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10/12/2005

Brinquedos caros impulsionam vendas no Natal

MARIANA IWAKURA
ROSANGELA DE MOURA
Colaboração para a Folha

Na contramão de outros setores, indústria e varejo de brinquedos apostam nas vendas deste fim de ano, principalmente de produtos com preço superior a R$ 200. Levantamento da Fundação Instituto de Administração (FIA) revela que o faturamento deve ter crescimento nominal de cerca de 17,2% e real de 10% a 11% em relação ao Natal de 2004.

Os dados são do recém-lançado projeto SimBrasil (Sistema de Informações do Mercado Brasileiro de Brinquedos) e se baseiam no que dizem varejistas que representam 40% do mercado do país.

Os resultados do SimBrasil mostram uma tendência de maior crescimento nas vendas de brinquedos mais caros. Os de preço superior a R$ 200 devem vender 33% mais. Os que custam de R$ 100,01 a R$ 200, 12,6% mais. Em contraposição, para produtos cujo preço vai de R$ 20,01 a R$ 50, o aumento deve ser de 5,8%, e, para os de menos de R$ 20, de 7,8%.

"O aumento da renda real da população, a redução da taxa de desemprego e a queda do dólar são motivos para que se tenha faturamento maior no setor", explica José Afonso Mazzon, coordenador do SimBrasil. "Houve também uma descompressão social: o consumidor que segurou os gastos no passado está mais flexível."

Para Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), a grande aposta é o Natal, já que o Dia da Criança foi "insignificante", com resultado de vendas similar ao de 2004. "O setor viu uma queda de 30% nas vendas de janeiro a agosto, devido à invasão dos chineses.’’

A Abrinq estima que haja aumento de 8% nas vendas, alavancado pela divulgação dos produtos na mídia e também nos pontos-de-venda. "Bonecas e bonecos vão fazer a alegria das crianças, como vem acontecendo nos últimos anos", aposta Costa.

Eletrônicos em alta

Brinquedos eletrônicos e audiovisuais devem atrair mais, com crescimento do faturamento estimado pela FIA em 54,4%, seguido do de veículos e transporte, com 21,5% mais. Já quebra-cabeças, jogos, blocos de construção e instrumentos musicais apresentam tendência de queda nas vendas.

A Brinquedos Laura aposta nos eletrônicos e está otimista com as vendas de Natal, estimando um faturamento 10% maior que o de 2004. ‘‘Consoles e jogos de videogame são os mais desejados por quem tem mais de seis anos. Acreditamos também nos eletrônicos que agregam música à brincadeira, nos robôs e nos radiocontrolados’’, aposta Eduardo Pedro, proprietário da rede de lojas.

Ricardo Sayon, diretor comercial da rede de lojas Ri Happy, acredita que o consumidor encontrará grande variedade de produtos com atraente relação custo/benefício. "Apostamos na Barbie Aladus, na Hello Kitty, no disco voador Ufo, no Megaman, nas novidades da Lego e no urso Bartô, que custava R$ 249 no Dia das Crianças e sai por R$ 150.’’

Mercado eletrônico

Nas vendas de brinquedos pela internet, segundo a empresa de pesquisa de marketing online e-bit, espera-se um aumento de 40% em relação ao faturamento de 2004. Apesar de a porcentagem ser alta, o crescimento do setor é menor do que a previsão de crescimento do e-commerce em geral, que é de 47%. "O crescimento geral do comércio pela internet é alavancado pelas vendas de eletroeletrônicos, produtos de informática e videogames, que não contam como brinquedos", diz Pedro Guasti, diretor-geral.

Além disso, as lojas estão se adaptando para o mercado eletrônico. "Na internet, a compra é mais planejada do que impulsiva, como é a compra de brinquedos. Se a pessoa não conhece bem o produto, o apelo diminui", opina.

Os sucessos do Dia da Criança pautam o que deve ser oferecido no Natal. Da Grow, por exemplo, o grande trunfo foi uma linha de produtos com dez itens licenciados da Hello Kitty. ‘‘Só a boneca de vinil já vendeu mais de 500 mil peças e foi preciso aumentar a produção para atender aos pedidos’’, conta João Nagano, presidente. "Um produto de sucesso facilita a venda da coleção."

Para o Natal, a empresa continua apostando na gatinha, que conquistou as meninas, e também no produto Blopens, um instrumento de pintura licenciado com as Princesas e os Power Rangers, que deve chegar ao ponto-de-venda com preços entre R$ 25 e R$ 75. "O produto tem diversas opções de preços e com comercial de TV. Por isso deve vender três vezes mais", conta Nagano.

Aposta no mais caro

Para alcançar crescimento de 15% e atingir faturamento de R$ 40 milhões, a Gulliver aposta no brinquedo com maior valor agregado. ‘‘O Ovo com Dragão [R$ 50] foi o produto que nos surpreendeu no Dia da Criança e teve o estoque de 70 mil peças vendidas antes mesmo da semana do Dia da Criança. Para o Natal, traremos o Portal do Dragão [R$ 200], mas em volume controlado, para não sobrar’’, pondera Paulo Benzatto, gerente de vendas.

A importadora Mattel também está otimista em relação à venda de produtos mais caros. "Temos uma situação econômica melhor, com juros e cotação do dólar mais baixos, e um consumidor mais confiante", avalia Alejandro Rivas, gerente-geral. Os sucessos no Dia da Criança, como Polly, Hot Wheels e Max Steel, vêm em novos produtos e acessórios.

O Megaman PET, jogo eletrônico que esgotou no Dia da Criança, agora chega com reforços: a Mattel espera, para o início de dezembro, o triplo da quantidade que havia sido trazida em outubro. "Fomos surpreendidos. Com o lançamento do seriado na TV, estamos nos preparando para uma procura ainda maior."

Da Fisher-Price, para bebês e crianças pequenas, aposta-se nas linhas Little People e Imaginext e nos produtos do Barney, o clássico personagem norte-americano que, agora, chegou ao Brasil.

Casas de boneca grandes, garagens, postos de gasolina e cavalinhos de balanço devem ser os produtos mais vendidos do segmento de brinquedos artesanais.

"Dia da Criança e Natal são datas em que se vendem brinquedos de valor mais alto. Em outras épocas, vendem-se os de baixo custo", avalia Denise Becker, proprietária da loja virtual Ioiô Kids.

"O gasto tende a ser maior no Natal, quando se consolidam as expectativas da criança", completa Altino Ito, presidente da Abrine (Associação Brasileira de Brinquedos Educativos) e proprietário da loja Trenzinho.

     

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