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pano para manga
exportações aquecem mercado com números otimistas
O setor têxtil brasileiro, de confecção e moda, vive um período de crescimento que ganha viés histórico. Conta atualmente com 30 mil empresas, sendo a quinta mais importante cadeia têxtil do mundo, ficando atrás da China, Índia, Estados Unidos e Taiwan.
Em 2003, mesmo num momento de crise do varejo, o segmento movimentou US$ 22,7 bilhões. Parte desse processo começou no final dos anos 90. A eliminação das quotas junto à União Européia, a auto-suficiência no algodão, o crescimento contínuo das exportações e a redução da alíquota do ICMS de 18% para 12% -para a indústria paulista, um importante pólo têxtil- ajudaram a consolidar o panorama atual, segundo Paulo Skaf, que no período esteve à frente da Associação da Indústria Têxtil e da Confecção (Abit). O empresário acaba de ser eleito presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo); é a a primeira vez que uma liderança do setor chega ao cargo.
Segundo a entidade, o crescimento do mercado têxtil brasileiro deve-se principalmente às exportações do setor como um todo. De janeiro a julho de 2004, as vendas para o exterior atingiram a cifra de US$ 1,052 bilhão -23,73% a mais do que no mesmo período de 2003. A Abit prevê ainda lucro de US$ 2,1 bilhões referentes a 25% a mais na exportação de 2004 em relação ao ano anterior. Destaque para o desempenho da moda praia e os negócios realizados com Estados Unidos e Itália. Comparando-se os seis primeiros meses de 2004 com o mesmo período de 2003, as exportações de praia cresceram 80,25%.
Entre as marcas participantes do segmento está a Rosa Chá, de Amir Slama, que tem atualmente 180 pontos-de-venda globais. "O mercado norte-americano é nosso maior consumidor", diz Slama, estilista e dono da marca, que tem ainda a França e o Japão como compradores.
Seu processo de exportação começou em 1997, com 686 peças de uma produção total de 196 mil. Hoje, exporta 76 mil peças e a previsão para 2005 é que o mercado externo seja responsável pela compra direta de 20% de sua produção. Ou seja, 100,2 mil peças.
Para facilitar seus negócios no exterior, Slama mantém showroom em Portugal, França, Bélgica, Itália, Grécia, Espanha, Inglaterra, EUA (Nova York e Miami), Austrália, Líbano, Rússia e Hong Kong. A marca faz parte do calendário oficial da semana de moda de Nova York, onde tem mostrado suas coleções de beachwear desde julho de 2000. Nesta temporada nova-iorquina de verão 2005, apresentou também a linha de toalhas desenvolvidas pela Karsten, como aconteceu na São Paulo Fashion Week.
A Karsten faz parte da indústria de confecção de cama, mesa e banho, que tem expressiva representação na exportação brasileira do setor têxtil. "Exportamos desde 1971. Estamos presentes em mais de 40 países, como Estados Unidos, México, Argentina e Japão", diz Aldo Antonio Schmitz, gerente de comunicação da Karsten. "Em 2003, nossas exportações corresponderam a 57% do faturamento total da empresa. No mercado interno, as vendas atingiram R$ 140 milhões".
Outra empresa relevante para este segmento é a Buettner, que exporta para 40 países, sendo que 45 % de produção total destinada ao mercado externo. "Produtos com maior valor agregado, como qualidade dos desenhos e coleções exclusivas para cada cliente, são fatores de sucesso da linha de toalhas de banho e praia que a marca exporta", diz João Henrique Marchewsky, diretor-presidente da empresa, que espera para 2004 um faturamento de US$ 32 milhões.
Como parte de sua estratégia de marketing no exterior, a Buettner mantém showroom permanente em Nova York e Barcelona, assim como parcerias com as marcas Donna Karan, Tommy Hilfiger, Disney, Kenzo, Ferrari e Ralph Lauren. Entre as ações fashion no Brasil, destacam-se linha assinada pelo decorador Sig Bergamin, desenvolvida em algodão egípcio e piquê de algodão, e a linha de toalhas do verão 2005 de Fause Haten.
Números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a atividade industrial geral do Brasil vem retomando o fôlego. No primeiro semestre deste ano, o crescimento total da indústria foi de 7,6% e o da têxtil, especificamente, de 7,7%. "Devemos intensificar as exportações de produtos com maior valor agregado, pois há ainda muito mercado a ser conquistado. As coleções feitas pelos designers brasileiros representam um volume pequeno de exportação, mas são ótimas vitrines para alavancar todo o setor", diz Farkouh.
No mercado interno, os números da Abit mostram que o inverno, mais rigoroso e antecipado, aqueceu o varejo, com 25% de vendas a mais que em 2003. Pelas previsões da entidade, o setor têxtil deve crescer de 6% a 7% em 2004, e as vendas domésticas, 8%, fechando o ano com US$ 25 bilhões no faturamento global. "Somos o segmento que menos inflacionou a economia, não só neste ano como também desde o plano real (apenas 9% em quase dez anos). Nossa contribuição na balança comercial do Brasil conta com superávit desde 2001. Só em 2003, o saldo chegou em US$ 600 milhões, o melhor dos últimos 11 anos", argumenta Farkouh.
Outra entidade atenta ao crescimento do setor é o Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio e à Micro e Pequenas Empresas), que há dois anos criou 14 APLS (Arranjos Produtivos Locais), envolvendo 4.620 empresas, a maioria de confecção, gerando 127 mil empregos. Outra ação do Sebrae é o apoio a consórcios de exportação e aos chamados Programas Setoriais Integrados (PSIs), sendo o Tropical Spice um dos destaques, reunindo 25 pequenos fabricantes do Brás e Bom Retiro. O grupo surgiu em 2000 e exporta para Chile, Uruguai, Argentina, Venezuela, Japão, Itália, Portugal, Inglaterra, Austrália e Alemanha. Seu faturamento em exportações cresceu de US$ 51 mil no primeiro ano para US$ 1,5 milhão no ano passado.
Para atender aos artesãos que trabalham com confecção, o Sebrae tem o PSA (Programa Sebrae de Artesanato), que orienta 68 grupos espalhados pelo interior do estado de São Paulo. O objetivo é dar capacitação técnica e empresarial, inserir a aplicação do design, adequando os produtos às necessidades do consumidor sem alterar as técnicas originais dos trabalhos desenvolvidos pelas comunidades.
jackson araujo e henriete mirrione
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