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Veja cronologia de negociações de governo e oposição na Venezuela
da France Presse, em Caracas
As dúvidas sobre a assinatura de um acordo entre governo e oposição na Venezuela voltam a minar o caminho tortuoso transitado pela mesa de negociações coordenada pela OEA (Organização dos Estados Americanos), que foi instalada em Caracas no dia 8 de novembro de 2002.
A seguir, a cronologia dos principais acontecimentos envolvendo a mesa de negociações:
2002
8 de novembro: O secretário geral da OEA, César Gaviria, consegue instalar a mesa de negociações entre o governo do presidente Hugo Chávez e a oposição, após árdua campanha diplomática.
12 de novembro: Mesa é abalada após a oposição firmar em uma praça de Caracas um pacto para "a reconstrução nacional" com um grupo de oficiais militares declarados em "desobediência", os quais pedem a renúncia de Chávez e são catalogados como "golpistas" pelo governo.
14 de novembro: A assinatura de um primeiro acordo contra a violência é abortada pela militarização de Caracas, ordenada pelo governo para frear a violência nas ruas. A oposição critica a medida.
2 de dezembro: Começa uma greve geral convocada pela oposição, que busca tirar Chávez do poder. A mesa de negociações deixa de se reunir por vários dias.
2003
15 de janeiro: É criado em Quito (Equador) o Grupo de Países Amigos para apoiar o trabalho da OEA para o diálogo na Venezuela, formado por Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal.
18 de janeiro: Hugo Chávez ameaça abandonar mesa de negociações após 47 dias da greve da oposição, que classifica de "desestabilizadora".
21 de janeiro: O ex-presidente norte-americano Jimmy Carter propõe saídas para a crise: uma emenda constitucional para convocar eleições antecipadas ou um referendo revogatório do mandato de Chávez previsto na Constituição.
2 de fevereiro: Oposição realiza o "firmaço" para recolher assinaturas e pedir o referendo contra Chávez. Governo não dá valor ao abaixo-assinado, uma vez que a consulta só pode ser pedida a partir de 19 de agosto de 2003.
2 de fevereiro: Oposição suspende a greve geral
18 de fevereiro: É assinado um pacto contra a violência, o primeiro feito da mesa de negociações.
27 de março: César Gaviria apresenta um documento para tentar a realização do referendo revogatório sobre o governo de Chávez. A partir de então, as negociações giram em torno desse tema, descartando-se uma possível emenda constitucional.
11 de abril: Governo e oposição anunciam um pré-acordo eleitoral de 22 pontos que seria assinado em dias posteriores com a presença de Gaviria e Jimmy Carter, mas o governo se opõe ao pacto.
24 de abril: César Gaviria anuncia que definitivamente não será assinado o pré-acordo, e a mesa de negociações entra em uma fase de estancamento.
7 de maio: Vice-chanceleres e representantes do Grupo de Amigos que se reúnem em Caracas não conseguem reativar os trabalhos da mesa de negociações.
23 de maio: Chávez anuncia na Cúpula do Grupo do Rio em Cuzco, Peru, um acordo alcançado com a oposição na mesa de negociações, e diz que será assinado em cinco dias.
24 de maio: Assinatura do acordo é ameaçada após um tiroteio durante uma marcha do partido opositor social-democrata Ação Democrática, que deixa um morto e 22 feridos.
26 de maio: Uma oposição dividida realiza reuniões para decidir se assina o acordo com o governo. O acordo prevê a realização do referendo revogatório sobre o governo de Chávez se forem cumpridos os requisitos exigidos pela Constituição, entre eles a nomeação de um novo Conselho Nacional Eleitoral.
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