10/12/2005
Meninos são indecisos; meninas, assertivas
da Folha de S.Paulo
Meninos tendem a fazer escolhas impulsivas na hora de comprar um brinquedo, sem ligar muito para marcas e sem exigir um contato prévio com ele: flertam com as gôndolas até que brote um amor à primeira vista.
Meninas são assertivas: preferem o que já conhecem da casa das amigas ou da TV. Pais sabem o que seus filhos querem, mas arriscam opções que consideram mais educativas ou econômicas.
Essas são as principais conclusões de estudo inédito feito pela Folha e pela Troiano Consultoria de Marca com 22 crianças paulistanas das classes A e B, divididas em três grupos etários (5/6, 8/9 e 11/12 anos), e mediado pelos especialistas Cristiane Orlandi e Fernando Jucá Bentivegna.
O estudo aconteceu neste mês no bufê Splash Blue (Moema, zona sul) e simulou as instalações de uma loja com 350 brinquedos artesanais e industrializados, além de CDs, DVDs, games e livros variados, com preços que iam de R$ 6 (peteca) a R$ 2.700 (moto a combustão), em média.
Numa primeira etapa, as crianças escolheram livremente, sem a presença dos pais, o presente que gostariam de ganhar no Dia da Criança. Em seguida, puderam brincar com o item escolhido e decidir se o trocariam.
Nenhuma menina quis mudar a escolha inicial. Já 4 dos 11 meninos se disseram decepcionados com suas primeiras opções. ‘Elas se mostraram mais seletivas: para as meninas, não basta ser qualquer boneca, tem de ser Barbie, Polly, Bratz‘, afirma Cristiane Orlandi, pesquisadora da Troiano.
Os adultos também elegeram com qual item gostariam de presentear os filhos. Seis acadêmicos analisaram as reações dos participantes, que levaram para casa um vale-presente da Brinquedos Laura.
A análise comportamental dos participantes derrubou mitos, como o de que pais não sabem o que os filhos querem. ‘Existiu uma concordância entre as escolhas‘, observa Sônia Maria Foresti, doutora em psicologia pela USP.
Katia Tarricone, pedagoga e professora da PUC-SP, afirma que um saldo positivo foi comprovar uma certa sintonia: ‘Desde brincar junto até conhecer bem as tendências, o que revela constante diálogo entre a família, em que pais ouvem os filhos‘.
Critérios diferentes
Mas, à medida que meninos e meninas mais velhos apontavam suas preferências, discrepâncias nessa relação começaram a aparecer. ‘As crianças estão mais informadas sobre as tendências dos brinquedos, e a maioria dos pais sente dificuldade em acompanhar o mercado‘, diz Edmara Bazoni Soares Maia, mestranda em enfermagem pediátrica na Unifesp.
Na faixa dos 11/12 anos, os meninos argüiam com propriedade sobre os recursos de videogames de última geração, enquanto as meninas se mostravam à vontade com as novas coleções de bonecas ‘fashion‘.
‘De modo geral, a criança escolhe o brinquedo que ela afirma mais gostar porque o conhece bem, então gostaria de adquirir um outro exemplar mais sofisticado‘, relata Neide Barbosa Saisi, pedagoga, psicóloga e professora da PUC-SP. Já os critérios dos pais são outros: ‘Preço acessível, valor pedagógico, brinquedos que ’não fazem sujeira’ e, por último, os que a criança ainda não tenha‘.
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