicos da fase.

"O enjôo aparece porque há uma mudança radical no perfil hormonal da grávida, mas ela precisa continuar se alimentando bem porque todos os órgãos do bebê são formados nesse período. Se houver falha, pode ocorrer má formação", diz Lobão Neto.

Para evitar os enjôos, a gestante deve evitar a ingestão de líquido junto da comida, dar um espaço entre as refeições e dividi-las em porções pequenas, além de evitar alimentos que não são tolerados pelo organismo. Se mesmo fazendo tudo isto o enjôo não passar, o jeito é pedir ao médico um remédio para evitá-los.

Peso ideal

O número de quilos adquiridos durante a gravidez varia muito de mulher para mulher. O acréscimo de peso considerado ideal ao final da gestação varia de 10 quilos a 12 quilos.

"A recomendação da OMS [Organização Mundial de Saúde] é que a mulher tenha um aumento em torno de dez quilos, podendo variar de 9 a 12. Acima de 12 quilos, ela pode começar a ter problemas como hipertensão, diabetes, inchaço e mal posicionamento do bebê. Abaixo de sete quilos não dá condições de o bebê se desenvolver perfeitamente", afirma Lobão Neto.

A perda de peso durante os três primeiros meses de gestação é normal, desde que a gestante consiga ingerir uma quantidade suficiente de nutrientes.

Amamentação

É um engano pensar que o fim das preocupações alimentares da mulher coincide com o nascimento do bebê. Durante a fase da lactação, em que a criança é alimentada com o leite materno, a dieta se torna ainda mais importante. "A lactante precisa ingerir 500 calorias a mais do que no período de gestação", diz Anita. "Basta comer mais três frutas ou uma porção de pão (quatro bolachas), ou ainda duas fatias de pão forma."

Alguns tipos de alimento ingeridos pela mãe podem causar reações no bebê, como cólica ou diarréia. O importante é ficar atento para perceber qual alimento não é bem aceito, já que as reações variam de criança para criança.

"A reação é individual, mas, de maneira geral, o consumo de pimenta e chocolate durante a lactação provoca cólica na criança. Alguns bebês também reagem negativamente quando a mãe ingere leite e derivados. Isto acontece com as crianças que não conseguem digerir uma proteína presente no alimento", afirma Anita.

A necessidade de líquidos dobra na fase da lactação, passando para, no mínimo, quatro litros. "Os líquidos são importantes para a formação do leite que o bebê vai receber. A mulher tem de saciar sua sede", diz Mônica.

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